EUA: Delator de contatos entre presidente Donald Trump e governante da Ucrânia é agente da CIA, dizem fontes

Donald Trump, presidente dos EUA.
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Donald Trump, presidente dos EUA.

Um relatório de um delator divulgado nesta quinta-feira (26/209/2019) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não só abusou do cargo para tentar solicitar interferência da Ucrânia na eleição presidencial de 2020 para benefício político próprio, mas que a Casa Branca também tentou “encobrir” evidências sobre a conduta de Trump.

O Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados, liderado pelo Partido Democrata, divulgou uma versão não confidencial do relatório, que havia gerado uma furiosa controvérsia e feito com que a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, iniciasse na terça-feira uma investigação formal de impeachment contra Trump.

O relatório afirmou que Trump agiu de acordo com seus próprios interesses políticos, arriscando a segurança nacional, e que autoridades da Casa Branca intervieram para transferir evidências para um sistema eletrônico separado.

“Isto é um acobertamento”, disse Pelosi. “O presidente esteve envolvido em um acobertamento o tempo todo.”

Trump nega qualquer ato irregular.

De acordo com uma transcrição de uma ligação telefônica de 25 de julho, central à queixa do delator, Trump pressionou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, a investigar o pré-candidato democrata líder nas pesquisas para 2020, o ex-vice-presidente Joe Biden.

A ação de Trump foi coordenada com o secretário de Justiça dos EUA, William Barr, e com seu advogado pessoal, Rudy Giuliani. Uma transcrição da ligação foi divulgada pelo governo Trump na quarta-feira.

O relatório do delator, citando diversas autoridades norte-americanas, afirmou que autoridades sêniores da Casa Branca intervieram para “encobrir” registros da ligação, especialmente a transcrição oficial palavra por palavra.

“Em vez disso, a transcrição foi carregada em um sistema eletrônico separado, que é usado para armazenar e gerenciar informações confidenciais de uma natureza especialmente sensível”, segundo o relatório.

“Uma autoridade da Casa Branca descreveu este ato como um abuso deste sistema eletrônico porque a ligação não possuía nada remotamente sensível dentro de uma perspectiva de segurança nacional.”

Democratas acusam Trump de pedir a um outro país para manchar a reputação de um rival político interno. A controvérsia envolvendo a Ucrânia corre depois de conclusões da inteligência norte-americana de que a Rússia interferiu na eleição norte-americana de 2016 com uma campanha de hackeamentos e propagandas para impulsionar a candidatura de Trump.

Durante audiência de três horas do Comitê de Inteligência, a autoridade mais alta da inteligência dos EUA, o diretor em exercício da Inteligência Nacional, Joseph Maguire, afirmou que o delator havia agido de boa fé e seguido a lei ao apresentar a queixa, que tinha data de 12 de agosto.

A ligação a Zelenskiy ocorreu após Trump ordenar o congelamento de quase 400 milhões de dólares em ajuda norte-americana à Ucrânia, que o governo só liberou posteriormente. Antes da ligação, o governo da Ucrânia havia recebido informação de que a interação entre Zelenskiy e Trump dependia do fato de o líder ucraniano “entrar no jogo”, segundo o delator.

A identidade do delator, uma pessoa dentro da comunidade da inteligência dos EUA, não foi divulgada publicamente. No relatório, o delator afirmou que “não era uma testemunha direta da maior parte dos eventos descritos” e se baseou em informações de colegas.

Delator de contatos entre Trump e Ucrânia é agente da CIA, dizem fontes

O delator que afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a Ucrânia a investigar o adversário democrata Joe Biden é um agente da CIA e, em certo ponto, foi designado para trabalhar na Casa Branca, confirmaram nesta quinta-feira duas fontes familiares à queixa do delator.

O jornal The New York Times foi o primeiro a identificar o delator como um agente da CIA, fato que a Reuters confirmou de forma independente.

Mark Zaid, um advogado de Washington que representa o delator no centro de um processo de impeachment contra Trump, se negou a confirmar a identidade ou o cargo de seu cliente.

“Publicar detalhes sobre o delator só irá levar à identificação de alguém, seja de nosso cliente ou da pessoa errada, como delator. Isto irá colocar este indivíduo em uma situação muito mais perigosa, não apenas no seu mundo profissional, mas também sua possível segurança pessoal”, disse Zaid à Reuters.

Um porta-voz da CIA encaminhou perguntas ao gabinete do inspetor-geral da Comunidade da Inteligência, que se negou a comentar.

Democratas lançaram nesta semana na Câmara dos Deputados uma investigação formal de impeachment contra Trump, basicamente sustentada na queixa do delator de que Trump pressionou em telefonema o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, a investigar Biden e seu filho Hunter, que possuía interesses comerciais na Ucrânia.

*Com informações de Patricia Zengerle, David Morgan e Doina Chiacu, da Agência Reuters.

Redação do Jornal Grande Bahia
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