Música dos Povos Originários do Brasil é apresentada no Teatro do SESC de Feira de Santana; Experiência cultural-antropológica é inigualável

Cartaz do espetáculo Dzubucuá, do povo Kariri-Xocó de Alagoas e Memória Fulni-Ô, do povo Fulni-Ô de Pernambuco.
Cartaz do espetáculo Dzubucuá, do povo Kariri-Xocó de Alagoas e Memória Fulni-Ô, do povo Fulni-Ô de Pernambuco.
Cartaz do espetáculo Dzubucuá, do povo Kariri-Xocó de Alagoas e Memória Fulni-Ô, do povo Fulni-Ô de Pernambuco.
Cartaz do espetáculo Dzubucuá, do povo Kariri-Xocó de Alagoas e Memória Fulni-Ô, do povo Fulni-Ô de Pernambuco.

Após o sucesso da primeira etapa com o grupo Wiyale no mês de julho de 2019, o projeto Sonora Brasil aporta mais uma vez no Centro Cultural e Restaurante Sesc Feira de Santana, desta vez trazendo os grupos Dzubucuá, do povo Kariri-Xocó de Alagoas que apresenta o toré, ritual indígena mágico-espiritual envolvendo performance corporal e música e, o grupo Memória Fulni-ô, do povo Fulni-ô de Pernambuco , que, além do toré, traz a cafurna, que são manifestações de sentido múltiplo, pois se referem à dança, à música, aos modos de cantar, à profecia, ao estilo e tradição e à estética.

Os grupos integram a segunda etapa do circuito “A Música dos Povos Originários do Brasil”, primeiro tema do biênio 2019-2020 na Bahia apresentando a riqueza e diversidade da música dos povos indígenas brasileiros. O Sonora Brasil é o maior projeto de circulação em música do país, realizado pelo Sesc há mais de vinte anos

Projeto Sonora Brasil

A ‘Música dos Povos Originários do Brasil’ foi escolhida como tema da 22ª edição do Sonora Brasil, o maior projeto de circulação musical do Brasil e realizado pelo Sesc há 20 anos. Os torés expressam a espiritualidade de cada tribo com movimentos e música.

Os Kariri-Xocó utilizam os buzos (espécie de flauta), maracás de mão e de tornozelos. No repertório estão também os rojões, que já fazem parte da tradição musical deste povo e são um reflexo do trabalho nas fazendas e da dinâmica de trocas culturais ocorridas na região. As letras cantadas em português possibilitam conhecer um pouco da história do povo, falando do cotidiano dos indígenas nas colheitas ou nos dias atuais, ou trazendo sincretismos religiosos e remetendo ao tempo da colonização quando eram obrigados a praticar suas tradições secretamente.

A segunda apresentação é do Grupo Memória Fulni-Ô, de Pernambuco, que trazem as músicas tradicionais: toré e a cafurna. O primeiro segue um cântico coletivo sem letra e com instrumentos de sopro e percussão e simboliza a união da tribo. As cafurnas, em yaathe unakesa, são manifestações de sentido múltiplo, pois se referem à dança, à música, aos modos de cantar, à profecia, ao estilo e tradição e à estética. São cantadas e acompanhadas de maracás de mão e de tornozelo e retratam a realidade e o contexto indígena, tratando de temas que abrangem aspectos como preservação da natureza, reverência aos animais da região e identidade indígena.

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Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9383 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).