Ursula von der Leyen, de ministra em Berlim a líder em Bruxelas

Ursula von der Leyen, de ministra em Berlim a líder em Bruxelas.
Ursula von der Leyen, de ministra em Berlim a líder em Bruxelas.
Ursula von der Leyen, de ministra em Berlim a líder em Bruxelas.
Ursula von der Leyen, de ministra em Berlim a líder em Bruxelas.

Titular da Defesa alemã é vista como uma política versátil de carreira quase impecável, não fosse por escândalos recentes. Antes cotada para suceder Merkel, pode ser agora a primeira mulher a presidir Comissão Europeia.

Ursula von der Leyen nasceu em 1958 num subúrbio de Bruxelas e, pouco mais de 60 anos depois, seu percurso político pode levá-la de volta à capital belga. Na terça-feira (02/07), os chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE) convocaram a ministra da Defesa da Alemanha e a indicaram para a presidência da Comissão Europeia, hoje ocupada por Jean-Claude Juncker.

Se aprovada pelo Parlamento Europeu, ela será a primeira mulher a assumir o cargo. O Legislativo da UE só vai deliberar sobre a sucessão de Juncker na semana de 15 de julho, em Estrasburgo. Especialmente os social-democratas e os verdes lançaram fortes críticas à indicação de Von der Leyen, tachando-a de “inaceitável” e “profundamente decepcionante”. Sua ratificação no cargo, portanto, não é apenas uma formalidade.

Von der Leyen passou seus primeiros 13 anos de vida em Bruxelas. Seu pai, Ernst Albrecht, ocupava na época uma posição de liderança junto à Comunidade Econômica Europeia (CEE) e à Comunidade Europeia (CE), instituições precursoras da UE. Também por isso ela fala fluentemente inglês e francês e sempre circulou no cenário internacional.

Nos governos da chanceler federal Angela Merkel, Von der Leyen ocupou vários cargos ministeriais. Ela sempre encarou novas tarefas com o mesmo ímpeto, questionou as estruturas existentes, impulsionou reformulações e ocasionalmente provocou com sua perseverança leves desconfortos dentro das coalizões de governo.

Família, Trabalho e Defesa

Formada em medicina e mãe de sete filhos, Von der Leyen entrou na política nacional alemã em 2005, quando foi eleita para o conselho da União Democrata Cristã (CDU) e nomeada ministra da Família no primeiro governo de Merkel. Em 2009, na segunda legislatura da chanceler federal, Von der Leyen assumiu a pasta do Trabalho e Assuntos Sociais. Quatro anos depois, em dezembro de 2013, tornou-se titular do Ministério da Defesa, cargo que manteve após as eleições federais de 2017. Ela foi a primeira mulher no posto desde a criação da pasta, nos anos 1950.

A carreira política de Von der Leyen transcorreu em grande parte de forma impecável. Manteve-se leal a Merkel, a quem sempre ofereceu seu apoio, seja no gabinete ou dentro do partido. Alguns a viam como sucessora natural da chanceler federal.

Como ministra da Defesa, Von der Leyen encarou prontamente diversos problemas na Bundeswehr (Forças Armadas alemãs): as tropas sofriam e sofrem com equipamentos obsoletos e defeituosos, projetos armamentícios mal planejados e uma séria escassez de especialistas. Ela exerceu forte pressão – inclusive midiático – pelo aumento do orçamento da Defesa. Resultado: a Bundeswehr voltou a crescer pela primeira vez desde a reunificação da Alemanha.

Von der Leyen fez com que as políticas de Defesa fossem reconhecidas como um elemento da política externa alemã. Isso se deve também à participação da Alemanha no combate internacional contra a organização extremista “Estado Islâmico” (EI), no qual a Bundeswehr esteve envolvida em diversas áreas.

“A situação da segurança mudou tanto que muitas tarefas foram atribuídas à Bundeswehr, como Síria, Iraque, Mali, toda a missão no Mar Mediterrâneo, além da ajuda aos refugiados a da proteção da fronteira oriental [da Europa]”, disse a ministra em maio de 2017.

Erros e escândalos

Nos últimos anos, porém, a reputação de Von der Leyen sofreu arranhões – em parte por decisões pessoais, mas também devido a escândalos. Além disso, sob sua gestão importantes projetos de armamentos foram adiados.

“A situação na área de aquisições da Bundeswehr não é uma qualificação obrigatória para o cargo executivo mais alto da União Europeia”, comentou o especialista em Defesa do Partido Verde, Omid Nouripour, em entrevista à DW.

Além disso, durante o comando de Von der Leyen na pasta da Defesa, ocorreram atividades extremistas de direita na Bundeswehr, e práticas degradantes em treinamentos militares vieram à tona. Claramente – e de forma muito mais evidente do que qualquer um de seus antecessores teria feito – a ministra se distanciou das Forças Armadas. Com sua declaração de que a Bundeswehr possui um “problema de atitude”, Von der Leyen perdeu a confiança das tropas.

E gradualmente tem ficado mais evidente de quais liberdades gozava uma ex-assessora empregada por Von der Leyen como secretária de Estado, que teria levado vários consultores custosos ao ministério. O escândalo está sob análise de uma comissão de inquérito no Bundestag. Von der Leyen terá que prestar esclarecimentos provavelmente em dezembro.

Apoio a reivindicação de Trump

O brilho de Von der Leyen dissipou rapidamente. Ainda assim, observadores de longa data afirmam que há vários argumentos favoráveis à política da CDU. Por exemplo, ela tem participado com sucesso dos trabalhos de estruturação de um departamento de Defesa da União Europeia.

“Um exército europeu como objetivo de longo prazo e a Otan não são opostos, mas dois lados da mesma moeda, porque é importante que os europeus formem no seio da Otan um pilar forte para manter a credibilidade da organização, mas também que haja uma voz europeia forte”, enfatizou.

Em relação às exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um maior envolvimento militar da Alemanha e da Europa, ela respondeu de forma categórica: “Acho que é uma reivindicação justa.”

Von der Leyen certamente se atreve a executar qualquer tarefa. Quando em 2010, após a renúncia repentina do então presidente da Alemanha Horst Köhler, a CDU precisava anunciar rapidamente quem iria sucedê-lo, o nome de Von der Leyen esteve entre os cotados. Agora, seu caminho político pode levar a uma direção completamente diferente. Ao invés de Berlim, a Bruxelas.

*Com informações do DW.

Redação do Jornal Grande Bahia
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