Procurador da República confirma veracidade da troca de mensagens entre Sérgio Moro e membros do MPF divulgadas pelo The Intercept e Folha de S.Paulo, diz jornal Correio Braziliense

Jornal Correio Braziliense recebeu confirmação de procurador da República sobre a autenticidade da troca de mensagens entre os membros do Ministério Público Federal (MPF), que questionavam a articulação do, à época, juiz Sérgio Moro para integrar Governo Bolsonaro.
Jornal Correio Braziliense recebeu confirmação de procurador da República sobre a autenticidade da troca de mensagens entre os membros do Ministério Público Federal (MPF), que questionavam a articulação do, à época, juiz Sérgio Moro para integrar Governo Bolsonaro.
Jornal Correio Braziliense recebeu confirmação de procurador da República sobre a autenticidade da troca de mensagens entre os membros do Ministério Público Federal (MPF), que questionavam a articulação do, à época, juiz Sérgio Moro para integrar Governo Bolsonaro.
Jornal Correio Braziliense recebeu confirmação de procurador da República sobre a autenticidade da troca de mensagens entre os membros do Ministério Público Federal (MPF), que questionavam a articulação do, à época, juiz Sérgio Moro para integrar Governo Bolsonaro.

O jornal Correio Braziliense publicou na noite de sábado (29/06/2016) que um procurador República confirmou a autenticidade da troca de mensagens entre os membros do Ministério Público Federal (MPF), sobre articulação do, à época, juiz Sérgio Moro para ingressar em um futuro Governo Bolsonaro, veiculadas pelo The Intercept Brasil e Jornal Folha de S.Paulo.

— Ao Correio, um dos procuradores que estava no grupo em que ocorreram as conversas, disse, sob a condição de anonimato, que os trechos divulgados são verdadeiros. “Me recordo dos diálogos com os procuradores apontados pelo site. O grupo não existe mais. No entanto, me lembro do debate em torno do resultado das eleições e da expectativa sobre a ida de Moro para o Ministério da Justiça”, disse. —

Segundo a publicação, o procurador disse ao jornal que se recorda dos diálogos vazados, mas que o grupo do Telegram onde as conversam aconteciam não existe mais.

Ele disse que se lembra das conversas em torno do resultado das eleições e também sobre a expectativa sobre a ida do ex-juiz Sergio Moro para o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

O procurador do MPF também apontou que conseguiu recuperar parte do conteúdo das conversas. Ele ressaltou, porém, que só pode atestar a veracidade dessa publicação mais recente, publicada pelo The Intercept Brasil na sexta-feira (28).

As mensagens mostram um grupo de procuradores tecendo críticas a Moro, afirmando que ele trabalhava fora das regras e que era tolerado devido aos resultados alcançados. Os textos publicados também mostram apreensão dos procuradores em torno da ida de Moro para o governo de Jair Bolsonaro com medo de que isso pudesse diminuir a credibilidade da Operação Lava Jato. Alguns procuradores foram a público e afirmaram que não atestam a veracidade das conversas.

‘Vaza Jato’: novos vazamentos mostram que procuradores teriam criticado violações éticas de Moro[

A nova publicação do site The Intercept Brasil sobre conversas de integrantes da Lava Jato mostram críticas à ética do ministro da Justiça Sergio Moro por parte de procuradores da Lava Jato.

O jornalista e fundador do site The Intercept Brasil publicou no Twitter uma prévia da reportagem que fala de “transgressões éticas” e “conduta politizada” de Sergio Moro.

“Até mesmo os promotores de Lava Jato sabiam e reclamavam abertamente sobre as contínuas transgressões éticas de Moro e a conduta politizada e corrupta como juiz”, diz a prévia da reportagem.

​De acordo com a publicação, diálogos mostram queixas dos procuradores da Lava Jato contra as violações do ex-juiz ao sistema acusatório e desconfiavam que a entrada de Moro no governo poderia tirar a credibilidade da Lava Jato.

“Moro é inquisitivo, só manda para o MP quando quer corroborar suas ideias, decide sem pedido do MP [variassss vezes] e respeitosamente o MPF do PR sempre tolerou isso pelos ótimos resultados alcançados pela lava jato”, diz a mensagem da procuradora Monique Chequer.

Desde o início do mês, o The Intercept vem divulgando trechos de supostas conversas que Moro teria mantido com integrantes da força-tarefa da Lava Jato quando ainda era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, onde é julgada parte dos processos da Lava Jato.

Vaza Jato: Após novas revelações, #EuNãoConfioNoMoro bomba nas redes sociais

Após novas revelações de vazamentos de conversas entre procuradores da Lava Jato, divulgadas na madrugada deste sábado (29), pelo The Intercept Brasil, a hashtag #EuNãoConfioNoMoro se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

A razão foi um comentário do procurador Angelo Goulart Villela: “Cara, eu não confio no Moro, não. Em breve vamos receber cota de delegado mandando acrescentar fatos à denúncia. E, se não cumprirmos, o próprio juiz resolve”.

A afirmação deixa claro que nem os procuradores da Lava Jato acreditavam na imparcialidade de Sérgio Moro.

Confira trechos da troca de mensagens

Um dia antes do anúncio de Sérgio Moro, em 31 de outubro de 2018, quando circulavam fortes boatos de que iria participaria do Governo Bolsonaro, a procuradora Jerusa Viecili, integrante da força-tarefa em Curitiba, escreveu no grupo Filhos do Januario 3: “Acho péssimo. Só dá ênfase às alegações de parcialidade e partidarismo.”

A procuradora Laura Tessler, também da força-tarefa, concordou com a avaliação: “Tb acho péssimo. MJ nem pensar… além de ele não ter poder para fazer mudanças positivas, vai queimar a LJ. Já tem gente falando que isso mostraria a parcialidade dele ao julgar o PT. E o discurso vai pegar. Péssimo. E Bozo é muito mal visto… se juntar a ele vai queimar o Moro.” Viecili completou: “E queimando o moro queima a LJ”. Outro procurador da operação, Antônio Carlos Welter, enfatizou que a postura de Moro era “incompatível com a de Juiz”:

31 de outubro de 2018 – Filhos do Januario 3

Isabel Groba – 09:24:41 – É o fim ir se encontrar com Bolsonaro e semana que vem ir interrogar o Lula.

Jerusa Viecili – 09:25:20 – Concordo com tudo, Isabel!

Laura Tessler – 09:25:27 – Tb!

Laura Tessler – 09:26:01 – Pelo amor de Deus!!!! Alguém fala pro Moro não ir encontrar Bolsonaro!!!

Antônio Carlos Welter – 09:44:35 – Deltan Min do STF é um cargo no judiciário, que seria o reconhecimento máximo na carreira. Como ministro da justiça vai ter que explicar todos os arroubos do presidente, vai ter que engolir muito sapo e ainda vai ser profundamente criticado por isso. Veja que um dos fundamentos do pedido feito ao comitê da Onu para anular o processo do Lula é justamente o de falta de parcialidade do juiz. E logo após as eleições ele é convidado para ser Ministro. Se aceitar vai confirmar para muitos a teoria da conspiração. Vai ser um prato cheio. As vezes, o convite, ainda que possa representar reconhecimento (merecido), vai significar para muita gente boa e imparcial, que nos apoia, sem falar da imprensa e o PT, uma virada de mesa, de postura, incompatível com a de Juiz.

No dia seguinte, 1º de novembro, quando ficou claro que Moro seria anunciado como ministro da Justiça, outros procuradores do MPF não envolvidos com a Lava Jato aderiram ao coro. Conversando no grupo BD, do qual faziam parte procuradores de vários estados, eles dispararam duras críticas ao ex-juiz:

1º de novembro de 2018 – BD

Ângelo – 10:00:07 – Cara, eu não confio no Moro, não. Em breve vamos nos receber cota de delegado mandando acrescentar fatos à denúncia. E, se não cumprirmos, o próprio juiz resolve. Rs.

Monique – 10:00:30 – Olha, penso igual.

Monique – 10:01:36 – Moro é inquisitivo, só manda para o MP quando quer corroborar suas ideias, decide sem pedido do MP (variasssss vezes) e respeitosamente o MPF do PR sempre tolerou isso pelos ótimos resultados alcançados pela lava jato

Ângelo – 10:02:13 – Ele nos vê como “mal constitucionalmente necessário”, um desperdício de dinheiro.

Monique – 10:02:30 – Se depender dele, seremos ignorados.

Ângelo – 10:03:02 – Afinal, se já tem juiz, por que outro sujeito processual com as mesmas garantias e a mesma independência? Duplicação inútil. E ainda podendo encher o saco.

Monique – 10:03:43 – E essa fama do Moro é antiga. Desde que eu estava no Paraná, em 2008, ele já atuava assim. Alguns colegas do MPF do PR diziam que gostavam da pro atividade dele, que inclusive aprendiam com isso.

Ângelo – 10:04:30 – Fez umas tabelinhas lá, absolvendo aqui para a gente recorrer ali, mas na investigação criminal – a única coisa que interessa -, opa, a dupla polícia/ juiz eh senhora.

Monique – 10:04:31 – Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados.

É particularmente significativo que procuradores tenham chamado algumas absolvições de Moro de “tabelinhas” – destinadas a criar uma falsa percepção de imparcialidade –, já que as absolvições haviam sido citadas pelo ex-juiz e por Deltan Dallagnol justamente para refutar acusações de que Moro era o verdadeiro chefe dos procuradores.

Quando Moro foi finalmente confirmado como ministro da Justiça, o procurador Sérgio Luiz Pinel Dias, que atua na Lava Jato no Rio de Janeiro, digitou no grupo MPF GILMAR MENDES que, daquele momento em diante, seria muito difícil “afastar a imagem de que a LJ integrou o governo de Bolsonaro”:

1º de novembro de 2018 – Grupo MPF GILMAR MENDES

Thaméa Danelon – 10:19:01 – Bom dia pessoal. Qual a opinião de vcs sobre Moro no MJ?

José Augusto Simões Vagos – 10:44:57 – Acho inoportuno

Sérgio Luiz Pinel Dias – 10:50:51 – Thamea e colegas, pessoalmente acho ruim para o legado da LJ, por melhor que sejam as intenções dele de tentar influir por dentro. . . . Para mim, LJ, além de ser um símbolo, é um método de atuação das nossas instituições, que nos permitiu, até aqui, surfar juntos em uma excelente onda. Mas será difícil, muito difícil, hoje e provavelmente no futuro, com a assunção de Moro ao MJ, afastar a imagem de que a LJ integrou o governo de Bolsonaro. Vejo, por esse motivo, com muita preocupação esse passo do Moro.

Mônica Campos de Ré – 10:54:12 – Concordo!

A procuradora Isabel Cristina Groba Vieira, da Lava Jato em Curitiba, opinou no grupo Filhos do Januario 3: “É realmente péssimo. O nome da LJ não pode ser conspurcado.”

*Com informações do The Intercept Brasil, Jornal Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, Sputnik Brasil, Revista Fórum e El País.

Artigo de procuradora no EL PAÍS coincide com diálogo vazado por ‘The Intercept’. Em chat, Jerusa Viecili reclama por que a força-tarefa não se pronuncia diante de ameaças contra o Ministério Público Federal e a imprensa antes do segundo turno. Na sequência, publica “Corrupção se combate com respeito à liberdade e à imprensa. Assim nasceu a Lava Jato”.
Reportagem do El País avalia que reportagens sobre tese de conluio ente juiz e membro do MPF no Caso Lava Jato é plausível.
Redação do Jornal Grande Bahia
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