Presidente Jair Bolsonaro tentou comprar deputados com cargos, diz deputado Waldir, líder do PSL na Câmara; Autofagia da extrema-direita evidencia autoritarismo vulgar dos membros

Extremista de direita, presidente Jair Bolsonaro contribui para autofagia do PSL.
Extremista de direita, presidente Jair Bolsonaro contribui para autofagia do PSL.
Extremista de direita, presidente Jair Bolsonaro contribui para autofagia do PSL.
Extremista de direita, presidente Jair Bolsonaro contribui para autofagia do PSL.

A maioria dos deputados do PSL impôs na quinta-feira (17/10/2019) derrota ao presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo controle do partido, ao vetar a troca do líder na Câmara, Delegado Waldir, pelo filho Eduardo, informou reportagem do Jornal O Globo.

A ala ligada ao presidente da sigla, Luciano Bivar, destituiu todos os cinco vice-líderes bolsonaristas e estuda retirar o senador Flávio Bolsonaro e Eduardo do comando dos diretórios do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O racha do PSL enfraquece ainda mais a articulação política de Bolsonaro no Congresso e pode sepultar a indicação de Eduardo à embaixada nos EUA.

Outras mudanças na extrema-direita

Outro representante do grupo alinhado ao atual comando da sigla, o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), afirmou ao chegar à reunião do PSL que serão realizados ajustes no quadro da legenda para “solidificar” e “fortalecer” a posição de Bivar.

De acordo com Olimpio, a saída dos filhos de Bolsonaro dos diretórios estaduais será discutida na reunião desta sexta. “Eu não sei se já fizeram as notificações em relação a isso. Vamos definir hoje isso. Eu defendo que [o Eduardo] já saia já [do diretório em São Paulo]. O Flávio do Rio também”, declarou.

Major Olimpio defendeu uma tentativa de reaproximação de Bolsonaro com o partido. Ele disse que a legenda não quer perder o presidente e afirmou que o mandatário deveria chamar Bivar para uma conversa. “Ele é o nosso maior ícone político, talvez o único. Mas nós não queremos mais alguns que cercam o presidente Bolsonaro”, concluiu Olimpio.

O esquema de candidaturas laranjas do PSL, caso revelado pela Folha em uma série de publicações desde o início do ano, deu início a atual crise na legenda e tem sido um dos elementos de desgaste entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro, que ameaça deixar o partido.

O escândalo dos laranjas já derrubou o ministro Gustavo Bebianno, provocou o indiciamento e a denúncia do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e levou a uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal a endereços ligados a Bivar em Pernambuco.

Na semana passada, diante disso,  Bolsonaro requereu a Bivar a realização de uma auditoria externa nas contas da legenda. A ideia tem sido a de usar eventuais irregularidades nos documentos como justa causa para uma desfiliação de deputados da sigla, o que evitaria perda de mandato. O episódio, no entanto, criou uma disputa interna na sigla, com a ameaça inclusive de expulsões.

A aliados Bolsonaro tem dito que só oficializará a saída do PSL caso consiga viabilizar a migração segura de cerca de 20 deputados do PSL (de uma bancada de 53) para outra sigla.

Nos bastidores, esses parlamentares já aceitam abrir mão do fundo partidário do PSL em troca de uma desfiliação sem a perda do mandato. A previsão é de que o PSL receba R$ 110 milhões de recursos públicos em 2019, a maior fatia entre todas as legendas.

A lei permite, em algumas situações, que o parlamentar mude de partido sem risco de perder o mandato —entre elas mudança substancial e desvio reiterado do programa partidário e grave discriminação política pessoal.

Os dois lados do extremismo de direita

Bolsonaristas

Alê Silva (MG), deputada federal (retirada da Comissão de Finanças e Tributação);

Bia Kicis (DF), deputada federal;

Bibo Nunes (RS), deputado federal;

Carla Zambelli (SP), deputada federal;

Carlos Jordy (RJ), deputado federal;

Daniel Silveira (RJ), deputado federal;

Eduardo Bolsonaro (SP), deputado federal;

Filipe Barros (PR), deputado federal;

Flávio Bolsonaro (RJ), senador (Senado)

Helio Negão (RJ), deputado federal;

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP), deputado federal;

Major Vitor Hugo (GO), líder do governo na Câmara;

Bivaristas

Dayane Pimentel (BA), deputada federal;

Delegado Antônio Furtado (RJ), deputado federal;

Delegado Pablo (AM), deputado federal;

Delegado Waldir (GO), líder do partido na Câmara;

Felipe Francischini (PR), deputado federal (presidente da CCJ);

Heitor Freire (CE), deputado federal;

Joice Hasselmann (SP), deputada federal e ex-líder do governo no Congresso;

Junior Bozzella (SP), deputado federal;

Major Olimpio (SP), senador;

Nelson Barbudo (MT), deputado federal; e

Sargento Gurgel (RJ) deputado federal (cotado para substituir Flávio Bolsonaro no diretório do RJ).

*Com informações dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 114881 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br.