Brasil é país que mais gasta com Previdência na América Latina e Caribe, diz BID

Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes em Brasília.Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes em Brasília.
Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes em Brasília.

Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes em Brasília.

O Brasil é o país que mais gasta com Previdência, em termos relativos, na região da América Latina e Caribe, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgado nesta terça-feira (07/05/2019), que aponta que o país desembolsa sete vezes mais com a população mais velha que com os mais jovens.

Sem nenhuma reforma, as despesas com aposentadoria e saúde de idosos passariam a responder por 138 por cento do Orçamento brasileiro em 2065, ante o patamar já alto de 40 por cento em 2015, apontou o BID, ressaltando que esse salto inviabilizaria o equilíbrio fiscal.

Na média da América Latina e Caribe, esse patamar era de 35 por cento em 2015, com projeção de chegar a 78 por cento em 2065.

“Esse cenário implicará em uma redução dos recursos para outras prioridades, como o desenvolvimento de capital humano e infraestrutura, elementos essenciais para sustentar o crescimento econômico ao longo do tempo”, disse o BID, sobre a acentuada pressão previdenciária sobre as contas brasileiras.

Os gastos com aposentadoria no Brasil chegaram em 2015 a 12,5 por cento do PIB — patamar mais alto da região — e o BID estima que poderiam alcançar 50,1 por cento do PIB em 2065, também em larga dianteira em relação aos vizinhos da América Latina e Caribe.

Presente no evento de divulgação do estudo, o secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, afirmou que a reforma da Previdência é a “reforma de todas as reformas”, e que o Brasil será outro após sua aprovação.

Ele também afirmou que a reflexão sobre como melhorar a eficiência dos gastos públicos tem uma importância central na agenda do governo Jair Bolsonaro.

“Liberais não aumentam impostos. Portanto, temos que aumentar a eficiência numa forma de melhoria do bem estar social”, disse.

Desperdícios

Nas contas do BID, o custo da ineficiência na gestão de compras governamentais, bem como uma “considerável” folha de pagamento no setor público e transferências que não chegam à população mais pobre como deveriam resultam em perdas de 3,9 por cento do PIB por ano, ou cerca de 68 bilhões de dólares, para o Brasil.

Para além da reforma da Previdência, o BID divulgou entre suas recomendações de políticas a adoção de regras fiscais que vão além da sustentabilidade fiscal para proteção de investimentos, com fixação de limites específicos de aumento dos gastos correntes para que o governo assegure alocação de recursos para gastos de capital.

Dentre outras medidas que podem ser tomadas, o BID também citou licitações mais competitivas e eficientes, com mínimo possível do uso de exceções, a redução das diferenças salariais para funcionários do setor público em relação aos do setor privado, e melhoria da arrecadação própria dos governos regionais.

*Por Marcela Ayres, da Agência Reuters.

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