Desemprego no Brasil cai a 12,3% no trimestre até maio de 2019, mas desalento e subocupação renovam recorde

Política liberal do Governo Bolsonaro resulta em desaceleração da economia, redução do patrimônio do Estado e aumento da dívida pública e do desemprego estrutural.
Política liberal do Governo Bolsonaro resulta em desaceleração da economia, redução do patrimônio do Estado e aumento da dívida pública e do desemprego estrutural.
Política liberal do Governo Bolsonaro resulta em desaceleração da economia, redução do patrimônio do Estado e aumento da dívida pública e do desemprego estrutural.
Política liberal do Governo Bolsonaro resulta em desaceleração da economia, redução do patrimônio do Estado e aumento da dívida pública e do desemprego estrutural.

O número de desempregados no Brasil ficou abaixo de 13 milhões pela primeira vez desde o início de 2019, mas o mercado de trabalho mostra que ainda sofre com a deterioração econômica ao registrar números recordes de desalentados e subutilizados.

Nos três meses até maio, a taxa de desemprego brasileira foi a 12,3%, de 12,5% no trimestre até abril e 12,7% no mesmo período do ano passado.

O dado divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o mais baixo para o período desde 2016 (11,2%) e iguala a expectativa em pesquisa da Reuters.

“A taxa está caindo porque tem mais pessoas trabalhando. É isso, e ponto. A questão é como essas pessoas estão trabalhando. Isso afeta a pessoa em si e a estrutura econômica do país”, disse a analista da pesquisa Adriana Beringuy.

“É melhor ter algo, algum trabalho, do que nenhum.”

No período, o número de desempregados no país caiu a 12,984 milhões, de 13,177 milhões nos três meses até abril e 13,190 milhões no mesmo período de 2018. É a primeira vez que o contingente vai abaixo dos 13 milhões desde o trimestre finalizado em janeiro (12,625 milhões), quando o número ainda se beneficiava das contratações de final de ano.

“É de se esperar que, nesse período, a desocupação passe a parar de subir e estabilizar, por conta do fim do encerramento de dispensa de temporários em cada começo do ano”, explicou Adriana.

Entre março e maio, o total de pessoas ocupadas foi a 92,947 milhões, de 92,365 milhões entre fevereiro e abril e 90,586 milhões no mesmo período do ano passado.

Mas ao mesmo tempo, o levantamento de subutilizados e desalentados renovou os números recordes da série histórica iniciada em 2012, em um sinal das dificuldades dos trabalhadores diante da debilidade da economia, que corre o risco de entrar em recessão técnica após contração no primeiro trimestre.

O contingente de pessoas subutilizadas, que incluem desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais horas, as que gostariam de trabalhar mas têm algum impedimento e os desalentados, atingiu 28,524 milhões.

O número de desalentados, ou a quantidade de trabalhadores que desistiram de procurar uma vaga, subiu por sua vez a 4,905 milhões.

No trimestre até maio, 33,222 milhões de pessoas tinham emprego com carteira assinada no setor privado, alta de 1,6% sobre o mesmo período de 2018.

Já o total de pessoas sem carteira assinada no setor privado aumentou 3,4%, para 11,384 milhões.

O número de trabalhadores por conta também deu um salto, de 5,1% sobre o trimestre de março a maio de 2018, chegando ao recorde de 24,033 milhões.

“O (número de trabalhadores por) conta própria não para de crescer, e está se espalhando por toda a economia por uma questão de sobrevivência diante dos dificuldades do mercado de trabalho”, disse Adriana.

O rendimento médio do trabalhador foi a 2.289 reais no período, de 2.306 nos três meses até abril e 2.292 reais no mesmo período de 2018.

Na véspera, o Ministério da Economia informou que o Brasil registrou criação líquida de 32.140 vagas formais de emprego em maio, nível mais fraco para o mês desde 2016.

*Com informações de Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira, da Agência Reuters.

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