Mal Invisível de Marcelo Sousa Brito estreia no Teatro Vila Velha

Cartaz anuncia espetáculo 'Mal Invisível'.
Cartaz anuncia espetáculo 'Mal Invisível'.
Cartaz anuncia espetáculo 'Mal Invisível'.
Cartaz anuncia espetáculo ‘Mal Invisível’.

O ator e diretor teatral Marcelo Sousa Brito está a todo vapor, juntamente com a equipe do Coletivo Cruéis Tentadores, na preparação de estreia do espetáculo Mal invisível, marcada para 10 de outubro de 2019, no Teatro Vila Velha.

O projeto faz parte de uma longa pesquisa do encenador iniciada em Paris em 2002, ao conhecer a obra La supplication, da autora bielorrussa Svetlana Alexievitch, Prêmio Nobel de Literatura em 2016 e homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty no mesmo ano, no Rio de Janeiro, que só agora começa a ter seus livros traduzidos no Brasil.

Foi a atualidade dessa obra que fez Brito retornar a este projeto e atualizar o assunto com uma dramaturgia forte, que traz também dados, relatos e informações de canais de notícias, além de passagens do livro “Holocausto brasileiro”, da autora Daniela Arbex, como fonte de pesquisa para a escrita do texto.

Em 2009, Brito passou uma temporada de pesquisa em Berlin, convivendo com ativistas e frequentando lugares destruídos por conflitos ambientais e sociais. Em 2015 ele retorna a Paris, dessa vez para presenciar o silêncio e a invisibilidade de corpos estrangeiros na parte subterrânea do metrô.

Agora, em 2019, a convite do Teatro Vila Velha, o encenador dribla as dificuldades por falta de patrocínio e decide que é o momento de tocar nessa ferida, que está cada vez mais próximo de nós: o mal que o ser humano causa a si mesmo ao se colocar no lugar de prioridade, quando a questão é ser e natureza.

Para isso o diretor reuniu uma equipe de artistas artivistas que está, desde março deste ano, dividindo o espaço de criação juntamente com os moradores da Comunidade do Solar do Unhão. “Ali, é possível ouvir o grito dos invisibilizados pela sociedade, mas também fazer com que a comunidade ouça o clamor de artistas-personagens que querem problematizar nossa estadia na terra e pensar o que será das civilizações futuras. Qual é a nossa real responsabilidade para com o mundo onde vivemos?” – questiona Brito.

Os ensaios são sempre repletos de emoção e questionamentos a cada dia, sobre cada acontecimento noticiado pela imprensa. “O mal invisível cada vez mais próximo, cada vez mais visível, mesmo para quem não quer ver” – completa o diretor, que considera correr um risco necessário para construção dessa obra tão atual. “Não se pode falar do cotidiano, da vida real, sem vivê-la, preso em salas de ensaio. Meu desejo é que o elenco viva na pele as dores e delícias das personagens e para isso é comum ensaiar debaixo de chuva, de sol escaldante, junto com crianças, moradores de rua, moradores do local, desesperados por socorro diante de um desabamento de terra, a mãe aflita aguardando ambulância para socorrer filho afogado, polícia em busca de chefe de tráfico e por aí seguimos a vida e nos alimentando dela até o dia da estreia” – destaca.

Sobre Marcelo _Os trabalhos do diretor e autor Marcelo Sousa Brito, que realiza estágio de pós-doutorado em Artes Cênicas pela Ufba, com dois livros lançados em seu Mestrado (O Teatro Invadindo a Cidade – 2012) e Doutorado (O Teatro que Corre nas Vias – 2017), já percorreram cidades do interior baiano, do Brasil e da Europa, sempre com um traço performático diferenciado em relação ao meio. Sua peça de graduação também, Guilda (2006), ganhou o prêmio Braskem de Teatro na categoria Revelação.

Agora ele se une a artistas experientes como Márcia Andrade (“Em Família), José Carlos Jr (“Compadre de Ogum”), Irema Santos, Nilson Rocha (“A Bofetada”), Paulo Paiva e Saulo Robledo, para sua nova estreia. A ideia vem sendo amadurecida nos últimos anos para debater a responsabilidade humana com o planeta e ganhou força com o convite de Márcio Meirelles para que a estreia acontecesse no Teatro Vila Velha.

Vale ressaltar que a comunidade do Solar do Unhão está apoiando o espetáculo e os interessados terão acesso ao teatro na ocasião da estreia. Outro ponto é que Marcelo volta com uma proposta pessoal forte, em um teatro convencional, depois de mais de uma década sem realizar este perfil de obra em sua carreira.

Agenda

O que: Mal Invisível – Coletivo Cruéis Tentadores, direção Marcelo Sousa Brito

Quando: 10 a 20 de outubro

Onde: Teatro Vila Velha – Passeio Público (Salvador)

Ficha técnica:

Dramaturgia, direção e responsável pelo projeto: Marcelo Sousa Brito

Elenco: Márcia Andrade, Paulo Paiva, Irema Santos, José Carlos Jr., Nilson Rocha, Marcelo Sousa Brito, Saulo Robledo

Cenografia: Haroldo Garay

Figurino: Silverino Oju

Trilha sonora: Daniel Nepomuceno

Iluminação: Marcos Dedê

Assessoria de imprensa: Tatiane Carcanhollo (Relógio do Sol Comunicação e Artes)

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