Empresário Paulo Marinho nega uso de residência como ‘QG de fake news’ da campanha do presidente Jair Bolsonaro; CPMI investiga uso intenso de ‘fake news’ pelo extremista de direita

O empresário Paulo Marinho (3º da direita) falou nesta terça (10/12/2019) à CPMI das Fake News e confirmou que a sua residência abrigou integrantes da campanha, mas ressaltou que estavam envolvidos apenas com a comunicação oficial do PSL.

O empresário Paulo Marinho (3º da direita) falou nesta terça (10/12/2019) à CPMI das Fake News e confirmou que a sua residência abrigou integrantes da campanha, mas ressaltou que estavam envolvidos apenas com a comunicação oficial do PSL.

O empresário Paulo Marinho, morador de uma casa no Rio de Janeiro (RJ) que funcionou como central de atividades da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, negou que o espaço tenha sido usado para a emissão de notícias falsas durante as eleições de 2018.

Marinho falou nesta terça-feira (10/12/2019) à comissão mista parlamentar de inquérito que investiga notícias falsas e assédio nas redes sociais (CPMI das Fake News). Ele confirmou que a sua residência abrigou integrantes da campanha, mas ressaltou que eles estavam envolvidos apenas com a comunicação oficial do PSL e que as atividades envolveram um contrato de aluguel.

— Cedi dois cômodos de um anexo da minha casa, que foram utilizados pela base de comunicação da campanha para gravação e edição dos programas de TV, de rádio, das redes sociais do PSL. Aceitei fazer essa generosidade porque aquele espaço não iria conflitar com o dia-a-dia da minha família.

O aluguel, no valor de R$ 8.750,00, foi custeado pelo partido, e não diretamente pela campanha do presidente Jair Bolsonaro. O contrato está no nome da esposa de Marinho, Adriana Bourguignon Marinho, e consta da prestação de contas do PSL.

A CPMI convocou Paulo Marinho em função de uma entrevista que ele concedeu em julho, na qual afirmou que distribuiu mensagens de WhatsApp a favor de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Em seu depoimento, o empresário explicou que não estava se referindo à emissão sistemática de notícias falsas, e reiterou que nenhuma operação desse tipo funcionou na sua casa.

— O que eu quis dizer é que, quando eu recebia coisas que tinham graça, memes, repassava para minha rede de WhatsApp, que contém 15 pessoas da minha intimidade. Não tem nenhuma consequência. Veículos [de imprensa] repetiram à exaustão me atribuindo coisas que jamais aconteceram na minha residência — afirmou.

Marinho confirmou que o publicitário Marcos Aurélio Carvalho foi o coordenador da equipe de comunicação que trabalhou no espaço alugado da sua casa. Carvalho é um dos sócios fundadores da AM4, uma das empresas investigadas pela CPI mista por disparos automatizados de mensagens eleitorais.

Carlos Bolsonaro

A deputada Natália Bonavides (PT-RN), autora do requerimento para convocação de Paulo Marinho, quis saber sobre a participação do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, nas atividades de comunicação. O empresário respondeu que Carlos não frequentava a casa e não tinha envolvimento com o trabalho que aconteceu lá.

— Se houve alguma participação dele na campanha, foi na gestão das redes sociais do pai, das quais ele detinha as senhas — apontou.

Marinho afirmou que há uma distinção entre a comunicação oficial, conduzida pelo PSL, e a militância virtual mobilizada em torno da figura do presidente. Para ele, foi a comunicação “séria”, conduzida por “pessoas da mais alta qualificação”, que elegeu Bolsonaro. Já os grupos de direita radical, que ele chamou de “bolsominions”, não são produtivos.

— Eles entendem que ou você está a favor do presidente ou está contra o Brasil, não há alternativa. É um pequeno grupo que se beneficia da sua falta do que fazer para atuar na internet. Um bando de desocupados que ficam colocando as suas frustrações pessoais para xingar os outros — explicou.

Carlos Bolsonaro foi apontado por outros depoentes da CPMI como coordenador das atividades desses grupos. Paulo Marinho disse que as posturas e atitudes públicas de Carlos são preocupantes.

— Acho que ele é uma pessoa perturbada. Precisa de um tratamento — disse, em resposta ao deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA).

“Núcleo duro”

Os deputados Paulo Ramos (PDT-RJ) e Rui Falcão (PT-SP) questionaram Marinho sobre a sua relação com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), também filho do presidente, e de quem ele é primeiro-suplente. O empresário afirmou que não tem contato com Flávio desde a eleição e que nunca teve expectativas de assumir o mandato ou de participar do governo.

Ainda no início do ano, Marinho deixou o PSL (hoje é filiado ao PSDB). Ele disse que nunca fez parte do “núcleo duro” de Jair Bolsonaro, e que embarcou na campanha a convite do ex-ministro Gustavo Bebbiano, de quem é amigo há 40 anos. Bebbiano foi advogado de Bolsonaro, presidente do PSL durante a campanha eleitoral e ministro da Secretaria-Geral da Presidência, mas deixou o cargo depois de denúncias sobre o uso de candidaturas de fachada da legenda para desviar recursos do fundo partidário. Ele também teve atritos com Carlos Bolsonaro.

Apesar de participar da articulação da campanha desde o início, o empresário garantiu que nunca teve intimidade com o presidente. No entanto, ele observou que isso tem se revelado uma vantagem:

— Quando o presidente faz qualquer manifestação de afeto, você se torna alvo do ódio dos filhos dele.

*Com informações da Agência Senado.

Empresário Paulo Marinho atuou na campanha eleitoral de 2018 do presidente Jair Bolsonaro.

Empresário Paulo Marinho atuou na campanha eleitoral de 2018 do presidente Jair Bolsonaro.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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