Pesquisador Jailson Andrade alerta para impacto do corte de verbas para a ciência no Brasil

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Jailson Andrade, professor de Química da Universidade Federal da Bahia.
Jailson Andrade, professor de Química da Universidade Federal da Bahia.
Jailson Andrade, professor de Química da Universidade Federal da Bahia.
Jailson Andrade, professor de Química da Universidade Federal da Bahia.

O corte de verbas para a ciência no Brasil é tema da reportagem divulgada pela publicação internacional Chemistry World. No artigo, os cientistas brasileiros depõem sobre a gravidade do problema. O professor de Química da Universidade Federal da Bahia, Jailson de Andrade, presidente da Academia de Ciências da Bahia, alerta que o impacto será especialmente agudo no campo da Química.

O artigo informa que o governo brasileiro está congelando cerca de 30 bilhões de reais (5,9 bilhões de euros) do seu orçamento federal, o que inclui a retenção de 2,2 bilhões de reais que seriam destinados ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação. Com isso, o ministério é deixado com um orçamento de 2,9 bilhões para 2019 – um corte de 42% e seu menor nível de financiamento desde 2006.

O presidente da Sociedade Brasileira de Química, Norberto Peporine Lopes, estima que os cortes ameacem mais de 10 mil projetos de pesquisa no país, além de aproximadamente 80 mil bolsas financiadas pelo ministério. Este aperto é o mais recente de uma série de reduções que atingiram o ministério desde 2015. Em 2017, um corte orçamentário semelhante (de 44%) levou os cientistas de todo o país a protestarem nas ruas, embora o governo posteriormente tenha disponibilizado recursos adicionais.

O presidente da Academia de Ciências da Bahia, Jailson de Andrade, professor de Química da Universidade Federal da Bahia, alerta que os cortes serão catastróficos para a pesquisa brasileira. Ele sugere que o impacto será especialmente agudo no campo da química, uma vez que envolve a atualização, manutenção e operação de equipamentos, bem como pessoal altamente treinado. “Mesmo que o financiamento seja aumentado no futuro, não é fácil remontar uma equipe de pesquisa experimental depois que ela foi desmantelada”, observa Andrade.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil (CNPq) – a agência de apoio à pesquisa vinculada ao ministério da ciência – já enfrentava déficit de R$ 300 milhões em seu compromisso de R$ 1 bilhão com bolsas de estudo e bolsas de pesquisa. O orçamento atual do CNPq só pode cobrir bolsas de estudo até setembro de 2019. Detalhes sobre como esses cortes orçamentários adicionais afetarão o CNPq ainda não estão disponíveis, mas o presidente da agência, João Luiz Filgueiras de Azevedo, continua esperançoso. “Este não será um ano fácil, mas todo esforço está sendo feito para recuperar o investimento necessário para a pesquisa no país”, disse ele à Chemistry World. “Estamos cautelosamente otimistas de que poderemos terminar o ano honrando os compromissos já assumidos”.

Baixe

Artigo ‘Temores pela ciência brasileira em meio ao congelamento de verbas federais’

Sobre Carlos Augusto 9610 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).