Polícia do Rio de Janeiro analisa imagens de atentado contra Produtora do Porta dos Fundos

Câmeras registraram momento em que homens encapuzados lançaram coquetéis molotov contra produtora. Grupo que diz seguir o integralismo reivindicou ataque. Filme 'Especial de Natal: se beber, não ceie Porta dos Fundos' provocou fúria de fundamentalistas e extremistas de direita.

Câmeras registraram momento em que homens encapuzados lançaram coquetéis molotov contra produtora. Grupo que diz seguir o integralismo reivindicou ataque. Filme ‘Especial de Natal: se beber, não ceie Porta dos Fundos’ provocou fúria de fundamentalistas e extremistas de direita.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a participação de um grupo que diz seguir o integralismo – um antigo movimento extremista brasileiro dos anos 1930 inspirado no fascismo italiano – no atentado contra a sede da produtora do canal Porta dos Fundos. O ataque ocorreu na madrugada de terça-feira (24/12/2019).

Na quarta-feira, integrantes de um grupo que se autointitula “Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”  divulgaram um vídeo em que reivindicam o atentado. O vídeo mostra três homens com rostos cobertos por toucas à frente de uma bandeira com o símbolo do integralismo. Um deles, sentado atrás de uma mesa onde está estendida um antiga bandeira do Império brasileiro, lê uma espécie de manifesto.

A leitura é acompanhada de imagens de homens lançando coquetéis molotov contra a fachada de um prédio. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, as imagens são mesmo do ataque contra a produtora.

No mesmo vídeo, um homem encapuzado lê com uma voz distorcida uma declaração em que o grupo reivindica a autoria do atentado, afirmando que foi uma “ação direta revolucionária” que ”buscou justiçar o povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica”.

“Temos o prazer de declarar que as inquietações advindas do espírito popular hoje foram parcialmente satisfeitas. O Porta dos Fundos resolveu fazer um ataque contra a fé do povo brasileiro se escondendo atrás do véu da liberdade de expressão”, diz um trecho do manifesto.

O grupo de humor vinha sendo alvo de críticas de religiosos nas últimas semanas após a produção do Especial de Natal do Porta dos Fundos, exibido pelo serviço de streaming Netflix. No especial, que foi levado ao ar no dia 3 de dezembro, os humoristas satirizam Jesus e Maria. O fundador do cristianismo é retratado como um homossexual. Maria, como adúltera e usuária de drogas. O fato de Jesus ter sido retratado como gay despertou a ira de vários grupos religiosos.

Após a divulgação do especial, surgiram petições para retirar o programa do ar. Vários líderes religiosos entraram com ações pedindo a suspensão. Um pedido chegou a ser endossado por uma promotora do Rio de Janeiro, mas acabou sendo negado por um juiz.

Ataque

Na noite de terça-feira, véspera de Natal,  dois coquetéis molotov foram atirados contra a da sede da produtora do grupo de humor, no Rio de Janeiro. O Porta dos Fundos informou que o fogo foi contido graças à ação rápida de um segurança do edifício, que conseguiu controlar o incêndio. Ninguém ficou ferido.

Segundo o UOL, Imagens de câmeras de segurança registraram o ataque. Eles mostram o momento em que pelo menos três pessoas – duas em uma caminhonete, uma em uma motocicleta – atiram os coquetéis molotov.

Após o ataque, o humorista Fábio Porchat, um dos integrantes do grupo, disse, em sua conta no Twitter, que o ataque não vai intimidar os comediantes. “Não vão nos calar. Nunca! É preciso estar atento e forte”.

Já a assessoria do grupo informou que o “Porta dos Fundos condena qualquer ato de ódio e violência e, por isso, já disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para as autoridades, para o secretário de Segurança, e espera que os responsáveis pelos ataques sejam encontrados e punidos”.

*Com informações do DW.

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