ABI aponta ‘abuso de poder’ de Sérgio Moro; Ministro acessou e divulgou documentos da Operação Spoofing e tenta criminalizar atividade jornalística que revelou os evidentes crimes que pratica

Associação vê tentativa de intimidação e anuncia que defenderá Glenn Greenwald na Justiça, se necessário. No Twitter, Glenn Greenwald responde à Sérgio Moro. Ministro da Justiça do Governo Bolsonaro tenta assumir controle da narrativa das ‘mensagens secretas da Lava Jato (#VazaJato)’ e novos evidentes crimes praticados são denunciados à PGR e STF.
Associação vê tentativa de intimidação e anuncia que defenderá Glenn Greenwald na Justiça, se necessário. 

No Twitter, Glenn Greenwald responde à Sérgio Moro. Ministro da Justiça do Governo Bolsonaro tenta assumir controle da narrativa das ‘mensagens secretas da Lava Jato (#VazaJato)’ e novos evidentes crimes praticados são denunciados à PGR e STF.

A edição de uma portaria (que ganhou o sugestivo número 666) pelo Ministério da Justiça provocou reações negativas em diversos setores, que identificam uma possível tentativa de retaliação de Sergio Moro contra o jornalista Glenn Greenwald, por causa das revelações que vêm sendo divulgadas pelo site The Intercept Brasil, em parceria com outros veículos. Entre as manifestações públicas, estão as da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“A ABI considera inconstitucional e um abuso de poder a edição de medidas governamentais direcionadas a intimidar quem quer que seja, principalmente, na conjuntura atual, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil há 13 anos e diretor da publicação (Intercept)”, diz, em nota, o presidente da entidade, Paulo Jerônimo, que fala em tentativa de intimidação. A associação cita trecho da portaria que menciona deportação sumária de “pessoa perigosa ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.

Na nota, a ABI diz que ainda que está acompanhando o caso “e tomará medidas, no campo judicial, caso a portaria seja usada para atingir Greenwald, em mais um caso de arbítrio e de atentado à liberdade de imprensa”.

Narrativa sobre ‘hackers de Araraquara’ questionada: ‘É tudo contraditório’; Para Sérgio Amadeu, a história divulgada pela Polícia Federal não bate com ações de hackers verdadeiros 

Hackers residentes em Araraquara, no interior paulista, e filiados ao DEM, mas que tuítam, de Brasília, mensagens de apoio ao PT, invadindo celular de ministro e presidente da República, deixando rastros e utilizando computadores sem a devida proteção. A história da Operação Spoofing sobre os supostos hackers que invadiram o celular do ministro Sergio Moro é questionada pelo sociólogo e ativista do movimento do software livre Sérgio Amadeu.

“São hackers que usam Windows, não se protegem com criptografia. É uma operação confusa. E se eles tivessem acesso ao conteúdo das conversas de Moro, isso significa que as conversas são verdadeiras? Dizem que tentariam até vender as mensagens falsas, pergunto o porquê, se poderiam inventar? Então, toda a narrativa está contraditória”, critica, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na edição desta sexta-feira (26), da Rádio Brasil Atual.

Amadeu alerta que a “espetacularização” criada pela Polícia Federal sobre o caso tem o objetivo de desqualificar as denúncias feitas pelo site The Intercept, sobre os desvios cometidos por Sergio Moro e o procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol. “Qualquer investigação feita sob a orientação do ministro Sergio Moro não pode ser considerada válida, pelo fato de ser pego desvirtuando as funções essências de justiça. O acusado comanda a investigação sobre ele próprio”, acrescentou.

Questionável; Amadeu alerta que a história criada pela Polícia Federal sobre o caso é tem o objetivo de desqualificar as denúncias feitas pelo site The Intercept contra Moro

O especialista também diferenciou os conceitos de crackers e de hackers. “Esses tais ‘hackers de Araraquara’ são crackers, pois os hackers são pessoas que quebram códigos, pela paixão ao desafio, e compartilham os códigos com a comunidade. A maioria deles são desenvolvedores de softwares livres. Já o cracker, em geral, é individualista e usa suas habilidades para obter vantagens pessoais”, explicou.

A explicação da PF sobre a metodologia da invasão é de que os celulares alvo recebiam ligações contínuas, com o aparelho ficando sem condições de receber ligação e outra pessoa teria instalado o Telegram para se fazer passar pelo usuário original. Ele classifica a justificativa como questionável. “Eles dizem conseguir confirmar isso checando dados das empresas de voz sobre IP e das operadoras, mas sem fazer uma perícia no celular.”

Sérgio Amadeu também explica que o termo spoofing, utilizado para nomear a operação da PF, não é uma ação com intuito de roubar mensagens telefônicas, mas dados bancários. “A técnica de spoofing existe e pode não ter sido aplicada pelos crackers. Um exemplo é o spoofing de e-mail. Você recebe uma mensagem dizendo “Banco do Brasil quer que você atualize sua senha”, ao colocar sua senha lá, eles pegam ela, entram na conta da pessoa e roubam”, afirmou.

*Com informações do RBA.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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