Operação Spoofing: Suspeitos de hackear celular de Sérgio Moro podem ter feito mil vítimas; Ministro tem interesse pessoal e usa investigação como forma de controle da narrativa da #VazaJato

Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.
Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.
Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.
Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.

A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (24/07/2019), em coletiva de imprensa, que mil números telefônicos diferentes podem ter sido alvo da quadrilha suspeita de hackear o aplicativo de mensagens Telegram do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e de outras autoridades. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também pode estar entre as vítimas.

“Aparentemente, mil números telefônicos diferentes foram alvo desse mesmo modus operandi dessa quadrilha. Há possibilidade, ainda não temos uma identificação e nem começamos a fazer isso, mas há possibilidade de um número muito grande de possíveis vítimas desse mesmo tipo ataque que está sendo investigado agora”, disse o coordenador geral de Inteligência da PF, João Vianey Xavier Filho.

A PF investiga se o ministro da Economia foi vítima do mesmo grupo. “No momento da busca e apreensão, no celular de um dos indivíduos estava uma conta no aplicativo de mensagens vinculada com o nome Paulo Guedes. A gente tem que confirmar isso de forma pericial, mas é forte indicativo de que a conta seja realmente a do ministro”, explicou o diretor do Instituto Nacional de Criminalística, Luiz Spricigo Júnior.

De acordo com Filho, os números telefônicos supostamente atacados serão identificados para que se possa aferir a extensão exata dos ataques. A PF vai encaminhar ainda nesta quarta-feira um ofício para o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) solicitando uma reunião para buscar formas de sanar as fragilidades encontradas na investigação.

Atuação

De acordo com a PF, a investigação é conduzida desde pelo menos abril, quando procuradores da Força Tarefa da Lava Jato passaram a relatar algumas ligações recebidas em seus aparelhos originadas do próprio número. Em junho, Moro e outras autoridades informaram ocorrência semelhante.

A polícia conseguiu então chegar aos números de IP, que são relacionados à conexão à internet, dos dispositivos que supostamente executaram os ataques. Também foi identificado o tipo de equipamento que os indivíduos usavam. “Um dos equipamentos era um celular exatamente da marca e modelo que foi identificado na posse dos indivíduos”, diz Júnior.

De acordo com Filho, na residência de um dos alvos, foi localizado pela PF um computador contendo “atalhos de conexão a várias contas de aplicativo de mensagem”. Segundo ele, tudo indica que havia captura sistemática de contas desses aplicativos. “Não há como confirmar, o levantamento é preliminar, mas tudo indica, e aparentemente isso vai ser melhor esclarecido mais adiante, que o conteúdo das mensagens dessas contas capturadas era baixado nos dispositivos, nos computadores dos investigados”, diz Filho.

A PF deverá detalhar as formas de atuação dos investigados em laudo pericial, a ser encaminhado ainda esta semana.

Fraudes bancárias

De acordo com a PF, o grupo era especializado em fraudes bancárias por meio da internet. “O perfil dessas pessoas é de estelionato bancário eletrônico. Eles estão,

em vários graus diferentes de envolvimento, de alguma forma ou de outra, vinculados a fraudes bancárias eletrônicas, praticadas mediante internet banking, mediante engenharia social com contato de possíveis vítimas e fraudes em cartões de crédito e débito”, diz Filho. Segundo ele, foi localizada na casa de um dos alvos quase R$ 100 mil em espécie.

Relação de investigados revelado pela Revista Veja

Walter Delgatti Neto, de 30 anos, também conhecido como “Vermelho” por causa do cabelo e barba ruivos, é apontado pelos investigadores como o cabeça por trás das invasões ao aplicativo de conversa. É conhecido em delegacias do interior de São Paulo como um “golpista profissional” – morava atualmente em Ribeirão Preto, mas sua família residia em Araraquara. Na Justiça de São Paulo, ele é alvo de processos por falsificação de documento e furto e estelionato. Em 2018, foi condenado a 2 anos de prisão em regime semiaberto por ter falsificado uma carteirinha da USP, onde alegava estudar medicina.

Conhecidos de Araraquara dizem que ele gostava de se gabar dos seus feitos. Isso fica claro nos autos das ações às quais respondeu na Justiça. Autoridades policiais registraram que ele dizia ser uma “pessoa influente” na cidade que tinha “amigos” juízes, promotores e políticos, e que se apresentava como um “investidor” com “conta na Suíça”.

Delgatti reativou a sua conta no Twitter no mesmo período em que começaram os vazamentos das mensagens pelo site The Intercept Brasil, no início de junho. A partir daí, passou a compartilhar diariamente críticas à Lava Jato e ao governo Bolsonaro, em especial ao ministro da Justiça, Sergio Moro. Apesar dos ataques encampados pela esquerda, Delgatti se mostrava um apaixonado por armas e era filiado ao DEM desde 2007.

Gustavo Henrique Elias Santos, 28 anos, era conhecido como DJ Guto Dubra, que promovia festas de música eletrônica em cidades do interior de São Paulo. Segundo a sua defesa, ele nega ter participado dos ataque hackeràs autoridades.

Santos já foi preso por receptação de uma caminhonete roubada e porte ilegal de arma. Conforme as investigações da PF, Gustavo movimentou 424.000 reais entre abril e junho de 2018, tendo uma renda mensal de 2.866 reais. Morador da Zona Sul de São Paulo, ele comentava com vizinhos que fazia investimentos pela internet. Sua defesa afirmou que ele mexia com bitcoin.

Suellen Priscila de Oliveira, 25 anos, era mulher do DJ Gustavo Elias. Conhecidos disseram que ele fazia investimentos online com o marido e que chegou a fazer bicos de manicure. Conforme a decisão judicial de Brasília, ela movimentou 203.000 reais de março a maio de 2019, tendo renda de 2.192 reais.

Danilo Cristiano Marques, 33 anos, era conhecido por ser motorista de aplicativos de transporte. De um endereço ligado a ele, teria partido o sinal de um dispositivo usado nos supostos ataques hackers.

Instrumentalização do poder para fins pessoais

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro e ex-juiz da 13º Vara Federal de Curitiba, tem interesse pessoal em transformar em ato criminoso ‘As mensagens secretas da Lava Jato (#VazaJato)’, divulgadas pelas reportantes do The Intercept Brasil, Jornal Folha de S. Paulo e Revista Veja. Mas, o que de fato ocorre é que as mensagens e as reportagens evidenciam transgressões praticadas pelo ex-juiz, em possível conluio com o procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa do Caso Lava Jato e outros membros do Ministério Público Federal (MPF).

*Com informações da Agência Brasil.

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