Senadores prestam solidariedade a Jaques Wagner após vazamentos das mensagens secretas da Lava Jato envolvendo Deltan Dallagnol procurador da República

Otto Alencar (PSD-BA) e outros senadores da República prestam solidariedade à Jaques Wagner, por ter sofrido ataque pessoal promovido pelo procurador da República Deltan Dallagnol.
Otto Alencar (PSD-BA) e outros senadores da República prestam solidariedade à Jaques Wagner, por ter sofrido ataque pessoal promovido pelo procurador da República Deltan Dallagnol.
Otto Alencar (PSD-BA) e outros senadores da República prestam solidariedade à Jaques Wagner, por ter sofrido ataque pessoal promovido pelo procurador da República Deltan Dallagnol.
Otto Alencar (PSD-BA) e outros senadores da República prestam solidariedade à Jaques Wagner, por ter sofrido ataque pessoal promovido pelo procurador da República Deltan Dallagnol.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) fez nesta terça-feira (02/07/2019) um discurso de desagravo ao colega de bancada, senador Jaques Wagner (PT-BA). De acordo com informações da colunista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, publicadas em parceria com o site The Intercept, procuradores da República, membros força-tarefa do Caso Lava Jato, liderados por Deltan Dallagnol teriam tentado fazer uma ação de busca e apreensão em sua casa, mesmo sem indícios que justificassem a medida. A intenção supostamente seria constranger o então recém-eleito senador, que era coordenador da campanha presidencial do petista Fernando Haddad.

O tom das críticas expressas no Plenário do Senado Federal  aglutinou diversos parlamentares e seguiu a linha de análise do editorial publicado no dia 29 de junho pelo Jornal Grande Bahia (JGB), com título ‘Reportagem da Folha de S.Paulo revela possível atividade criminosa persecutória promovida por membros da força-tarefa do Caso Lava Jato contra o senador Jaques Wagner e a soberania do povo da Bahia‘.

Senadores expressam indignação e reprovam condutas de procuradores da República

Otto criticou a postura do membros do Ministério Público Federal (MPF) envolvidos em atos persecutórios que, comprovados os diálogos, teriam planejado a ação sem “nenhuma prova material contra o ex-governador Jaques Wagner”.

— O procurador (Deltan) Dallagnol diz nas suas mensagens: “vamos fazer uma busca e apreensão simbólica”. E agora deve caber no Código Penal a busca e apreensão simbólica contra as pessoas. Isso é uma coisa contra a lei, acima da lei, acima do limite da lei, contra a Constituição. Infringiu a lei e a lei existe exatamente para limitar o poder. A Constituição existe exatamente para promover a justiça e não permitir o arbítrio — afirmou Otto.

Em aparte, os senadores também manifestaram solidariedade a Jaques Wagner. O também senador da Bahia, Angelo Coronel (PSD), afirmou ter ficado perplexo com as mensagens divulgadas pela Folha. Já a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) cobrou providências do Senado.

— Esta Casa não pode ficar neutra, é uma casa política! Hoje foi Jaques Wagner, amanhã pode ser Kátia Abreu, Davi Alcolumbre, Major Olimpio, pode ser qualquer um nesta Casa ou qualquer brasileiro. Nenhum brasileiro na face da terra merece que o Estado de direito e o devido processo legal não sejam cumpridos à risca, porque esta é a única coisa que garante a Constituição — cobrou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também defendeu a necessidade de o Senado adotar alguma ação institucional. O senador relatou que esse não foi o entendimento da maioria dos senadores na reunião de líderes, ocorrida nesta terça, mas cobrou que a Procuradoria-Geral da República e o Conselho Nacional do Ministério Público façam a devida apuração do caso.

Jaques Wagner agradeceu a manifestação dos colegas e lamentou a forma como as investigações estariam sendo feitas no país. Segundo Wagner, hoje não se investiga o criminoso nem o crime, mas cria-se uma teoria de que alguém é criminoso e vai-se procurar uma forma de incriminá-lo.

— As palavras ditas por aquele senhor do Ministério Público do Paraná – eu confesso –, à minha primeira leitura, me despertaram nojo, por saber que um funcionário público abandona tudo aquilo que está escrito no Texto Constitucional, nos regulamentos do exercício da função pública, e, soltando risada com aquele “kkk” no final, diz “não, mas nós precisamos encontrar alguma coisa; é preciso fazer uma busca e apreensão simbólica”. Ele nem se lembrava de que já houve, havia, no mesmo ano, uma busca e apreensão em minha residência — declarou o senador, afirmando não se colocar acima da lei nem se negar a dar esclarecimentos pedidos na investigação.

Também apoiaram a manifestação de Otto Alencar o líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB–PE) e os senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Nelsinho Trad (PSD-MS) e Esperidião Amin (PP-SC).

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Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9017 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).