Países ignoram apelos por ação climática em cúpula da ONU

Conferência do Clima em Madri (COP25).Conferência do Clima em Madri (COP25).
Conferência do Clima em Madri (COP25).

Conferência do Clima em Madri (COP25).

Um pequeno grupo de países influentes resistiu a pressões neste domingo (15/12/2019) para intensificar esforços para combater o aquecimento global em cúpula da ONU, desagradando países menores e um movimento crescente de protesto que estão exigindo ação emergencial.

China, Estados Unidos, Brasil, Austrália e Arábia Saudita lideraram a resistência a uma ação mais ousada, disseram delegados.

As negociações na COP25 em Madri eram vistas como um teste na disposição coletiva dos países de seguir orientações de cientistas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa mais rapidamente, de forma a prevenir que o aquecimento global atinja níveis irreversíveis.

Mas a conferência, em seu esboço do comunicado final, apoiou apenas uma declaração sobre a “necessidade urgente” de fechar a lacuna entre as emissões atuais e as metas de temperatura do Acordo do Clima de Paris, de 2015 -um resultado que o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, chamou de decepcionante.

Muitos países em desenvolvimento e ativistas queriam ter visto uma linguagem mais explícita que deixasse claro a importância de os países submeterem compromissos mais ousados sobre emissão à medida que o Acordo de Paris entra em uma fase crucial de implementação no próximo ano.

“Essas conversações refletem o quão desconectados líderes dos países estão da urgência da ciência e das demandas dos seus cidadãos nas ruas”, disse Helen Mountford, vice-presidente para Clima e Economia do centro de pesquisa World Resources Institute. “Eles precisam despertar em 2020.”

A falta de um resultado mais expressivo para reforçar o Acordo de Paris aumenta a relevância da próxima grande cúpula de clima em novembro do próximo ano, em Glasgow, na Escócia.

Depois que as decisões finais foram tomadas em Madri, a ministra do Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt -que presidiu as negociações- disse estar com “emoções mistas”.

Guterres, que abriu a cúpula em 2 de dezembro, se disse “desapontado”.

“A comunidade internacional perdeu uma oportunidade importante de mostrar ambição crescente na mitigação, adaptação e financiamento para enfrentar a crise ambiental”, disse ele em comunicado. “Não podemos desistir e eu não vou desistir.”.

*Com informações de Matthew Green e Jake Spring, da Aência Reurets.

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