Pesquisador Juarez Duarte Bomfim narra vivencia com Santa Dulce dos Pobres na periferia de Salvador; Todos baianos humildes, da minha geração, têm gratidão àquela Santa e sua bondade, diz

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (Irmã Dulce - Santa Dulce dos Pobres).

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (Salvador, 26 de maio de 1914 — Salvador, 13 de março de 1992), mais conhecida como Irmã Dulce, Beata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo recebido o epíteto de “o anjo bom da Bahia”, foi uma religiosa católica da Bahia, que realizou ações de caridade e assistência para quem mais precisava e fundou as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID).

Em denso artigo com título ‘A graça divina de ter conhecido Santa Dulce dos Pobres, o Anjo Bom da Bahia’, publicado neste sábado (12/10/2019), o colaborador do Jornal Grande Bahia (JGB) e professor aposentado da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) Dr. Juarez Duarte Bomfim narra a experiência de ter conhecido Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (Irmã Dulce, Santa Dulce dos Pobres) na periferia de Salvador.

“Este que vos escreve foi por algumas vezes atendido por médicos e acadêmicos do Hospital Santo Antônio. Esses estudantes que estagiavam ali também desenvolviam a prática de auxílio ao próximo, aos mais necessitados. A saudosa Tia Júlia foi muito bem tratada de suas enfermidades crônicas de chagástica, por sua origem pobre em São Filipe – Bahia, região endêmica daquela terrível doença. Agradecida, Tia Júlia depunha elogiosamente sobre os cuidados recebidos pela gentil equipe do Hospital Santo Antônio. E assim foram muitos. Milhares, quiçá milhões de baianos e brasileiros que receberam a graça e a caridade de Santa Dulce dos Pobres”, diz Juarez Duarte Bomfim.

Trechos do artigo

— As ruas do bairro do Uruguai eram compostas de habitação proletária, constituídas por famílias com numerosos filhos. Subnutrição e alto índice de mortalidade infantil era a regra. As altas taxas demográficas, da época, faziam com que o desemprego do pai de família resultasse na carência alimentar de 8, 9 ou mais filhos.

— Foi neste ambiente de sujeira, miséria e fome que a freirinha de nome Irmã Dulce começou a sua missão de caridade e, tijolo por tijolo, edificou o Hospital Santo Antônio e sua vasta obra social.

— A caridosa freira visitava casa por casa do bairro do Uruguai, atendendo os necessitados. Os casos mais graves de saúde eram encaminhados para o pequeno hospital que ela fundara, com apoio de médicos voluntários e ajuda financeira de comerciantes locais.

— Na Bahia de todas as Santas, Inquices, Vodus e Orixás nasceu Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, ordenada como Irmã Dulce — que logo recebeu o epíteto de Anjo Bom da Bahia.

— Por 2 situações a Santa da Bahia adentrava a nossa casa paterna, e tivemos a suprema honra de, em algumas oportunidades, a caridosa freira sentar no humilde sofá da sala da modesta mansarda.

— Por volta das 14 horas, a freirinha passava lá em casa para buscar Bete na sua Kombi. Nesses momentos, tínhamos a graça de receber o seu darshan – darshan, em sânscrito, significa “visão divina”, quando se recebe a bênção de um ser superior apenas estando na sua presença. Essa visão é tão poderosa que purifica o pecador e queima parcialmente os seus pecados, acelerando o seu processo de evolução cármica.

Leia +

A graça divina de ter conhecido Santa Dulce dos Pobres, o Anjo Bom da Bahia

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Faça uma doação ao JGB

Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).