Salvador: MP realiza visita técnica objetivando implantação da APA Vale Assis Valente e do Parque em Rede Pedra de Xangô

Afrodescendentes realizam visita religiosa à Pedra de Xangô, em Salvador.

Afrodescendentes realizam visita religiosa à Pedra de Xangô, em Salvador.

Vencedora da Chamada Pública de Projetos Simplificados do Ministério Público da Bahia, por meio da Promotoria de Habitação e Urbanismo, a Casa dos Olhos do Tempo que fala da Nação Angolão Paquetan Malembá, mais conhecida como Terreiro Mutalombo Yê Kaiongo, realiza neste domingo (14/04/2019), sua primeira ação pública prevista no projeto. A empresa júnior Biostase JR do Centro Universitário Jorge Amado irá fazer uma visita técnica no entorno da Pedra de Xangô para reconhecimento de toda a área a ser estudada.

A ação acontece a partir das 8h30 com um Amalá – oferenda a Xangô pelas comunidades de terreiro pedindo licença ao orixá para dar início aos trabalhos. Em seguida, os especialistas da Bistase JR. vão entrar na mata para identificar espécies e entender a diversidade do local, de modo que os dados sirvam de subsídio para a próxima etapa do trabalho, que é o diagnóstico ambiental e posterior sugestão para recuperação das áreas degradadas.

O projeto vencedor na Chamada Pública do Ministério Público do Estado está contemplado dentro do Projeto Parque em Rede e APA Municipal: o parque que queremos. À frente, está a advogada, doutoranda e mestre em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFBA) Maria Alice Pereira da Silva. Ela é autora da pesquisa de mestrado intitulada “Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador”, que traz à tona a importância da Pedra de Xangô como um monumento sagrado para as religiões de matrizes africanas e que estava esquecido pelo poder público.

A partir desta pesquisa, foi possível a criação e inserção do Parque em Rede Pedra de Xangô, da APA Municipal Vale do Assis Valente no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município de Salvador (PDDU) e seu tombamento como patrimônio cultural. Também foi possível o desenvolvimento dos estudos para o reconhecimento do monumento rochoso como geossítio de importância cultural e relevância nacional pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil.

As atividades previstas para este domingo (14) seguem até às 14h. Também estão contempladas no projeto caminhadas e visitas guiadas ao parque, reuniões com órgãos públicos, aulas e oficinas com crianças para as atividades de educação socioambiental e construção de viveiros a partir de mutirões, entre outras ações. O objetivo principal é contribuir para a efetivação da APA Vale Assis Valente e do Parque em Rede Pedra de Xangô, através da elaboração autônoma de Diagnóstico Ambiental Participativo e de Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). Tudo para que a Pedra de Xangô tenha o reconhecimento que merece pelos poderes públicos e que a comunidade possa usufruir todos os benefícios que o Parque irá oferecer.

A Pedra de Xangô é um patrimônio cultural, geológico, simbólico, mítico dos povos afrodescendentes que vivem em Salvador. A palavra “Xangô” é um conceito polissêmico e abrange o termo nas nações Ketu, Angola e Jeje. Entenda-se por Pedra de Xangô, Nzazi, Sogbo, do Buraco do Tatu, da Onça e do Ramalho, como uma demonstração do sentimento de pertença que as nações Ketu, Angola e Jeje e demais segmentos nutrem para com a pedra. (SILVA, 2017).

A Pedra de Xangô é um patrimônio cultural, geológico, simbólico, mítico dos povos afrodescendentes que vivem em Salvador. A palavra “Xangô” é um conceito polissêmico e abrange o termo nas nações Ketu, Angola e Jeje. Entenda-se por Pedra de Xangô, Nzazi, Sogbo, do Buraco do Tatu, da Onça e do Ramalho, como uma demonstração do sentimento de pertença que as nações Ketu, Angola e Jeje e demais segmentos nutrem para com a pedra. (SILVA, 2017).

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).