Operação Carbonara Chimica: PF deflagra 63º fase do Caso Lava Jato com ordem judicial de de cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo e na Bahia

Operação Carbonara Chimica: PF deflagra 63º fase do Caso Lava Jato e investiga propina da Odebrecht a ex-ministros da Fazenda dos Governo do PT.
Operação Carbonara Chimica: PF deflagra 63º fase do Caso Lava Jato e investiga propina da Odebrecht a ex-ministros da Fazenda dos Governo do PT.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (21/08/2019), a 63ª fase da Operação Lava Jato, chamada Carbonara Chimica, para investigar a suspeita de pagamentos periódicos indevidos a dois ex-Ministros de Estado por parte da Odebrecht. A ação apura crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais.

Agentes cumprem dois mandados de prisão temporária contra Maurício Ferro, ex-vice-presidente jurídico do grupo e cunhado de Marcelo Odebrecht, e Nilton Serson, advogado. Bernardo Gradin, ex-presidente da Braskem, é alvo de buscas.

A Polícia Federal informou que Maurício Ferro já foi preso.

Cerca de 40 Policiais Federais participam da ação e cumprem ainda 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo e na Bahia. As ordens foram expedidas pela 13ª. Vara Federal de Curitiba, no Paraná.

A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de R$ 555 milhões dos investigados.

A Polícia Federal indicou que o nome da operação remete aos codinomes dos investigados na planinha da Odebrecht – ‘Italiano’ e ‘Pós-Itália’. O primeiro se referia a Antonio Palocci e o segundo a Guido Mantega, ex-ministros dos governos Lula e Dilma.

Palocci fechou acordo de delação premiada com a Polícia Federal na Operação Lava Jato. Ele foi preso em setembro de 2016, na Operação Omertà, e condenado pelo então juiz Sérgio Moro a 12 anos e dois meses de reclusão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, o pagamento da propina tinha como objetivo, entre outras coisas, a aprovação das MPs 470/2009 e 472/2009, que instituiriam um novo refinanciamento de dívidas fiscais e permitiriam a utilização de prejuízos fiscais das empresas como forma de pagamento (Refis da Crise).

Na ação penal nº 5033771-51.2018.4.04.7000, apurou-se que Antônio Palocci e Guido Matega agiram ilicitamente para favorecer os interesses da Braskem, sendo que Guido Mantega solicitou a Marcelo Odebrecht o pagamento de propina no valor de R$ 50 milhões como contrapartida para a edição das MPs 470 e 472.

O pedido foi aceito por Marcelo Odebrecht e pago pela Braskem, por meio do Setor de Operações Estruturadas, contabilizando-se o valor de propina em uma planilha denominada ‘Programa Especial Italiano’.

De acordo com a PF, há indícios de que parte dos valores indevidos teria sido entregue a um casal de publicitários como forma de dissimulação da origem do dinheiro.

Os presos serão levados para a sede da PF em São Paulo, e posteriormente transferidos para a Superintendência do Paraná, onde serão interrogados, indicou a corporação.

PF encontra senhas que podem abrir pasta secreta de propinas da Odebrecht

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira, a Polícia Federal encontrou na casa do ex-diretor jurídico da Braskem, Mauricio Ferro , genro de Emílio Odebrecht, quatro chaves de criptografia que podem abrir duas pastas secretas do Drousys. Trata-se do sistema de controle de pagamentos de propina do setor de Operações Estruturadas, o”departamento de propina” da empreiteira. Ferro foi apontado por delatores da Odebrecht como o responsável por “dar um jeito” nas chaves.

O diretor jurídico foi preso na manhã desta quarta-feira em São Paulo durante a deflagração da 63ª fase da Operação Lava-Jato , batizada de Carbonara Chimica, referência aos pagamentos que teriam sido feitos a Antonio Palocci e Guido Mantega, ex-ministros conhecidos nas planilhas da empresa como “Italiano” e “Pós-Itália”. Outro alvo da operação desta quarta-feira, o advogado Nilton Serson, não foi preso porque está fora do país.

Mauricio Ferro foi um dos executivos da Odebrecht que não entrou no rol de colaboradores durante as negociações da delação premiada firmada entre a empresa e o Ministério Público Federal.

Segundo o delegado Thiago Giavarotti, os investigadores não conseguem acessar duas pastas dos sistemas, que exigem uma chave de acesso. As pastas fazem referência exatamente ao pagamento de vantagens indevidas mais recentes.

— Em colaboração premiada, alguns dos executivos disseram que (Mauricio Ferro) seria o responsável de dar um jeito nessas chaves. E elas foram encontradas em poder dele 1 disse o advogado, que explicou: — Há possibilidade de que em algumas dessas chaves de criptografia encontraremos a senha de acesso a duas pastas do Drousys em que não conseguimos acesso, a despeito da colaborações.

De acordo com Giavarotti, as chaves são ainda mais importantes exatamente porque o genro de Emílio Odebrecht foi um dos poucos executivos que não fez delação premiada, o que motivou a raiva inclusive de Marcelo Odebrecht.

Segundo o procurador Antonio Carlos Welter, o Ministério Público Federal, ao firmar o acordo, sempre espera a espontaneidade dos alvos da operação. Na ocasião, disse ele, foi aberta a possibilidade para que todos os executivos da Odebrecht revelassem as irregularidades que teriam cometido.

— O senhor Mauricio Ferro, que ocupava um cargo de direção na empresa, entendeu que não cometeu nenhum ilícito — disse.

Dinheiro na Suíça

A operação de hoje foi deflagrada após a Lava-Jato receber informações das autoridades suíças sobre uma conta que Mauricio Ferro mantinha na Suíça em nome de uma empresa offshore de sua titularidade.

Durante as negociações com Antonio Palocci e Guido Mantega para aprovação de duas medidas provisórias que os investigadores suspeitam que beneficiaria a Odebrecht, Mauricio Ferro teria enviado parte dos valores para o exterior por meio de um escritório de advocacia que firmou um contrato com a Braskem mas, segundo a própria empresa hoje admite, sem ter indícios de prestação de serviço.

— O que ficou muito nítido é que o grupo investigado, numa diversificação dos seus investimentos, resolveu investir no ramo de legislação. Fez um investimento milionário em medidas provisórias para ter um retorno bilionário — afirmou Giavarotti.

Durante a entrevista coletiva, os procuradores Antonio Carlos Welter e Laura Tessler foram questionados também sobre as mensagens vazadas após o hackeamento dos celulares do procurador Deltan Dallagnol mas não quiseram comentar.

*Com informações do Jornal Folha de S.Paulo e de Dimitrius Dantas, do Jornal O Globo.

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