ONU faz apelo por melhor uso das terras em prol do clima

Produção agrícola de cacau
Uso intensivo da natureza está acelerando o desequilíbrio ecológico do planeta.
Produção agrícola de cacau
Uso intensivo da natureza está acelerando o desequilíbrio ecológico do planeta.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) pediu, em um relatório publicado em Genebra nesta quinta-feira (08/08/2019), ações a curto prazo contra a degradação das terras, o desperdício de alimentos ou as emissões de gases que provocam o efeito estufa pelo setor agrícola.

As delegações dos 195 países membros do IPCC examinaram durante cinco dias o relatório, que tem como título “As mudanças climáticas, a desertificação, a degradação dos solos, a gestão sustentável das terras, a segurança alimentar e os fluxos de gases do efeito estufa”.

O texto examina como as mudanças climáticas afetam as terras utilizadas para o cultivo, para o gado ou para as florestas, assim como questões de segurança alimentar, as práticas agrícolas e a maneira como o desmatamento modifica o clima. As 1.200 páginas foram detalhadas em uma entrevista coletiva em Genebra.

A conclusão principal é que “nosso uso das terras […] não é sustentável e contribui para as mudanças climáticas”, afirmou a copresidente do IPCC, Valérie Masson-Delmotte, antes de apontar que o relatório “ressalta a importância de atuar de modo imediato”. “As terras estão sob pressão crescente das atividades humanas e das mudanças climáticas”, afirmou a climatologista francesa em uma entrevista por telefone.

O documento afirma que não resta mais tempo, pois o aquecimento das terras emersas alcançou 1,53°C, o dobro do aumento global da temperatura, incluindo os oceanos. “A partir de 2°C de aquecimento global poderíamos enfrentar crises alimentares de origem climática mais severas e mais numerosas”, advertiu um dos autores, Jean-François Soussana.

A margem de manobra é muito pequena se os países desejam limitar as mudanças climáticas e seus efeitos sobre as terras e, ao mesmo tempo, alimentar corretamente uma população mundial que, no fim do século, pode superar 11 bilhões de pessoas. “Temos que mudar substancialmente a maneira como utilizamos nossas terras”, declarou Piers Forster, professor de mudanças climáticas na Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Mudar os hábitos de alimentação

O IPCC elaborou diversas hipóteses para alcançar a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C ou a menos de 2°C em comparação ao período pré-industrial. As hipóteses incluem a mudança do uso das terras, o reflorestamento e as bionenergias, entre outras medidas.

O documento adverte, no entanto, que a reconversão do uso das terras (reflorestamento para capturar CO2, campos dedicados às bioenergias) poderia ter “efeitos colaterais indesejáveis”, como a desertificação ou a degradação do solo. Escolher bem o que fazemos com a terra “é fundamental para enfrentar a crise climática”, destacou Stephen Cornelius, da organização WWF, que atuou como observador durante as negociações.

Para o IPCC, além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, também é necessário mudar os hábitos de consumo. “Atualmente entre 25% e 30% da produção total de comida é desperdiçada”, afirma o relatório, ao mesmo tempo que 820 milhões de pessoas no mundo passam fome.

Se nas regiões pobres as proteínas animais são insuficientes em alguns momentos, nos países ricos são consumidas em excesso e existem dois bilhões de adultos com sobrepeso ou obesos. “Por este motivo temos que eliminar o desperdício de alimentos e reduzir o consumo de carne”, afirma a ONG Climate Action Network.

O relatório do IPCC publicado nesta quinta-feira é o segundo de uma série de três “informes especiais”. O primeiro, divulgado no ano passado, abordou a questão da possibilidade de conter o aquecimento global a 1,5°C. O terceiro e último, previsto para setembro, examinará os oceanos e as geleiras.

*Com informações da RFI.

Redação do Jornal Grande Bahia
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