Santa Sé na ONU: a cultura do encontro como resposta ao terrorismo

Bernardito Cleopas Auza é um prelado filipino da Igreja Católica que foi nomeado Núncio Apostólico na Espanha em 1º de outubro de 2019. Ele atuou no serviço diplomático da Santa Sé antes de sua nomeação. Ele é o Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas desde 2014.
A luta ao crime do terrorismo internacional, requer unidade de ação civil e religiosa, a força da lei e do direito, mas para ser duradoura deve ser fundamentada na cultura do encontro que favoreça a aceitação recíproca e promova sociedades pacíficas e inclusivas. Este foi o tema central do discurso do Observador Permanente da Santa Sé junto à ONU, Dom Bernardito Auza.
Bernardito Cleopas Auza é um prelado filipino da Igreja Católica que foi nomeado Núncio Apostólico na Espanha em 1º de outubro de 2019. Ele atuou no serviço diplomático da Santa Sé antes de sua nomeação. Ele é o Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas desde 2014.
A luta ao crime do terrorismo internacional, requer unidade de ação civil e religiosa, a força da lei e do direito, mas para ser duradoura deve ser fundamentada na cultura do encontro que favoreça a aceitação recíproca e promova sociedades pacíficas e inclusivas. Este foi o tema central do discurso do Observador Permanente da Santa Sé junto à ONU, Dom Bernardito Auza.

“Cometer atos terroristas para prejudicar pessoas inocentes é absolutamente injustificável e inaceitável. A brutalidade destes atos e o desprezo da vida por parte dos terroristas não pode nos deixar indiferentes, nem ter justificações”. São palavras de Dom Bernardito Auza, Observador Permanente da Santa Sé no seu discurso do dia 10 de outubro na 74ª Sessão da Assembleia da ONU.

O bispo reitera, diante do sofrimento das vítimas, a urgência de soluções “nacionais e internacionais para combater e erradicar um fenômeno tão deplorável” e a “atenção a ser colocada nas quatro colunas das Nações Unidas: paz e segurança, direitos humanos, Estado de direito e desenvolvimento humano, constantemente ameaçados pelo terrorismo”.

Resposta global a uma ameaça global

“Como somos todos ameaçados, todos devem responder”: esta é a reflexão de Dom Bernardito Auza que indica à comunidde internacional alguns caminhos que podem ser tomados. Antes de tudo “negar o apoio financeiro e o acesso às armas aos que utilizam táticas de terrorismo”; “impedir a radicalização dos jovens utilizando mídia e tecnologias informáticas” e “na luta ao terrorismo utilizar ao máximo os mecanismos sólidos do direito penal e da mútua assistência internacional entre a polícia e autoridades judiciárias”. Devem responder diante dos tribunais, explica o bispo, os que favorecem o extremismo violento ou acolhem membros de grupos terroristas e devem ser perseguidos com vigor os que violam o direito humanitário internacional.

Medidas eficazes se respeitam os direitos e dignidade humana

“As medidas para combater o terrorismo – afirma – para serem eficazes e não contraproducentes, devem respeitar escrupulosamente o justo processo, os direitos humanos e a dignidade de todas as pessoas envolvidas. De fato, a luta ao terrorismo não pode jamais justificar políticas e práticas que sacrificam o justo processo e a dignidade humana”. Também é importante, segundo Dom Auza, que as populações, os governos e as organizações locais mesmo as religiosas e os líderes religiosos participem da luta ao terrorismo, porque têm estratégias capazes de impedir que os jovens sejam radicalizados”.

Os seis pontos da Delegação Vaticana

“Todos os Estados – sublinha Dom Auza – são chamados a trabalhar juntos com as autoridades locais, a sociedade civil local e as comunidades religiosas para promover o desenvolvimento e a educação, proteger os direitos humanos e prevenir a difusão da propaganda terrorista”. A delegação vaticana indica seis pontos “cujo respeito e cuja promoção poderia ter um impacto fundamental para conter e erradicar o terrorismo”. “Em primeiro lugar o respeito pela liberdade de consciência, de religião e de credo; em segundo lugar, a igualdade de todos os cidadãos diante da lei; em terceiro lugar, uma distinção positiva e respeitadora entre esfera política e religiosa, para poder preservar tanto a liberdade religiosa de todas as pessoas quanto o papel insubstituível da religião para a formação das consciências e a criação de um consenso ético de base na sociedade; em quarto lugar, uma condenação categórica do abuso e da manipulação da religião e do credo religioso para incitar ao ódio e à violência. Quinta coluna “um autêntico compromisso para o diálogo inter-cultural e inter-religioso; e sexto ponto, esforços educativos eficazes para formar cidadãos responsáveis e amantes da paz”.

Alimentar a cultura do encontro

Recordando o apelo presente no Documento da Fraternidade Humana assinado em Abu Dhabi em 4 de fevereiro passado pelo Papa e pelo Grão-Imame Ahmed Al-Tayyeb aos líderes para que promovam diálogo, cooperação, compreensão e tolerância, Dom Auza conclui seu discurso relançando a eficácia desta abordagem na luta ao terrorismo: “Por mais graves que sejam as ameaças que o terrorismo representa para a nossa segurança coletiva – disse – qualquer resposta duradoura a este mal não pode ser obtida apenas através da aplicação da lei ou de meios de segurança, mas antes, alimentando uma cultura do encontro que favoreça a aceitação recíproca e promova uma sociedade pacífica e inclusiva.

*Com informações do Vaticano News.

Sobre Carlos Augusto 9719 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).