Operação Spoofing: Perícia em celular de Sérgio Moro permitiu PF identificar supostos hackers; Ministro tenta usar investigação, mas fato é que troca de mensagens revelaram recorrente crime

Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.
Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.
Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.
Ministro Sérgio Moro tentar assumir o controle da narrativa no Caso #VazaJato, mas aprofundamento da investigação aponta para recorrente prática de crime de conluio, no período em que atuou como juiz federal em Curitiba.

Na decisão em que autorizou a Polícia Federal (PF) a prender, em caráter temporário, quatro suspeitos de violar o sigilo telefônico de várias autoridades públicas, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, revela que os investigados foram identificados a partir da perícia inicial do telefone celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Segundo o magistrado, a quebra do sigilo telefônico e das mensagens eletrônicas de suspeitos já tinha sido autorizada antes a pedido da autoridade policial para permitir o “levantamento de informações acerca do procedimento de intrusão do telefone celular do ministro”. Isto possibilitou aos investigadores deduzir como os suspeitos teriam agiram.

Conforme os policiais federais informaram ao juiz, quem invadiu o telefone de Moro conseguiu obter o código (senha) que o aplicativo de troca de mensagens instantâneas Telegram fornece aos usuários do programa Telegram Web, por mensagem.

“O Telegram permite que o usuário solicite o código de acesso via ligação telefônica, com posterior envio [da resposta por meio de] chamada de voz contendo o código para ativação do serviço web, cuja mensagem fica gravada na caixa postal das vítimas”, detalhou o juiz em sua decisão, tornada pública no início da tarde de quarta-feira (24/07/2019). A fim de manter a linha alvo ocupada enquanto invadia o telefone, o invasor passa então a fazer sucessivas ligações para o número da vítima.

O próximo passo dos investigadores foi identificar a origem das chamadas telefônicas recebidas pelo ministro Moro, em particular as identificadas como tendo sido feitas a partir de seu próprio número. No começo de junho, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que hackers tinham tentado invadir o telefone do ministro, que percebeu à ação ao receber uma ligação de seu próprio número. Na sequência, Moro recebeu novos contatos por meio do aplicativo de mensagens Telegram, que já não usava há cerca de dois anos. Imediatamente, o ministrou abandonou a linha e acionou a Polícia Federal.

“Assim, identificou-se a rota de interconexão com a operadora Datora Telecomunicações, que transportou as chamadas destinadas ao número do ministro, após ter recebido as chamadas através da rota de interconexão baseada em tecnologia Voip [serviços de voz sobre IP, o chamado Protocolo de Internet, número que identifica um dispositivo conectado à rede mundial de computadores]”, escreveu o juiz Vallisney de Souza Oliveira, afirmando que, após analisar todo o sistema de comunicação, a PF conseguiu identificar todas as ligações efetuadas para o telefone do ministro.

“Com base nos registros cadastrais fornecidos pelos provedores de internet foram identificados os moradores nos endereços onde estariam localizados os IPs de onde partiram os ataques. São eles: Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira e Walter Delgatti Neto”, comentou o juiz.

Ainda de acordo com o magistrado, há “fortes indícios” de que os quatro suspeitos detidos na terça-feira (23/07/2019), em caráter temporário, “integram uma organização criminosa”.

Esta tarde, durante coletiva de imprensa realizada em Brasília, os delegados federais responsáveis pela Operação Spoofing disseram ter indícios de que mais de mil números de telefone foram alvo da ação ilegal do grupo. Em sua decisão, o juiz Vallisney de Souza Oliveira cita, entre as vítimas, além de Moro, o desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região; do juiz federal Flávio Lucas, da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro, e dos delegados federais Rafael Fernandes e Flávio Vieitez.

Mais cedo, o defensor Ariovaldo Moreira, advogado do casal Gustavo e Suellen, disse que Gustavo nega ter invadido telefones e participado da divulgação das supostas conversas que o então juiz federal da 13ª Vara Federal, Sergio Moro, trocou coDeltan Dallagnol, chefe da força-tarefa do Caso Lava Jato e outros membros do Ministério Público Federal (MPF).

Relação de investigados revelado pela Revista Veja

Walter Delgatti Neto, de 30 anos, também conhecido como “Vermelho” por causa do cabelo e barba ruivos, é apontado pelos investigadores como o cabeça por trás das invasões ao aplicativo de conversa. É conhecido em delegacias do interior de São Paulo como um “golpista profissional” – morava atualmente em Ribeirão Preto, mas sua família residia em Araraquara. Na Justiça de São Paulo, ele é alvo de processos por falsificação de documento e furto e estelionato. Em 2018, foi condenado a 2 anos de prisão em regime semiaberto por ter falsificado uma carteirinha da USP, onde alegava estudar medicina.

Conhecidos de Araraquara dizem que ele gostava de se gabar dos seus feitos. Isso fica claro nos autos das ações às quais respondeu na Justiça. Autoridades policiais registraram que ele dizia ser uma “pessoa influente” na cidade que tinha “amigos” juízes, promotores e políticos, e que se apresentava como um “investidor” com “conta na Suíça”.

Delgatti reativou a sua conta no Twitter no mesmo período em que começaram os vazamentos das mensagens pelo site The Intercept Brasil, no início de junho. A partir daí, passou a compartilhar diariamente críticas à Lava Jato e ao governo Bolsonaro, em especial ao ministro da Justiça, Sergio Moro. Apesar dos ataques encampados pela esquerda, Delgatti se mostrava um apaixonado por armas e era filiado ao DEM desde 2007.

Gustavo Henrique Elias Santos, 28 anos, era conhecido como DJ Guto Dubra, que promovia festas de música eletrônica em cidades do interior de São Paulo. Segundo a sua defesa, ele nega ter participado dos ataque hackeràs autoridades.

Santos já foi preso por receptação de uma caminhonete roubada e porte ilegal de arma. Conforme as investigações da PF, Gustavo movimentou 424.000 reais entre abril e junho de 2018, tendo uma renda mensal de 2.866 reais. Morador da Zona Sul de São Paulo, ele comentava com vizinhos que fazia investimentos pela internet. Sua defesa afirmou que ele mexia com bitcoin.

Suellen Priscila de Oliveira, 25 anos, era mulher do DJ Gustavo Elias. Conhecidos disseram que ele fazia investimentos online com o marido e que chegou a fazer bicos de manicure. Conforme a decisão judicial de Brasília, ela movimentou 203.000 reais de março a maio de 2019, tendo renda de 2.192 reais.

Danilo Cristiano Marques, 33 anos, era conhecido por ser motorista de aplicativos de transporte. De um endereço ligado a ele, teria partido o sinal de um dispositivo usado nos supostos ataques hackers.

Instrumentalização do poder para fins pessoais

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro e ex-juiz da 13º Vara Federal de Curitiba, tem interesse pessoal em transformar em ato criminoso ‘As mensagens secretas da Lava Jato (#VazaJato)’, divulgadas pelas reportantes do The Intercept Brasil, Jornal Folha de S. Paulo e Revista Veja. Mas, o que de fato ocorre é que as mensagens e as reportagens evidenciam transgressões praticadas pelo ex-juiz, em possível conluio com o procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa do Caso Lava Jato e outros membros do Ministério Público Federal (MPF).

*Com informações da Agência Brasil.

Redação do Jornal Grande Bahia
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