Estudo mostra que lama proveniente da tragédia de Mariana atingiu Arquipélago de Abrolhos na Bahia, sete meses após rompimento com barragem da mineradora Samarco

Vista aérea do Arquipélago dos Abrolhos (Parque Nacional de Abrolhos), Sul da Bahia.
Vista aérea do Arquipélago dos Abrolhos (Parque Nacional de Abrolhos), Sul da Bahia.
De responsabilidade da mineradora Samarco, rompimento barragem do Fundão, em Mariana, Minas Gerais, provocou ampla degradação do meio ambiente do Brasil.
De responsabilidade da mineradora Samarco, rompimento barragem do Fundão, em Mariana, Minas Gerais, provocou ampla degradação do meio ambiente do Brasil.

Um estudo científico publicado no dia 29 de agosto de 2019 pela revista técnica ScienceDirect, da editora anglo-holandesa Elsevier, mostrou que a lama da barragem de Mariana, em Minas Gerais – estrutura da mineradora Samarco que se rompeu em 5 de novembro de 2015 -, atingiu os corais do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no sul do litoral da Bahia.

Um sistema remoto de vigilância, que inclui dados sobre ventos, temperatura da superfície do mar e o total do material em suspensão na água, além da coloração, de acordo com os pesquisadores, “indicou que a pluma de rejeitos de ferro atingiu a porção sul do banco Abrolhos em 16 de junho de 2016” – mais de sete meses depois da catástrofe.

A tragédia lançou mais de 50 milhões de metros cúbicos de lama no Rio Doce. Os pesquisadores lembram que os rejeitos de minérios de ferro ainda invadiam o oceano 17 dias depois do rompimento. Afirmam ainda que os impactos do estrago ambiental são desconhecidos.

“Para obter mais evidências da presença de rejeitos dos recifes de coral, amostras de água foram coletadas numa área que abrange o estuário do rio até os recifes no sul do banco Abrolhos”, afirmam os pesquisadores. Eles analisaram “a composição isotópica e microbiana das amostras, bem como a composição dos recifes”. “Apesar de não haver pistas de impacto negativo nas comunidades de corais, a análise isotópica confirmou a presença da pluma na área de recifes.”

O estudo servirá como base para futuras avaliações de impacto em longo prazo nos recifes de coral de Abrolhos. O trabalho é assinado por um total de 15 pesquisadores. No início de 2019, uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) apontou que a lama de rejeitos da barragem tinha chegado ao parque de Abrolhos.

O levantamento detectou a presença de metais na região, como zinco e cobre. O banco compreende uma área de 32 mil quilômetros quadrados de água rasa, com recifes de coral e manguezais, entre a Bahia e o Espírito Santo. Vazamentos no local atingiriam ainda e, em poucas horas, manguezais e recifes, comprometendo a fauna e pesqueiros relevantes da região para pesca artesanal. Na região, está o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, onde ocorrem espécies endêmicas. Aves, tartarugas e baleias também habitam o local.

*Com informações de André Borges, do Broadcast do Jornal Estadão.

Vista aérea do Arquipélago dos Abrolhos (Parque Nacional de Abrolhos), Sul da Bahia.
Vista aérea do Arquipélago dos Abrolhos (Parque Nacional de Abrolhos), Sul da Bahia.
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