Wilson Witzel é ‘oportunista diante da tragédia’, diz deputada Talíria Petrone após sequestro na Rio-Niterói; Grave psicopatia é revelada por quem comemora a morte de um ser humano

Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, comenta sequestro do ônibus na Ponte Rio-Niterói. Apenas um ser humano com grave psicopatia poderia comemorar a morte de outro ser humano. Fatos ocorreram nesta terça-feira (20/08/2019).
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, comenta sequestro do ônibus na Ponte Rio-Niterói. Apenas um ser humano com grave psicopatia poderia comemorar a morte de outro ser humano.
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, comenta sequestro do ônibus na Ponte Rio-Niterói. Apenas um ser humano com grave psicopatia poderia comemorar a morte de outro ser humano. Fatos ocorreram nesta terça-feira (20/08/2019).
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, comenta sequestro do ônibus na Ponte Rio-Niterói. Apenas um ser humano com grave psicopatia poderia comemorar a morte de outro ser humano.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) estava na ponte Rio-Niterói no momento em que ocorreu um sequestro a um ônibus que paralisou a via e terminou com a morte do sequestrador. Ela falou sobre o incidente que ocorreu nesta terça-feira (20/08/2019).

Petrone, que já foi vereadora em Niterói, estava indo em direção ao aeroporto para voltar à capital Brasília quando o sequestro fechou a via e a impediu de pegar o voo.

“Em um fato excepcional como esse, que é diferente de uma ação cotidiana nas favelas – eu não sei exatamente como foi porque eu estava no local e não consegui acompanhar as reportagens – mas acho que os agentes da segurança pública devem mediar o conflito protegendo o máximo de vidas possíveis”, diz a deputada federal em entrevista.

O sequestro foi transmitido ao vivo pela internet permitindo ver a comemoração das pessoas no local quando o sequestrador foi morto por um atirador de elite. O sequestrador, William Augusto Nascimento, tinha 20 anos e trabalhava como vigilante. Nenhum refém ficou ferido.

“É desesperador ver que pessoas comemoram a morte de alguém, comemoram a barbárie. Estamos todos felizes que nenhum refém saiu ferido, mas há uma morte. Se houve a necessidade ou não, temos que avaliar tecnicamente, mas há uma morte e isso expressa a barbárie que estamos vivendo no Rio de Janeiro. Não há nada a se comemorar com o fato de hoje mais cedo”, diz.

Para ela, é possível que o homem não estivesse em condições psicológicas normais.

“Um homem que pega uma arma de brinquedo e sequestra um ônibus com uma faca é um homem que não está no seu estado psicológico [normal]. É uma questão de adoecimento, isso não tem que ser comemorado, a morte desse homem não tem que ser comemorada”, diz.

A deputada afirma que a avaliação técnica do ocorrido deve ser feita depois para avaliar se a morte do sequestrador foi ou não necessária, mas enfatiza que não concorda com a comemoração de uma morte.

“O que eu acho é que sempre que se perde uma vida, adiante, é um fato que não deve ser comemorado”, aponta.

Talíria Petrone também condenou a postura do governador do estado, Wilson Witzel, que após a morte do sequestrador chegou à ponte Rio-Niterói de helicóptero e desceu da aeronave comemorando com os braços.

“Para mim é a coisa mais lamentável, comemorando como se estivesse em um jogo de futebol. Um sequestro de um ônibus por uma pessoa possivelmente com problemas de saúde mental que deixou 31 pessoas em pânico e que resultou em uma morte. E o governador balança os braços no alto como se tivesse ganho um jogo de futebol. Isso é brincar com a vida dos moradores do Rio de Janeiro”, afirma.

Uso político do caso?

A deputada federal do PSOL teme que o governador utilize o caso do sequestro desta terça-feira (20) para justificar sua política de enfrentamento no estado do Rio de Janeiro. A letalidade policial no estado durante os primeiros seis meses do governador foi a maior em 17 anos.

Para ela, Witzel está sendo oportunista com a forma como agiu diante do ocorrido, chegando de helicóptero no local e concedendo entrevista coletiva ainda na ponte Rio-Niterói. Durante a entrevista, Witzel relacionou a morte do sequestrador com a ação da polícia nas favelas do Rio de Janeiro.

“Eu acho que o governador está comparando o que ele faz nas favelas com o que aconteceu hoje. Acho que são fatos que não são comparáveis a princípio”, explica.

“Isso mostra tanto um oportunismo diante de uma tragédia – é um governador que é oportunista diante de uma tragédia. E também uma comparação impossível de ser feita. Você não compara um sequestro com a situação que hoje é vivenciada por quem mora nas favelas do Rio de Janeiro”, diz.

A deputada acrescenta que essa letalidade policial no estado não ocorre em áreas controladas pelas milícias.

Witzel ganhou manchetes com suas falas polêmicas sobre a ação policial. Em uma delas, descreveu a ação de snipers contra traficantes logo após ser eleito, em 2018, quando afirmou que “A polícia vai mirar na cabecinha e… fogo”.

“É preciso ver como foi a ação policial tecnicamente. Mas a princípio o que eu acho é que dizer que vai fazer na favela o que fez hoje nesse trágico fato, mostra no mínimo, como ponto de partida, um desconhecimento técnico do que é segurança pública. Um sequestro não é a situação que a gente vive no Rio de Janeiro nas favelas”, afirma.

“Infelizmente o que o governador hoje tem implementado no Rio de Janeiro é uma política da morte”, lamenta.

Homem é morto pela polícia após manter 37 reféns por quase 4 horas em ônibus na ponte Rio-Niterói

Um homem foi morto pela Polícia Militar do Rio de Janeiro depois de sequestrar um ônibus executivo com 37 passageiros nesta terça-feira na ponte Rio-Niterói por quase quatro horas, em um episódio que parou o trânsito na principal ligação entre as duas cidades, informou a Polícia Militar.

O sequestrador foi atingido por atiradores de elite que estavam posicionados desde cedo perto do ônibus. Um porta-voz da PM disse que nenhum refém ficou ferido. Alguns reféns foram liberados durante as negociações.

Segundo as autoridades do Rio de Janeiro, o sequestrador foi levado para um hospital após ser baleado, mas chegou com parada cardiorrespiratória e não resistiu.

O comandante do Batalhão de Operações Especial da PM, o Bope, tenente-coronel Maurilio Nunes, não revelou quantos disparos foram feitos pelos atiradores de elite posicionados no local do sequestro.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), disse que uma psicóloga que esteve envolvida nas negociações relatou distúrbios do sequestrador e sinais de desequilíbrio.

“Vamos ouvir familiares, reféns para entender que tipo de motivo levou essa pessoas praticar esse ato… Durante a negociação, ele demonstrou uma perturbação mental e dizia que queria parar o Estado”, disse o governador em coletiva na sede do governo do Rio de Janeiro, poucas horas depois do sequestro.

Ele esteve no local do crime logo após o desfecho e, ao descer do helicóptero, vibrou com o resultado da operação. O governador tem defendido que a polícia dispare contra pessoas que portam fuzis e tem sido criticado —e rebatido as críticas— por organizações de defesa dos direitos humanos.

Em entrevista aos jornalistas ainda no local, Witzel comemorou o resultado da ação, embora tenha reconhecido que não foi o melhor, já que o sequestrador foi morto.

“Primeiro eu quero agradecer a Deus por essa solução que, infelizmente, não era a melhor possível. O ideal é que todos saíssem com vida, mas nós tivemos que tomar a decisão de salvar os reféns. Primeira preocupação nossa é salvar os reféns, rapidamente solucionar o problema. O que nós assistimos foi um trabalho muito técnico da Polícia Militar. A todo tempo eu fiquei monitorando para fazer o meu trabalho como governador”, disse.

“Nós não queremos que ninguém morra, mas alguém que está numa situação como essa, a polícia vai agir com rigor e não vai ter leniência com quem coloca em risco a vida de outras pessoas”, adicionou ele, que disse que se reuniu com os reféns ainda na ponte e, com eles, fez uma oração pelo sequestrador morto.

Mais tarde, na coletiva na sede do governo, Witzel justificou o fato de ter vibrado ao descer do helicóptero logo depois do desfecho do sequestro.

“Não pude me conter, porque estava celebrando as 37 vidas salvas e não a morte de uma pessoa”, afirmou na coletiva no Palácio Guanabara.

O governador aproveitou o caso do sequestro para voltar a defender que os policiais abatam pessoas que portem fuzis em comunidades, após críticas recentes por causa de casos em que inocentes foram mortos em ações policiais em favelas.

“Algumas pessoas às vezes não entendem o trabalho da polícia que, às vezes, tem que ser dessa forma. Se não tivesse abatido este criminoso, muitas vidas não seriam poupadas. Isso está acontecendo nas comunidades, eles estão de fuzil nas comunidades, aterrorizando as comunidades, isso é o que a gente viu”, disse aos jornalistas ainda no local do crime.

“Se a polícia puder fazer o trabalho dela, de abater quem estiver de fuzil, tantas outras vítimas serão poupadas”, acrescentou.

Na sede do governo, Witzel afirmou que pretende ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de reinterpretação do Código Penal sobre portadores de armas de fogo sem autorização. Ele quer que os agentes de segurança tenham autorização para atirar em pessoas nesta situação. Hoje, de acordo com o governador, os agentes só podem atuar em reação a uma ação dos criminosos.

“Muitas vidas serão poupadas se chegarmos a esse conclusão. Hoje ainda há doutrinadores no direito penal que entendem que só pode ser abatido quem estiver apontando fuzil para a polícia e atirando”, declarou ele.

“Entendo que a injusta agressão ocorre no momento que você está apontando o fuzil e aí está colocando a sociedade em risco. Ele tem que ser abatido e isso não é pena de morte… não podemos esperar o bandido usar o fuzil. Devemos ingressar como um medida judicial junto ao Supremo para extrairmos esse entendimento, independentemente de mudança na legislação. Tem que ter uma posição jurisdicional”, complementou o governador.

Sequestrador de ônibus no Rio morreu com 6 perfurações, indica perícia

O jovem Willian Augusto da Silva, de 20 anos, que sequestrou um ônibus na Ponte Rio-Niterói, na manhã desta terça-feira (20), morreu com seis perfurações, indica uma primeira análise da perícia. A informação foi revelada pelo portal G1. Segundo o relatório, os disparos atingiram o antebraço direito, a perna esquerda, o braço esquerdo e o tórax – duas vezes – do criminoso. De acordo com os peritos, no entanto, ainda não é possível afirmar quantos tiros acertaram o rapaz, porque um mesmo disparo pode ter causado mais de um ferimento.

“Tivemos que usar atiradores de elite para neutralizar um homem que ameaçada dezenas de vidas. Eu estive no local, subi no ônibus e vi que havia um cheiro forte de gasolina. Ele pendurou no teto do ônibus garrafas PET cortadas com gasolina e tinha um isqueiro na mão quando foi abatido. Durante a negociação ele demonstrou uma perturbação mental e disse que queria parar o estado. Vamos ouvir os reféns e familiares para entender o que levou ele a praticar este ato.” Por motivo de sigilo no inquérito, não foi revelado quantos atiradores participaram da ação nem quantos tiros foram disparados.

O sequestrador foi levado para o Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, mas não há informações se ele chegou com vida ou já morto à unidade de saúde. A Polícia Civil assumiu a ocorrência e a Delegacia de Homicídios da capital será a responsável por conduzir o inquérito, que está em sigilo.

William não tinha antecedentes criminais e parentes relataram que ele estava em surto psicótico há três dias. A arma encontrada com ele era um simulacro, ou seja, de brinquedo.

Ônibus 174

Em Brasília, ao deixar o Palácio da Alvorada enquanto o sequestro ainda estava em andamento, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o uso de atiradores de elite em casos como o do sequestro na ponte Rio-Niterói.

Ele lembrou o caso do sequestro do ônibus 174, em 2000, também no Rio de Janeiro, quando uma vítima foi morta no momento em que a PM tentou disparar contra o sequestrador, que foi posteriormente morto sob custódia da polícia.

“Não foi usado o sniper. O que aconteceu? Morreu uma professora inocente, e depois esse vagabundo morreu no camburão. Os policiais no camburão foram submetidos a júri popular. Foram absolvidos por 4 a 3. Quase você bota alguns policiais, condena a 12, 30 anos de cadeia, por causa de um marginal como aquele do sequestro do 174. Não tem que ter pena”, disse Bolsonaro.

O sequestro desta terça começou pouco antes das 6h, e o sequestrador portava um líquido inflamável, um revólver, uma faca e uma arma de choque elétrico, segundo informou inicialmente a Polícia Rodoviária Federal. Mais tarde, as autoridades revelaram que a arma era falsa e que o criminoso espalhou pelo ônibus garrafas pet com líquido inflamável e segurava um isqueiro na mão.

O episódio mobilizou negociadores da tropa de elite da PM, agentes da Polícia Rodoviária Federal, homens da defesa civil e dos Bombeiros e da concessionária da ponte Rio-Niterói.

*Com informações de Solon Neto, da Agência Sputnik Brasil; Rodrigo Viga Gaier, da Agência Reuters, da Agência ANSA e do G1.

Redação do Jornal Grande Bahia
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