Deputada Dayane Pimentel, do culto ao bolsonarismo ao menosprezo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro

Deputada Dayane Pimentel, o marido Alberto Pimentel Jr. e Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro. Autofagia e linguagem vulgar marcam debates dos extremistas de direita membros do PSL, pela manutenção do poder.
Deputada Dayane Pimentel, o marido Alberto Pimentel Jr. e Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro. Autofagia e linguagem vulgar marcam debates dos extremistas de direita membros do PSL, pela manutenção do poder.
Deputada Dayane Pimentel, o marido Alberto Pimentel Jr. e Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro. Autofagia e linguagem vulgar marcam debates dos extremistas de direita membros do PSL, pela manutenção do poder.
Deputada Dayane Pimentel, o marido Alberto Pimentel Jr. e Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro. Autofagia e linguagem vulgar marcam debates dos extremistas de direita membros do PSL, pela manutenção do poder.

Presidente do PSL na Bahia, a deputada federal Dayane Pimentel, no curto espaço de tempo de 10 meses do Desgoverno de Bolsonaro se transformou em personalidade detratada pelos filhos do extremista de direita Jair Bolsonaro (PSL-RJ), presidente da República.

No centro da autofagia bolsonarista está a disputa pelo comando da legenda e, com ele, os recursos financeiros partidários e eleitorais destinados pela Justiça Eleitoral, para manutenção da legenda e participação no pleito municipal de 2020.

Sobre Dayane Pimentel, pode-se afirmar que é uma típica bolsonarista, cuja projeção política foi baseada no culto ao ódio, menosprezo a tolerância e tendo a violência de Estado como solução para os conflitos sociais que afetam a população do Brasil.

Em síntese, pelo discurso que adota, ela revela um protagonismo protofascista de caráter estatal. Neste aspecto, ao lado do marido, Alberto Pimentel Jr., secretário municipal do Governo ACM Neto, empunhou armas e postou imagens nas redes sociais. A ação política reafirma perfil de pessoa que adota o discurso da violência como solução social.

O caráter da parlamentar não difere dos demais membros da bancada bolsonarista, cuja linguagem vulgar e inaptidão para gestão pública são elementos que os identifica, de forma quase unânime.

Infere-se que, em uma associação baseada no autoritarismo, apenas pode ter um mandatário que reúne em si mesmo a potência totalitária, sendo seguido pela vassalagem dos intolerantes. A partir do contexto, pode-se afirmar que Jair Bolsonaro é o tutor da plêiade dos intransigentes que se agrupam no PSL.

Reunidos sob uma mesma legenda, era uma questão de tempo até que os totalitários deflagrassem a autofagia. O ponto de mutação, do consenso pelo poder, para o dissenso pela manutenção do poder, foram os mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Guinhol, em 15 de outubro de 2019, por ordem da Justiça Eleitoral, com a finalidade de averiguar possível envolvimento do deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), presidente nacional do partido, em crime eleitoral, decorrente de financiamento ilícito de campanha, com uso de ‘candidatos laranjas’.

Com a investigação da PF, a aparente unidade política dos extremistas de direita ruiu, formando dois grupos, os defensores da família bolsonarista e os que queriam manter a liderança de Luciano Bivar no PSL. Dayane Pimentel perfilou ao lado do presidente da legenda, talvez por temer uma destituição do comando do partido na Bahia. É difícil afirmar qual o real motivo, porque as justificativas apresentadas são sempre pouco críveis.

Ao se colocar contra os Bolsonaros, a reação da família do presidente foi verbalmente violenta e ocorreu principalmente pela rede social Twitter, no sábado (19/10), sendo contestado pela deputada e o marido, conforme observa-se a seguir:

— Eduardo Bolsonaro: Projeto de Brasil com Waldir obstruindo as pautas do governo como a MP 886, trocando deputados militares da comissão da prev. militares, tirando os mais atuantes da CPMI da fake news? Pare de postar em outras páginas ataques ao presidente, poste em seu próprio perfil. Tens medo?

— Dayane Pimentel: Medo de quê, Eduardo? Vc acha que as pessoas não têm opinião? Aqui na minha casa cada um pode pensar de um jeito, o importante é convergir na honestidade.

— Eduardo Bolsonaro: Professora, vi o projeto de família nos áudios vazados. Vocês cada vez mais se afundam sozinhos. Lamentável… Fico imaginando a disposição do povo para acreditar que vale a pena votar em pessoas de fora da política em 2022… Mas vamos lá. Desistir jamais.

— Dayane Pimentel: Quando você nos chamou de “favelados” ninguém vazou áudio, mas ficamos sabendo. Só vale o que vaza? Aponte um único erro em meu mandato, Eduardo. Sou HONESTA, CAPACITADA e PATRIOTA. Não concordar com td NÃO me faz traidora. Sigo firme e farei um ÓTIMO mandato pelo Brasil.

— Alberto Pimentel Junior, no Instagram, completou:  Aí está um pequeno resumo sobre o que realmente está acontecendo. A bancada do PSL estava realmente muito revoltada depois de 10 meses de conspiração do seu próprio governo contra eles e contra a inteligência dos brasileiros. Vale lembrar que essa bancada foi leal ao governo em tudo durante todo esse período, mesmo sendo atacados pelo seu próprio governo durante todo esse tempo. Tem muita coisa acontecendo que a população não sabe e, na reunião do PSL que foi gravada, fica claro que ninguém ali é traíra: estavam extremamente revoltados com a traição do governo Bolsonaro contra eles e contra o Brasil! Tudo será esclarecido nos próximos dias. Eu sempre preguei que a bancada não deveria tapar o sol com a peneira, para preservar um ambiente de estabilidade, aí agora a bomba estourou e eles estão sendo acusados de traidores sem serem! Tem muita água para passar por debaixo da ponte e no fim nada ficará encoberto. Bolsonaro foi eleito com 55% dos votos, hoje ele tem apenas 30% de aprovação: isso é sinal de que pessoas como eu já notaram que tem algo de errado. Enfim, perco tudo, mas não perco a minha honra e nem a minha dignidade!

Por fim, lembrando uma frase pronunciada no plenário da Câmara dos Deputados, em 15 de outubro, por outra extremista de direita, Soraya Manato (PSL-ES), que afirmou que no Congresso Nacional não tinha santo. Então, fica o questionamento: mas, será que precisa ter tão poucas pessoas dotadas de princípios?

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9371 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).