BC do Brasil e EUA reduzem taxa de juros

Fachada da sede do Banco Central do Brasil (BCB), em Brasília.
Fachada da sede do Banco Central do Brasil (BCB), em Brasília.
Fachada da sede do Banco Central do Brasil (BCB), em Brasília.
Fachada da sede do Banco Central do Brasil (BCB), em Brasília.

O Banco Central cortou nesta quarta-feira (18/09/2018) a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 5,50% ao ano, dando sequência ao ciclo de afrouxamento monetário em meio à débil recuperação econômica, num processo que deve seguir adiante, segundo sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom).

Em comunicado, o BC deixou de considerar o cenário externo benigno. E, ao detalhar seu balanço de riscos para a inflação, a autoridade monetária não ressaltou mais qual dos fatores tem mais peso em sua análise, após frisar em comunicações prévias que o risco ligado à frustração nas reformas era “preponderante”.

Tudo considerado, o Copom do BC indicou que um novo corte da Selic deve ser feito à frente, ao manter em sua comunicação trecho em que assinala que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”.

Para o economista Thomaz Sarquis, da Eleven Financial Research, o BC mostra inclinação “muito forte” de continuar reduzindo os juros. Mas ele avaliou que a retirada da avaliação do risco ligado às reformas como preponderante pode ter sido precipitada.

“Na nossa visão, esse risco continua bastante preponderante. A gente entende que o mercado e o BC estão subestimando risco fiscal”, disse.

Em nota, a economista Camila Abdelmalack, da CM Research, avaliou que o ciclo de cortes na Selic deve ser de no mínimo 150 pontos-base. Ou seja, com espaço para redução de mais 0,5 ponto Selic até o fim deste ano.

Para ela, as projeções para inflação atualizadas pelo BC corroboram essa leitura. A autoridade monetária agora vê o IPCA a 3,3% em 2019 no cenário de mercado, sobre 3,6% em sua última projeção, feita em julho. Para 2020, a estimativa recuou a 3,6%, contra 3,9% anteriormente.

Nos dois casos, as estimativas ficaram ainda mais longe da meta de inflação, que é de 4,25% este ano e 4,0% no próximo, nos dois casos com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Pano de fundo

Esta foi a segunda diminuição seguida da Selic, levando a taxa à nova mínima histórica. Em pesquisa Reuters com 30 economistas, 28 previam um corte nessa magnitude, enquanto um apostava em manutenção e outro em redução mais tímida, de 0,25 ponto.

A decisão teve como pano de fundo um cenário externo carregado por mais turbulências, enquanto o quadro doméstico seguiu marcado por lenta tração da economia e comportamento favorável da inflação, além de prosseguimento na tramitação da reforma da Previdência no Senado.

Sobre o front externo, o BC afirmou que “a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes”.

Mas ponderou que o cenário segue incerto e que riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem. Nos últimos dias, o mundo assistiu à disparada das cotações de petróleo, após ataques no sábado às unidades da petroleira Aramco na Arábia Saudita.

Na noite desta quarta-feira, após o anúncio da decisão do Copom, a assessoria de imprensa da Petrobras informou que a companhia vai elevar o preço médio do diesel nas refinarias a partir de quinta-feira em 4,2% e o da gasolina em 3,5%.[nL2N269242]O dólar, outro elemento que tem influência nos preços domésticos pelo potencial de encarecimento das importações, tem mostrado comportamento volátil, reagindo às tensões geopolíticas, aos desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China e às perspectivas para os juros básicos norte-americanos. Assim como ocorreu em julho, a decisão do BC coincidiu com a que foi tomada pelo Federal Reserve (banco-central dos EUA) também nesta quarta-feira. O Fed cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez este ano, em decisão amplamente esperada. Quanto à situação interna, o BC informou que seu cenário supõe retomada da economia brasileira em ritmo gradual. Também imprimiu alguma convicção adicional a sua leitura, ao dizer que indicadores recentes sugerem a retomada, e não mais a possibilidade de retomada da atividade.

Com a economia em lento compasso de recuperação, as pressões inflacionárias têm sido limitadas no país. Nos 12 meses até agosto, o IPCA acumulou alta de 3,43%, numa aceleração sobre o acumulado até junho, mas ainda guardando boa folga em relação à meta oficial. Na mais recente pesquisa Focus, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, a estimativa para a Selic até o fim de 2020 foi cortada a 5%, o que indica expectativa de estabilidade da taxa básica de juros ao longo do ano que vem, uma vez que os profissionais já veem o juro básico em 5,00% ao fim de 2019. A próxima reunião do Copom acontece em 30 de outubro.

Banco central dos EUA reduz taxa de juros norte-americana

O Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (18/09/2019) baixar as taxas de juros do país em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 1,75% a 2%.

Este foi o segundo corte de juros que o FED aplicou este ano. Em julho a instituição já havia reduzido a taxa em 0,25 ponto percentual, na primeira redução desde 2008.

Entre as justificativas para a decisão, o FED disse que estão as perspectivas para o desenvolvimento da economia global e também a baixa expectativa de inflação. Em comunicado, o FED disse que a ação apoia a expansão sustentável da atividade econômica.

Após a decisão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a decisão por meio de sua conta no Twitter. Trump, que queria uma redução maior, disse que o presidente do FED, Jerome Powell “fracassou”.

Com informações da Agência Brasil e de Marcela Ayres e Gabriel Ponte, da Agência Reuters.

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