Antípoda da Democracia e dos Direitos Humanos, presidente Jair Bolsonaro realizou 99 ataques à imprensa do Brasil, aponta FENAJ

Maria José Braga, presidente da FENAJ.

A presidente da Fenaj, Maria José Braga, apresentou os dados sobre ataques ao jornalismo na reunião em que se discutiu a liberdade de imprensa no Brasil.

O presidente Jair Bolsonaro já realizou, desde a posse, 99 ataques diretos a jornalistas ou à forma como os trabalhos da imprensa são conduzidos pelos profissionais no país. Os dados foram apresentados pela presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, nesta segunda-feira (04/11/2019), durante reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS).

Braga ressaltou que o levantamento da Fenaj foi “criterioso”, buscando separar críticas conceituais de “ataques puros e simples” a jornalistas específicos ou à maneira como alguns veículos fazem a cobertura de seu governo.

— Só em outubro, o presidente realizou 13 ataques pessoais contra jornalistas ou à forma como o jornalismo é feito no país. Fizemos questão de separar o que são críticas conceituais e o que se configura simplesmente como agressões. Desde a posse, já foram 99 ataques pessoais e agressões a veículos específicos. São manifestações do tipo “a imprensa é nossa inimiga” ou “se valesse, jornalista já estaria tudo preso”. O presidente parece buscar de forma sistemática desacreditar a imprensa, intentando que a população creia ser ele um perseguido por ela, e que portanto as informações veiculadas não seriam confiáveis. Já foram 11 ataques pessoais contra jornalistas e 88 contra veículos e à imprensa como um todo. Os principais alvos são o grupo Globo e os jornais Folha de S. Paulo e Valor Econômico — informou Braga.

Tortura e censura

Todos os meses, a presidente da Fenaj reporta ao CCS casos de violência a profissionais da comunicação no país.

No relatório de outubro, citou a censura feita pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) a uma reportagem sobre o Festival de Artes Jackson do Pandeiro, em João Pessoa (PB). A matéria foi reeditada para publicação no YouTube e o diretor do programa “Antenize”, Vancarlos Alves, foi demitido, porque a reportagem original veiculava um cordel em que aparecia a imagem da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada no ano passado no Rio de Janeiro. Na versão para a internet, a imagem de Marielle foi eliminada.

Braga também citou a censura praticada pelo YouTube a dois vídeos do site Ponte Jornalismo. As reportagens da Ponte Jornalismo denunciavam dois professores da rede de ensino AlfaCon, que faziam apologias à tortura e a execuções sumárias durante as aulas, para os alunos.

— O estranho é que as imagens usadas nas reportagens da Ponte Jornalismo, com as apologias aos crimes, vinham de vídeos da própria AlfaCon. O YouTube alegou que a Ponte Jornalismo estaria infringindo o direito autoral — reclamou a presidente da Fenaj.

*Com informações da Agência Senado.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).