Procurador da República Deltan Dallagnol armou ataque da força-tarefa da Lava Jato contra ministros do STF Dias Toffoli e do STJ Humberto Martins

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Membros da força-tarefa da Lava Jato corromperam instituições do país e devem ser julgados por crimes contra a ordem Democrática e o Estado e Direito. Ministro Dias Toffoli foi uma das vítimas.
Membros da força-tarefa da Lava Jato corromperam instituições do país e devem ser julgados por crimes contra a ordem Democrática e o Estado e Direito. Ministro Dias Toffoli foi uma das vítimas.
Membros da força-tarefa da Lava Jato corromperam instituições do país e devem ser julgados por crimes contra a ordem Democrática e o Estado e Direito. Ministro Dias Toffoli foi uma das vítimas.
Membros da força-tarefa da Lava Jato corromperam instituições do país e devem ser julgados por crimes contra a ordem Democrática e o Estado e Direito. Ministro Dias Toffoli foi uma das vítimas.

Nova reportagem publicada nesta quinta-feira (01/08/2019) pelo jornal Folha de S. Paulo, a partir de informações recebidas pelo portal The Intercept Brasil, revelam que o procurador e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, incentivou colegas em Brasília e Curitiba a investigar o ministro do Supremo Tribunal Fedeal (STF) Dias Toffoli “sigilosamente” em 2016. Naquele momento, o atual presidente da Corte era visto como um adversário que poderia atrapalhar a operação.

Segundo a reportagem, Deltan buscou informações sobre as finanças pessoais de Toffoli e sua mulher, tentando encontrar evidências que os ligassem a empreiteiras envolvidas nas denúncias de corrupção na Petrobras.

Ministros do STF não podem ser investigados por procuradores da primeira instância, como Deltan e os demais integrantes da força-tarefa. A Constituição diz que eles só podem ser investigados com autorização do próprio tribunal, onde quem atua em nome do Ministério Público Federal é o procurador-geral da República.

As mensagens examinadas pela Folha e pelo Intercept mostram que Deltan desprezou esses limites ao estimular uma ofensiva contra Toffoli e sugerem que ele também recorreu à Receita Federal para levantar informações sobre o escritório de advocacia da mulher do ministro, Roberta Rangel.

O chefe da força-tarefa começou a manifestar interesse por Toffoli em julho de 2016, quando a empreiteira OAS negociava um acordo para colaborar com as investigações da Lava Jato em troca de benefícios penais para seus executivos. Duas decisões de Toffoli no STF tinham contrariado interesses da força-tarefa nos meses anteriores. Ele votara para manter longe de Curitiba as investigações sobre corrupção na Eletronuclear e soltara o ex-ministro petista Paulo Bernardo, poucos dias após sua prisão pelo braço da Lava Jato em São Paulo.

Os procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima e Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa de Curitiba, chegaram a criticar Toffoli num artigo publicado pela Folha no início de julho, em que compararam a soltura de Bernardo a um duplo twist carpado, por causa da “ginástica jurídica” usada para justificar a decisão.

Em suas primeiras reuniões com os procuradores da Lava Jato em 2016, os advogados da OAS contaram que a empreiteira havia participado de uma reforma na casa de Toffoli em Brasília. Os serviços tinham sido executados por outra empresa indicada pela construtora ao ministro, e ele fora o responsável pelo pagamento. O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que disse ter tratado do assunto com Toffoli e era réu em vários processos da Lava Jato, afirmou a seus advogados que não havia nada de errado na reforma, mas mesmo assim o caso despertou a curiosidade dos procuradores.

No dia 13 de julho, Deltan fez uma consulta aos procuradores que negociavam com a empresa. Os diálogos são reproduzidos como no original, sem alterações e incluindo abreviaturas e eventuais erros de ortografia ou digitação.

“Caros, a OAS touxe a questão do apto do Toffoli?”, perguntou o produrador, num grupo privado no Telegram. “Que eu saiba não”, respondeu o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília. “Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela.”

Duas semanas depois, em 27 de julho, Deltan procurou Eduardo Pelella, chefe de gabinete do então procurador-geral, Rodrigo Janot, para repassar informações que apontavam Toffoli como sócio de um primo num hotel no interior do Paraná. Deltan não indicou a fonte da dica.

No dia seguinte, o chefe da força-tarefa insistiu com o assessor de Janot. “Queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs”, escreveu. “Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes.”

Deltan continuava interessado no caso do ministro do Supremo. “Vc conseguiria por favor descobrir o endereço do apto do Toffoli que foi reformado?”, perguntou. “Foi casa”, respondeu Pelella. Ele evitou esticar a conversa na hora, mas informou o endereço a Deltan dias depois.

As mensagens obtidas pelo Intercept não permitem esclarecer se alguma investigação formal sobre o ministro do STF foi aberta, mas mostram que Deltan continuou insistindo no assunto mesmo depois que um vazamento obrigou os procuradores a recuar.

Dallagnol mandou informações a Temer para barrar ministro do STJ na vaga de Teori Zavascki

Os tentáculos de Deltan Dallagnol com a notoriedade obtida pela Lava Jato fez com que o procurador de Curitiba (PR) buscasse influenciar inclusive na escolha do nome que substituiria Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro de 2017. Inscreva-se no nosso Canal do YouTube, ative o sininho e passe a assistir ao nosso conteúdo exclusivo Segundo diálogos divulgados nesta quinta-feira (1º) pela Folha de S.Paulo e The Intercept, Dallagnol teria enviado a Eduardo Pelella, assessor do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, informações para serem entregues ao então presidente, Michel Temer, para barrar a indicação de Humberto Martins, do Superior…

Os tentáculos de Deltan Dallagnol com a notoriedade obtida pela Lava Jato fez com que o procurador de Curitiba (PR) buscasse influenciar inclusive na escolha do nome que substituiria Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro de 2017.

Segundo diálogos divulgados nesta quinta-feira (1º) pela Folha de S.Paulo e The Intercept, Dallagnol teria enviado a Eduardo Pelella, assessor do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, informações para serem entregues ao então presidente, Michel Temer, para barrar a indicação de Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para a vaga de Teori.

“É importante o PGR levar ao Temer a questão do Humberto Martins, que é mencinoado na OAS como recebendo propina (SIC)”, disse Deltan ao colega. “Deixa com ‘nós’”, respondeu Pelella.

Filho

Segundo reportagem, os documentos mostravam que Martins era um dos alvos da delação de Léo Pinheiro, da OAS.

Como o acordo com a empreiteira não fora assinado nem homologado pela Justiça, as informações fornecidas por Léo Pinheiro durante as negociações não podiam ser usadas pelos investigadores. Mesmo assim, Dallagnol insistiu com Pelella.

“Não tá nos anexos, mas iriam entregar. Só não lembramos se era corrupção ou filho… vou ver se alguém lembra e qq coisa aviso, mas já cabe a ponderação pq seria incompativel”, afirmou.

Segundo Léo Pinheiro, a OAS pagou R$ 1 milhão a um filho do ministro em 2013 para obter uma decisão favorável no STJ.

Em janeiro deste ano, Martins disse à Folha que nunca atendeu pedidos da OAS e sempre se declarou impedido de julgar ações em que o filho atue.

*Com informações do The Intercept Brasil, Jornal Folha de S.Paulo e Revista Fórum.

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 113710 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]