Documentário ‘A Inventora: à procura de sangue no Vale do Silício’ apresenta narrativa jornalística sobre um dos maiores esquemas de fraude no financiamento de novas tecnologias dos EUA

Cartaz do filme-documentário'A Inventora: à procura de sangue no Vale do Silício'.
Cartaz do filme-documentário'A Inventora: à procura de sangue no Vale do Silício'.
Cartaz do filme-documentário'A Inventora: à procura de sangue no Vale do Silício'.
Cartaz do filme-documentário’A Inventora: à procura de sangue no Vale do Silício’.

O filme-documentário ‘A Inventora: à procura de sangue no Vale do Silício’ (The Inventor: out for blood in Silicon Valley), com roteiro e direção Alex Gibney, lançado em 18 de março de 2019 está disponível no Brasil pelo Canal HBO.

O documentário utiliza narrativa jornalística sobre a trajetória de Elizabeth Holmes, uma jovem estudante da Universidade de Stanford, nascida em 3 de fevereiro de 1984, na cidade de Washington, capital dos Estados Unidos da América (EUA), que adota figurino e comportamento imitando Steve Jobs (1955-2011), com a finalidade de vender a ideia de uma máquina revolucionária denominada ‘Edison’, cujo design compacto seria capaz de realizar centenas de exames clínicos complexos, utilizando apenas algumas gotas de sangue e alta tecnologia aplicada em diagnóstico laboratorial por automação.

Com a ideia e o marketing pessoal correto, usando diferentes tipos de abordagens, Elizabeth Holmes associou-se a poderosas personalidades dos EUA, a exemplo de Ramesh Balwani, arrecadou bilhões de dólares e fundou, em 2003, a empresa Theranos, em Palo Alto, no Vale do Silício, no Estado da Califórnia, EUA.

Sem entregar o que prometia aos investidores, mas usando o conceito de sigilo tecnológico, a executiva manteve por cerca de uma década as suspeitas distantes do centro do fraudulento negócio que liderava.

Até que, em 2012, Richard Fuisz e em 2014, Tyler Schultz colaboraram com o jornalista John Carreyrou, do The Wall Street Journal, informando como as fraudes ocorriam no interior da Theranos.

As reportagens revelaram que a máquina ‘Edison’ jamais tinha passado de uma ideia, cuja funcionalidade não foi materializada.

As denúncias iniciais não foram suficientes para evitar que, no verão de 2014, Elizabeth Holmes e Ramesh Balwani levantassem mais de US $ 400 milhões com investidores. O que permitiu que a Theranos fosse avaliada em US$ 9 bilhões.

Em 2015, mesmo após as denúncias ocorridas entre 2012 e 2014, a revista Time declarou Elizabeth Holmes uma das cem pessoas mais influentes do mundo.

Em 2016, com a pressão dos investidores por resultados e denúncias de falhas nos procedimentos de análises clínicas adotados pela Theranos, uma intensa investigação federal promovida pelo Departamento de Justiça e a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA identificou como as fraudes ocorriam.

Elizabeth Holmes e Ramesh Balwani foram afastados do controle da Theranos. A empresa, que antes foi avaliada por R$ 9 bilhões pela Forbes, foi declarada nada valer pela mesma revista.

Em junho de 2018, o procurador-geral dos EUA formalizou nove acusações, inclusive por colocar em risco a vida dos pacientes que usaram os serviços da Theranos.

Holmes e Balwani se declararam inocentes das acusações, apesar da executiva ter admitido, em 2017, que a declaração anterior sobre a Theranos, que oferecia mais de 200 exames de sangue, estava incorreta. Ela admitiu, também, “cometer erros com dispositivos de teste” e não saber exatamente quantos testes de sucesso o ‘Edison’ poderia realizar.

O julgamento de Elizabeth Holmes e Ramesh Balwani foi marcado para 4 de agosto de 2020. Eles podem ser condenados a 20 anos de prisão e US$ 250 milhões em multa por fraude e conspiração.

Elizabeth Holmes foi capa de destacadas revistas estadunidenses.
Elizabeth Holmes foi capa de destacadas revistas estadunidenses.
Reportagem do The Stanford Daily aborda julgamento de Elizabeth Holmes por fraude na Theranos.
Reportagem do The Stanford Daily aborda julgamento de Elizabeth Holmes por fraude na Theranos.

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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).