Trabalhadores em transportes anuncia adesão à greve geral de 14 de junho de 2019

Trabalhadores em transportes estão na greve geral de 14 de junho.
Trabalhadores em transportes estão na greve geral de 14 de junho.
Trabalhadores em transportes estão na greve geral de 14 de junho.
Trabalhadores em transportes estão na greve geral de 14 de junho.

Sindicatos de trabalhadores nos diversos setores dos transportes se reuniram em São Paulo e decidem participar da greve geral. Presidente da CUT afirma que greve tem apoio da sociedade

Reunidas em São Paulo, nesta terça-feira (04/06/2019), entidades que representam trabalhadores e trabalhadoras dos transportes decidiram aderir à greve geral do dia 14 de junho, contra a reforma da Previdência, pela retomada do crescimento econômico brasileiro com geração de empregos e renda e contra os cortes na educação.

Participaram do encontro representantes dos sindicatos dos aeroviários, aeroportuários, portuários, motoristas e cobradores rodoviários, além de metroviários e ferroviários.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, que abriu a reunião, reafirmou o papel que a greve tem no momento pelo qual o Brasil passa de recessão econômica, recordes de desempregados e retirada de diretos. Ele também exaltou o papel do pessoal dos transportes para o sucesso das mobilizações.

A construção desta greve geral, segundo Vagner, tem um diferencial que é uma maior politização da sociedade, que “acordou para o fato de que esse governo está destruindo o Brasil”.

“A greve está sendo debatida em escolas, igrejas, bares e as pessoas falam da greve por conta do rumo que o país tomou com Bolsonaro”.

“Há um absoluto desalento com o governo. Bolsonaro se apresentou como solução e não resolveu nada. As pessoas estão vivenciando uma enorme crise e questionando o governo que não tem proposta de política econômica”, afirmou Vagner, ressaltando o papel dos trabalhadores em transportes para o êxito da mobilização do dia 14 de junho.

“Em todas as greves gerais que construímos com grande êxito, a participação dos trabalhadores e trabalhadoras dos transportes foi fundamental”, disse o dirigente.

Setor de transportes consolida participação na greve geral

O cenário, ainda de acordo com Vagner, fortalece a mobilização de todas as categorias, ainda mais do que em greves anteriores.

Já o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística da CUT (CNTTL), Paulo João Eustásia, relata que havia a preocupação entre as entidades de que algum modal de transporte não aderisse à paralisação, mas que, no encontro, a participação de todos ficou consolidada.

“Temos tudo para superar o dia 28 de abril de 2017 e dar uma resposta ao governo com relação aos ataques aos direitos, principalmente contra a reforma da Previdência”, disse Eustásia se referindo a maior greve geral do Brasil realizada há dois anos contra a política neoliberal do ilegítimo Michel Temer.

Caminhoneiros também devem parar

De acordo com o presidente da CNTTL, boa parte dos caminhoneiros é representada pela confederação e a categoria também anunciou que vai paralisar atividades no dia 14 de junho.

Paulo Eustasia comenta que muitos caminhoneiros ainda não estão preparados, mas a adesão à greve geral será superior a outras mobilizações organizadas pela CUT e pela CNTTL. Ele explica que, habitualmente, greves desses motoristas começam em pontos isolados e vão ganhando corpo, assim como aconteceu em 2018.

“Acredito que mais caminhoneiros vão aderir. Eles têm uma pauta especifica da categoria, que é a questão da fiscalização do piso mínimo para os fretes e o congelamento do preço do óleo diesel, mas também são alvo da reforma da Previdência e boa parte já decidiu participar da greve geral”.

O dirigente explica também que um fator determinante para a adesão da categoria é o crescente descontentamento com Bolsonaro: “Na ocasião da eleição 70% dos caminhoneiros apoiavam Bolsonaro. Hoje, já percebendo o retrocesso do Brasil, o número inverteu e 70% são contra o governo”.

Ainda sobre os caminhoneiros, durante o encontro, Paulo Eustasia informou que a categoria tem uma mobilização marcada para o dia 20 de junho, caso as pautas específicas não sejam atendidas.

A greve e os transportes

A preocupação dos sindicatos dos trabalhadores em transportes é de que grande parte da responsabilidade das greves recai sobre eles. “Ainda que você mande o ofício informando a greve, 72 horas antes, logo após vem a liminar proibindo a paralisação e estipulando multas absurdas”, afirma o presidente da CNTTL.

Consenso entre as entidades é de que os sindicatos vão “bancar a greve”, no sentido de enfrentar todos os obstáculos, como as liminares. Paulo Eustasia deixa claro que é hora de enfrentar o governo, antes que Bolsonaro consiga destruir tudo o que foi construído ao longo de anos de luta.

“Bolsonaro, na verdade, nunca teve um plano de governo eficiente e real. Hoje isso está claro para sociedade. Ele não tem proposta enquanto isso o país afunda no desemprego, empresas quebram e a população está percebendo isso. E está vindo para luta para poder reverter. É agora ou nunca mais”, afirmou.

Vagner Freitas, presidente da CUT, complementou que a greve, além de ter a característica de reivindicação, é uma resposta que a sociedade dá à questão nacional.

“A greve é por mudança na economia e isso é favorável para que seja uma grande paralisação no dia 14”.

E prova disso, segundo Vagner, foram as mobilizações dos dias 15 e 30 de maio, que levaram às ruas milhões de pessoas que não tinham relação com os movimentos sociais e sindicais.

“Foram mobilizações construídas no movimento sindical, pela CNTE, que viraram protestos de estudantes e englobaram toda a sociedade”, concluiu Vagner que afirmou acreditar que no dia 14 de junho vai ser igual.

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