Banco do BRICS está comprometido com agenda da infraestrutura no Brasil e quer parcerias privadas

K. V. Kamath, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS).

K. V. Kamath, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS).

Depois de aprovar um empréstimo de 500 milhões de dólares para o projeto brasileiro Fundo Clima, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do Brics, prevê apoio adicional a investimentos em infraestrutura no país, além da assinatura de um novo memorando de entendimentos com o BNDES, afirmou o presidente da instituição, K. V. Kamath, em entrevista realizada nesta terça-feira (12/11/2019), às vésperas da cúpula do grupo.

Segundo Kamath, o banco está “totalmente comprometido” em apoiar o Brasil em sua agenda de investimentos em infraestrutura. Para além do financiamento direto, ele previu eventual cooperação com o setor privado nesse sentido, por exemplo, com a concessão de garantias, reforço de crédito ou participação acionária.

“Com base nos requisitos atuais de desenvolvimento de infraestrutura no Brasil, a expectativa é que certos setores como água e saneamento, transporte e logística e infraestrutura urbana recebam mais foco em termos de operações soberanas do NDB. Do lado não soberano, são esperados projetos nas áreas de energia, transporte e logística”, afirmou, por email, à Reuters.

Ao falar especificamente sobre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Kamath classificou a relação com o banco de fomento brasileiro como “muito bem-sucedida”.

O BNDES foi o primeiro parceiro com o qual o NDB assinou um memorando de entendimentos, em 2015. O primeiro projeto financiado pelo banco do Brics no país foi o de energia renovável do BNDES, com empréstimo de 300 milhões de dólares.

“O NDB irá renovar seu memorando de entendimentos com o BNDES durante a cúpula (dos Brics) e também vamos aprofundar nosso trabalho conjunto em cooperação para projetos”, pontuou Kamath.

Para a cúpula dos Brics que ocorre nesta semana em Brasília, o NDB irá apresentar os progressos atingidos a seus países membros —Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Kamath, que é indiano, frisou que o Fundo Clima é um dos 14 empréstimos aprovados pelo banco neste ano, totalizando 4,4 bilhões de dólares.

Ao todo, o banco do Brics já chancelou o financiamento a 45 projetos, somando 12,5 bilhões de dólares. A ideia é fechar 2019 com uma carteira na casa de 14 bilhões a 15 bilhões de dólares, afirmou o presidente da instituição.

“O NDB percorreu um longo caminho em quatro anos, algo que nossos pares levaram décadas para alcançar”, disse Kamath, rebatendo críticas de que o banco do Brics ainda não teria efetivamente passado do discurso à ação.

Carteira Brasileira

Sobre questionamentos de que o Brasil não teria recebido financiamento compatível até agora com as contribuições já feitas ao capital do banco, ele reconheceu à Reuters que países como Brasil e África do Sul demandam mais do NDB em termos de “identificação e preparação de projeto”.

“Este tem sido um processo de aprendizado e agora o NDB identificou maneiras mais eficazes de trabalhar com diferentes países”, disse.

“O Brasil e a África do Sul estão se recuperando e agora estão com uma carteira de empréstimos maior do que sua parcela de contribuição para o capital do NDB. Estamos confiantes que o banco terá um portfólio equilibrado entre todos os nossos países membros.”

O NDB já recebeu 5,6 bilhões de dólares de seus membros. O banco tem um capital subscrito de 50 bilhões de dólares.

Olhando para o quadro econômico mundial, Kamath avaliou que a economia global em geral, e a de países desenvolvidos em particular, enfrenta “alguns fortes ventos contrários agora”. Mas ressaltou que o investimento à infraestrutura é vital para pavimentar o caminho para um crescimento econômico mais rápido e inclusivo —meta que continuará sendo perseguida pelo NDB.

“O apoio ao desenvolvimento sustentável de infraestrutura esteve e permanecerá no centro da estratégia operacional do NDB para contribuir com a agenda de desenvolvimento de seus países-membros”, disse.

Ele também afirmou que a adesão de outros países ao banco se dará dentro de um processo gradual, lembrando que o mandato do banco contempla a mobilização de recursos para projetos não apenas do Brics, mas também de outras economias emergentes.

Fundo Clima

O empréstimo do NDB ao Fundo Clima será utilizado pelo Ministério do Meio Ambiente no repasse a subprojetos relacionados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas em setores como mobilidade urbana, tratamento de resíduos e energia renovável. O BNDES administrará as operações do fundo.

De acordo com Kamath, os recursos ajudarão o Brasil a cumprir obrigações firmadas no acordo de Paris.

*Com informações de Marcela Ayres, da Agência Reuters.

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