Política do retrocesso econômico do Governo Bolsonaro contribui para subida da cotação do dólar; Moeda supera RS$ 4,26 ante real

Dólar é cotado a RS$ 4,26, nesta terça-feira (26/11/219). Investidores se retraem com a política econômica neoliberal do Governo Bolsonaro.
Dólar é cotado a RS$ 4,26, nesta terça-feira (26/11/219). Investidores se retraem com a política econômica neoliberal do Governo Bolsonaro.
Dólar é cotado a RS$ 4,26, nesta terça-feira (26/11/219). Investidores se retraem com a política econômica neoliberal do Governo Bolsonaro.
Dólar é cotado a RS$ 4,26, nesta terça-feira (26/11/219). Investidores se retraem com a política econômica neoliberal do Governo Bolsonaro.

O dólar disparava em relação ao real nesta terça-feira e bateu nova máxima recorde acima de 4,26 reais, com os investidores pessimistas após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que o câmbio de equilíbrio “tende a ir para um lugar mais alto”.

Às 10:31 horas terça-feira (26/11/2019), o dólar avançava 1,15%, a 4,2636 reais na venda, tendo atingido a máxima recorde intradia de 4,2682 reais.

O desempenho do real acompanhava o movimento da principais moedas emergentes, em meio à força generalizada do dólar nos mercados diante da falta de avanços na guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Na segunda-feira, o dólar à vista encerrou a sessão regular em uma máxima histórica, com alta de 0,53%, a 4,2150, superando o recorde anterior para um fechamento de 4,2061 reais.

O contrato mais negociado de dólar futuro registrava alta de 0,86% na B3, a 4,265 reais.

Os temores sobre a permanência das altas acentuadas da divisa norte-americana foram acentuados após o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizer que, diante da redução da taxa básica de juros no país, o câmbio de equilíbrio “tende a ir para um lugar mais alto”.

“Os comentários do Guedes mostram que não tem uma preocupação com a taxa de câmbio no atual patamar”, explicou Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets. “O mercado acaba achando que isso é uma indicação de que o BC não vai atuar.”

O ministro afirmou ainda na segunda-feira, nos Estados Unidos, que o Brasil tem uma moeda forte e que flutuações no câmbio não são motivo de preocupação. “Temos um câmbio flutuante… Às vezes ele está um pouco acima, por exemplo, quando o juro desce, ele sobe um pouco.”

Em nota, economistas do UBS refletiram a fala de Guedes ao dizer que a forte queda na taxa Selic desde 2017 tem sido um importante fator para a depreciação do real. “A perspectiva de que os juros permanecerão baixos está levando a um ajuste na alocação dos investidores locais e no mix de passivos das empresas, com esses fatores levando à demanda por dólar”, afirmou o banco.

Segundo o UBS, “uma liquidação adicional pelo BC poderia pressionar o real, já que as restrições de balanços afetam a capacidade dos bancos de vender dólares de volta ao BC”.

“O Banco Central pode aliviar esses problemas vendendo reservas sem comprar dólares ao liquidar swaps cambiais e adicionar reservas temporárias de câmbio ao mercado para atender às pressões sazonais”, acrescentou o UBS. No entanto ainda não há uma perspectiva clara de atuação da instituição.

Nesta terça-feira, o Banco Central vendeu 3.500 contratos de swap cambial reverso e 175 milhões de dólares em moeda spot, de oferta de até 15.700 e 785 milhões, respectivamente.

Adicionalmente, a autarquia leiloará contratos de swap tradicional, para rolagem do vencimento janeiro de 2020.

Presidente Jair Bolsonaro diz torcer para que dólar caia, mas acata fala de Guedes sobre câmbio

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que continua a torcer para que o dólar caia, mas disse que a moeda norte-americana em alta tem vantagens e desvantagens e que acata a posição defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o câmbio.

Em entrevista em Washington na véspera, Guedes afirmou que não está preocupado com a alta do dólar, que na segunda-feira chegou a 4,21 reais. Guedes disse ainda que o país precisará se acostumar com uma taxa de juros mais baixa e um dólar mais alto.

“Vi, ouvi e se ele falou está falado”, disse Bolsonaro ao ser perguntado se havia visto as declarações de seu ministro, ao sair do Palácio da Alvorada nesta manhã.

“Espero que caia, torço, torço para que caia a taxa Selic, que aumente nossa credibilidade diante do mundo, agora a economia, é como eu disse, eu sou técnico de futebol. Quem entra em campo são os 22 ministros. Paulo Guedes está jogando na economia”, acrescentou.

Logo depois da entrevista do presidente, o dólar voltou a subir, superando 4,25 reais —um recorde—, com a reação do mercado à declaração de Guedes de que o câmbio de equilíbrio “tende a ir para um lugar mais alto”.

O presidente disse ainda que há prós e contras no fato de a moeda norte-americana estar alta, mas não chegou a apresentar quais seriam os benefícios e os prejuízos do aumento do dólar.

Na semana passada, Bolsonaro já havia declarado que gostaria de ver o dólar abaixo de 4 reais, mas atribuiu a alta a fatores externos, como a disputa comercial entre China e Estados Unidos.

*Com informações de Luana Maria Benedito, da Agência Reuters.

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