Ministro do Exterior alemão inicia visita a América Latina pela Bahia

Em meio a período de frieza das relações bilaterais, Maas será primeiro membro do governo Merkel a se encontrar com Bolsonaro. Agenda no país começa com reunião com ativistas pelos direitos das mulheres em Salvador.Heiko Maas é um político alemão, filiado ao SPD. Em 17 de dezembro de 2013, Maas prestou o juramento como Ministro da Justiça e Proteção do Consumidor do Terceiro Gabinete Merkel. Desde março de 2018, atua como Ministro de Relações Exteriores da Alemanha.
Em meio a período de frieza das relações bilaterais, Maas será primeiro membro do governo Merkel a se encontrar com Bolsonaro. Agenda no país começa com reunião com ativistas pelos direitos das mulheres em Salvador.

Heiko Maas é um político alemão, filiado ao SPD. Em 17 de dezembro de 2013, Maas prestou o juramento como Ministro da Justiça e Proteção do Consumidor do Terceiro Gabinete Merkel. Desde março de 2018, atua como Ministro de Relações Exteriores da Alemanha.

O ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, inicia nesta segunda-feira (29/04/2019) uma viagem por três países da América Latina, começando pelo Brasil. O social-democrata será recebido primeiramente em Salvador, onde fundará uma rede para fortalecimento dos direitos das mulheres, antes de seguir na terça-feira para Brasília, onde se tornará o primeiro membro do governo alemão a se encontrar com o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo observadores, a ordem dos eventos da agenda – primeiro um encontro com ativistas que atuam pelos direitos das mulheres e, depois, uma reunião com o presidente brasileiro – não é um bom presságio para as já enfraquecidas relações entre os dois países.

Com a viagem, cujas próximas paradas são a Colômbia, na quarta-feira, e, o México, na quinta-feira, Maas quer promover uma conferência de ministros do Exterior latino-americanos, a ser realizada em 28 de maio em Berlim. O objetivo é fortalecer a sociedade civil, a democracia e os direitos humanos na América Latina e direcionar o interesse para uma ordem mundial multilateral.

A iniciativa diplomática de Maas, que atualmente é presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, visa fortalecer as relações econômicas, culturais e políticas com a América Latina. Também visa criar um contrapeso em relação a países como os EUA e a Rússia, que se afastam cada vez mais de um mundo multilateral. Além disso, a aproximação com os latino-americanos serve como uma reação à crescente influência da China na região.

Em Brasília, Maas será recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e por Bolsonaro. O presidente admira seu homólogo americano, Donald Trump, e sua doutrina America First, enquanto Araujo propôs até mesmo uma “aliança cristã” com Putin e Trump.

Parte da comunidade internacional teme que Bolsonaro possa, ao lado de Trump, enfraquecer tratados e instituições internacionais, assim como os direitos humanos. O presidente brasileiro ainda mantém em aberto se sairá do Acordo do Clima de Paris.

O Brasil é o maior e mais populoso país da América Latina e integra o G20, grupo formado pela 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia. A visita de Maas ao país ocorre num momento delicado para as relações entre Brasília e Berlim, que há décadas são unidos por uma estreita cooperação econômica. Empresas alemãs, como a Volkswagen e a Mercedes, fazem parte da espinha dorsal da indústria brasileira.

Desde 2008, o Brasil também é o único país da América Latina com o qual a Alemanha mantém uma parceria estratégica. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, viajou em 2015 com metade de seu gabinete para negociações em Brasília. Na época, foram lançadas as chamadas consultações intergovernamentais entre Brasil e Alemanha. No entanto, elas deixaram de ocorrer em 2017 por causa da crise política interna no Brasil e, desde então, estão suspensas.

Em sua visita a Brasília, Maas deve tratar, entre outras coisas, da possibilidade de uma retomada das consultações bilaterais. Além dessa parceria estratégica, agora suspensa, ambos os países compõem, juntamente com Japão e Índia, o G4, grupo que reivindica um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Desde a eleição de Bolsonaro, classificado por críticos de racista e misógino, as relações Brasil-Alemanha esfriaram ainda mais. O governo alemão comunicou que pretende avaliar Bolsonaro com base em seus atos. Em março, a bancada parlamentar do partido A Esquerda exigiu que o governo alemão encerre a parceria estratégica com o Brasil.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).