Ministro do STF Gilmar Mendes analisa conjuntura e identifica prática criminal de ex-juiz e procuradores da República membros da força-tarefa do Caso Lava Jato; Ao monetizar a investigação, agiram como corruptos, diz

Ministro do STF Gilmar Mendes concedeu entrevista ao Jornal Folha de S.Paulo e UOL, neste domingo (15/09/2019).
Ministro do STF Gilmar Mendes concedeu entrevista ao Jornal Folha de S.Paulo e UOL.
Ministro do STF Gilmar Mendes concedeu entrevista ao Jornal Folha de S.Paulo e UOL, neste domingo (15/09/2019).
Ministro do STF Gilmar Mendes concedeu entrevista ao Jornal Folha de S.Paulo e UOL.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes é o primeiro convidado de um programa de entrevistas do Jornal Folha de S.Paulo e UOL que estreia neste domingo (15/09/2019).

O programa faz parte da inauguração de um estúdio compartilhado pelas duas Redações em Brasília.

Neste primeiro programa, Gilmar foi entrevistado pelos jornalistas Thais Arbex, repórter da Sucursal da Folha em Brasília, e Tales Faria, chefe da Sucursal do UOL.

Crimes em série

O ministro Gilmar Mendes criticou duramente a cúpula da força-tarefa do Caso Lava Jato, a mídia e a tentativa de senadores de tentarem instalar uma CPI para investigar a conduta de integrantes da corte.

Gilmar Mendes afirmou, também, que o Supremo não pode se curvar à popularidade do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e que integrantes da Lava Jato deveriam assumir que foram “crápulas”,  confessar os crimes praticados e sair de cena.

“Esse fenômeno de violação institucional não teria ocorrido de forma sistêmica não fosse o apoio da mídia. Portanto, são coautores dos malfeitos”, disse.

Para ele, as mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil e outros veículos desnudam um “jogo de promiscuidade” no seio da operação. “Simplesmente dizer: nós erramos, fomos de fato crápulas, cometemos crimes. Queríamos combater o crime, mas cometemos erros crassos, graves, violamos o Estado de Direito.”

“O conúbio [casamento] entre juiz, promotor, delegado, gente de Receita Federal é conúbio espúrio. Isso não se enquadra no nosso modelo de Estado de Direito.”

Síntese de algumas abordagens do ministro Gilmar Mendes

Moro e Deltan Dallagnol – As pessoas percebem que esse promotor não está atuando de maneira devida. Esse juiz não está atuando de maneira devida.(…)isso é errado, que essas pessoas estavam usando as funções para outra coisa. Isso ficou cada vez mais evidente.

A República de Curitiba – Quando se diz que não se pode contrariar a Lava Jato, que não se pode contrariar o espírito da Lava Jato —e muitos de vocês na mídia dão um eco a isso—, nós estamos dizendo que há um poder soberano. Onde? Em Curitiba.(…) Aprendemos, vendo esse submundo, o que eles faziam: delações submetidas a contingência, ironizavam as pessoas, perseguiram os familiares para obter o resultado em relação ao investigado. Vamos imaginar que essa gente estivesse no Executivo. O que eles fariam? Certamente fechariam o Congresso, fechariam o Supremo.

Popularidade de Moro – Se um tribunal passar a considerar esse fator, ele que tem que fechar, porque ele perde o seu grau de legitimidade. (…) Do contrário, a nossa missão falece. Se é para sermos assim legitimados, entregamos, na verdade, a função ao Ibope.

Cumplicidade do STF e da mídia – Benberam tanto que se embriagaram, com poder e com bebida, talvez. Nós fomos co-responsáveis por isso. Eu, numa sessão, já disse que nós fomos cúmplices, mas de alguma forma a mídia coonestou tudo isso. (…) Vamos encerrar o ciclo de falsos heróis. (…) O Dr. Janot tinha 11 repórteres e seu gabinete para vazar (…) O Janot vazava sistematicamente e com isso construiu uma auréola indevida. Ele foi santificado.

Crimes de Moro – Isso tem de ser verificado. Agora, de fato, o conúbio entre juiz, promotor, delegado, gente de Receita Federal é um conúbio espúrio (…)

Delações e prisões – Eu sempre disse que nós tínhamos um encontro com as “prisões alongadas de Curitiba. Agora se provou que eles estavam usando as prisões alongadas de maneira indevida, como elemento de tortura: “vamos deixá-lo preso para que ele de fato fale e fale o que queremos que ele fale e delate quem nós queremos que ele delate”.

*Com informações do Jornal Folha de S.Paulo, UOL, Congresso em Foco e DCM.

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