Morre bebê em Feira de Santana que aguardava na fila de espera para cirurgia do coração

Morre bebê em Feira de Santana que aguardava na fila de espera para cirurgia do coração.
Morre bebê em Feira de Santana que aguardava na fila de espera para cirurgia do coração.
Morre bebê em Feira de Santana que aguardava na fila de espera para cirurgia do coração.
Morre bebê em Feira de Santana que aguardava na fila de espera para cirurgia do coração.

Uma recém-nascida que estava internada há 30 dias na UTI Neonatal do Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher), enquanto a família aguardava a regulação para realização de uma cirurgia do coração, faleceu nesta sexta-feira (27/12/2019). Ela nasceu com cardiopatia congênita e necessitava da cirurgia em uma unidade de alta complexidade.

“Não vou deixar a história da minha filha em vão. Que demore dez, vinte anos, mas alguma coisa eu vou fazer por ela. Perder o meu bebê é perder um pedaço de mim. Esperamos por trinta dias a transferência, que não veio. Minha filha resistiu o que pôde, graças a assistência recebida aqui no Hospital da Mulher”, lamentou a mãe da recém nascida, Flávia de Almeida Santos, 28 anos, moradora do distrito de Humildes, em Feria de Santana.

Vários pedidos alertando a urgência da regulação foram encaminhados pelo Hospital da Mulher. “A gente depende desse sistema, do governo, pagamos impostos e quando mais precisamos do governo ele vira as costas para nós. A gente só precisava da cirurgia e depois seguiriamos a nossa vida normalmente, eu e minha filha. Se aconteceu com a vida da minha filha, pode acontecer com outras mães, mas isso não vai ficar assim”, desabafou.

Família de outro bebê que precisa de regulação acionou a Defensoria Pública

Outra situação semelhante vive o bebê Yan Gabriel da Silva Rodrigues, filho de Kaliane da Silva Rodrigues, nascido no último dia 15 de dezembro. De acordo com o laudo médico, diagnosticado com Cardiopatia Congênita, alterações do coração e dos grandes vasos, detectados através do exame Ecocardiograma após o nascimento.

Com o objetivo de acelerar o processo de transferência do seu neto para a cirurgia do coração, a avó Arilma da Silva Rodrigues solicitou providências emergenciais à Defenssoria Pública com base no artigo 196 da Constituição Federal, que trata do direito de todos e dever do Estado, quanto ao acesso e execução dos serviços públicos de saúde.

“Meu neto é um cardiopata grave e precisa da cirurgia. Pedi ajuda ontem (26) à Defenssoria Pública e se precisar vou ao Ministério Público. Eu preciso de ajuda e meu neto também. Que regulação é essa gente que espera a pessoa morrer numa fila de espera por 30 dias? A cada dia que passa vai aumentando o grau de risco, minha filha está sendo bem assistida aqui no Hospital da Mulher, mas por causa dessa situação ela ficou hipertensa. Que demora é essa gente? Eu peço, eu imploro a Sesab, me ajude a ter o meu primeiro netinho com saúde”, clama Arilma.

Caso preocupante e afeta toda equipe médica

O Médico Pediatra Neonatologista, Luciano Braz, disse que o recém-nascido que permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital da Mulher e precisa ser levado para Salvador o mais rápido possível. No entanto, ainda não há previsão de transferência. “O estado do bebê assim como todos que nascem com essa disfunção do coração é grave e são mantidos sob medicamentos fortíssimos que poderiam não ser preciso após a cirurgia. O caso é preocupante e afeta toda a equipe médica que mantém esses bebês aqui sob todo o cuidado, sendo que já deveriam ter feito a cirurgia e já está em casa com suas famílias”, observa Luciano.

A diretora presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte Lucas, informa que a cada dia é renovada a solicitação de transferência dos bebês que precisam de cirurgia. Ela lamentou a perda da recém-nascida que não conseguiu a regulação. “Enviamos mais uma solicitação para a Secretaria Estadual de Saúde no sentido de que intervenha nessa situação e possa dar maior celeridade ao processo de transferência do recém-nascido para uma unidade de referência em cirurgia cardíaca. Há quinze dias que a resposta é negativa e a alegação é que não há vagas, mas tudo o que é possível fazer como instituição, na questão de medicação e equipamentos necessários para manter a criança viva, temos feito. Entretanto o caso é cirúrgico”, esclarece Gilberte.

Redação do Jornal Grande Bahia
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