Cortes no Sistema S vão afetar, principalmente, parcela mais pobre da população, alerta Francisco Cavalcante vice-presidente da CNC

Francisco Cavalcante, presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Francisco Cavalcante, presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Francisco Cavalcante, presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Francisco Cavalcante, presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Os cortes nos recursos destinados ao Sistema S, sinalizados pelo governo federal, se efetivados, vão afetar, principalmente, a parcela mais pobre da população brasileira. Essa é a avaliação do vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Francisco Cavalcante, que participou nesta quinta-feira (30/05/2019) de audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados.

No encontro, Cavalcante afirmou que “o prejuízo seria para a camada mais pobre da população, que recebe mais permanentemente as ações do Sistema S”. Uma das instituições que pode ser afetada é o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), voltado à qualificação de mão de obra dos setores de serviço, comércio e turismo. Em 2018, o curso de guia de turismo foi o mais procurado: 4.500 matrículas foram feitas nas unidades do Senac em todo o país. Em seguida, aparecem os cursos ligados à hospedagem e alimentação, como governança em hotelaria e técnicas básicas para cozinheiro.

Para debater a relevância do Sistema S, deputados federais e representantes da indústria se reuniram para que fossem apresentados dados dos serviços prestados pelas nove instituições.

A audiência pública foi pedido do deputado federal Glaustin Fokus (PSC-GO), que presidiu a sessão na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados.

Um dos parlamentares presente na reunião foi o deputado federal Tiago Dimas (SD-TO). Na avaliação dele, “o poder público não consegue ter eficiência em determinadas áreas, enquanto o Sistema S consegue ser muito eficiente naquilo que propõe”.

Durante o debate, Dimas destacou que a ideia de um possível corte nos recursos do Sistema S é preocupante. “Isso não pode atrapalhar, de forma alguma, o brilhante trabalho que essas instituições vêm fazendo para o país”, afirmou.

O encontro contou ainda com a participação do deputado federal Amaro Neto (PRB-ES). O parlamentar acredita que o governo se precipitou ao anunciar cortes no Sistema S sem fazer um estudo sobre o trabalho realizado pelas instituições. Ele ressaltou que, no Espírito Santo, o Sistema S é “forte, parceiro de órgãos e instituições, atuante nos problemas e nas soluções do Espírito Santo”.

Amaro Neto elogiou a iniciativa de se realizar audiência pública para debater o tema. “Nada melhor que uma conversa como essa com os deputados e com a sociedade, para que as pessoas possam conhecer ainda mais o trabalho”, completou.

Representante de um estado onde se concentra um dos maiores polos industriais do País, o deputado federal Zé Neto (PT-BA) declarou que vê a ideia do corte como “um retrocesso”. Ele disse estar preocupado com o que assiste do ponto de vista do “capital nacional” do país, com processo de “destruição do Estado brasileiro”.

“Há um processo de destruição do Estado brasileiro e estou muito ciente disso, das instituições, que vão desde as representações até os nossos órgãos, como eu disse há pouco sobre o IBGE. Não dá para ouvir de um órgão do governo que o IBGE não tem credibilidade. Isso é conquista do Estado brasileiro, não do governo, como digo que o Sistema S é uma conquista da sociedade brasileira, da indústria brasileira”.

Segundo o parlamentar, o empresariado não pode aceitar essa redução dos recursos destinados ao Sistema S por achar que isso vai melhorar o ambiente de negócios. “É preciso colocar na cabeça do empresário a diferença entre custo, o que é preço e o que e investimento”, salientou.

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