Festival Negritude, Educação e Resistência celebra cultura no ‘Dia da Consciência Negra’ em Feira de Santana

Edição 2019 do 'Dia da Consciência Negra' é celebrado em Feira de Santana.
Edição 2019 do 'Dia da Consciência Negra' é celebrado em Feira de Santana.
Edição 2019 do 'Dia da Consciência Negra' é celebrado em Feira de Santana.
Edição 2019 do ‘Dia da Consciência Negra’ é celebrado em Feira de Santana.

O palco que marcou o encerramento do projeto “Negritude, educação e resistência” seguramente não resume todo trabalho educativo desenvolvido em novembro pela Escola Pai e Mãe, mantida pela Prefeitura no bairro Feira VI. Mas, é um bom modo de começar a explicar esse processo. Em sua base, podia-se ler a palavra “Resistir”. Ao seu redor, havia adereços que remetem à cultura africana; à frente, bonecas pretas e, ao fundo, imagens de mulheres negras.

Foi nesse cenário que os estudantes dali – maioria negra – apresentaram músicas e peças teatrais. As atividades, iniciadas na terça-feira (19/11/2019), culminaram hoje com uma série de ‘pocket-shows’ que reuniram artistas negros reconhecidos e prestigiados na cena cultural feirense.

O projeto é sobre isso: representatividade. Sobre oferecer referenciais positivos a essas crianças. Mostrar que elas podem alcançar posições sociais de destaque e que, inclusive, devem buscá-las, por que essas também lhes são de direito. Garantir que cresçam sabendo que podem ser grandes artistas de sucesso, como os que se apresentavam diante delas. Podem também ser médicas, advogadas, professores, enfim, o que quiserem.

O projeto se integra à proposta geral de conscientização evocada pela celebração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. Ele busca mostrar às crianças que a cor de sua pele não é empecilho para nada, e que o resto é racismo. Alguns estudantes, cinco artistas e grupos musicais se apresentaram no Festival Cultural Negritude, Educação e Resistência: Bia B, Juli e os grupos Efeito Zumbi, A Vez das Minas e Roça Sound.

Projeto nasceu na sala de aula

Além dos shows, o evento também contou com rodas de capoeira, oficina de turbante, vendinha de acarajé (R$ 1,00 cada) e um mutirão de grafite. Do lado pedagógico, pautas etnicorraciais vêm sendo discutidas dentro da sala de aula de forma transversal nas turmas de 1º ao 5º ano desde o início de novembro. No final de outubro, as professoras receberam formação específica para discutir possibilidades de aplicação da temática em suas aulas.

Ávila Santos, professora do 1º ano, conta que buscou inserir a temática de forma mais leve, inserindo textos de afirmação da identidade negra em suas habituais rodas de contação de história, por ser responsável por uma turma de crianças que estão nos anos iniciais. Ela também buscou apresentar-lhes pessoas negras em posições sociais de destaque.

“Fizemos um mural coletivo. Pegamos fotos de algumas pessoas que atuam em profissões socialmente tidas como exclusivas de brancos. Trouxe essa discussão – a ‘de que a gente pode estar no lugar que a gente quiser’. É preciso dar espelhos para que eles consigam se enxergar. Todo o meu projeto pedagógico foi pautado em fortalecer esses meninos. Eles são muito pequenos, é um campo sutil. É preciso trazer exemplos concretos, mais reais”, destaca.

Esta é a terceira edição do Festival. O projeto existe desde 2016, porém, naquele ano, foi realizado ainda em uma dimensão menor, apenas em uma sala de aula. Foi a partir de 2017 que a escola decidiu ampliá-lo, integrando todas as turmas, para daí abrir seus portões à comunidade no dia de encerramento das atividades – uma forma de promover maior engajamento de todos que contribuem para a construção da escola pública.

Renata Carvalho da Silva, diretora da Escola Pai e Mãe, explica que a ideia do projeto surge da necessidade de se discutir questões etnicorraciais nas escolas – principalmente as públicas, que têm maioria de alunos e professores negros. “Mesmo com essa maioria, vemos muito preconceito racial nesses espaços e muita ignorância, no sentido literal da palavra, de não compreender como o racismo e o ‘apagamento’ da identidade negra podem levar a caminhos ruins”.

O Festival é organizado pela equipe da Escola Pai e Mãe em parceria com os coletivos feirenses H2F Hip Hop Feira e Coletivo de Empoderamento de Mulheres de Feira de Santana. Este ano, o evento também recebeu apoio do Governo do prefeito Colbert Martins Filho através das secretarias municipais de Educação; Cultura, Esporte e Lazer; e da Fundação Municipal de Tecnologia da Informação, Telecomunicação e Cultura Egberto Tavares Costa. Contou ainda com a participação da Associação de Capoeira Bio-equilíbrio.

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