Estratégia do presidente Donald Trump em Golã é prognóstico de conflito grandioso no Oriente Médio

O Presidente Donald J. Trump faz declarações na Unidade de Tanques do Exército na quarta-feira, 20 de março de 2019, no Joint Systems Manufacturing Center em Lima, Ohio.
Donald J. Trump, presidente dos Estados Unidos da América (EUA).
O Presidente Donald J. Trump faz declarações na Unidade de Tanques do Exército na quarta-feira, 20 de março de 2019, no Joint Systems Manufacturing Center em Lima, Ohio.
Donald J. Trump, presidente dos Estados Unidos da América (EUA).

A declaração do presidente americano, Donald Trump, sobre as Colinas de Golã provocou preocupações entre os países da região. Analistas explicam à Sputnik Turquia que a decisão americana sobre a área pode afetar Turquia, Irã e Iraque e causar um grande conflito.

A decisão unilateral de Trump de reconhecer a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã — tomada da Síria por Israel em 1967 e formalmente anexada por este em 1981 — continua despertando receios de uma nova escalada das tensões no Oriente Médio.

“Aproveitando a decisão dos EUA, Israel poderá ampliar esfera de influência nos territórios que ocupou”, disse à Sputnik Turquia, Gokhan Bozbas, coordenador do Centro de Estudos Estratégicos do Oriente Médio (ORSAM, na sigla em inglês), acrescentando que a declaração do presidente americano “violou a resolução da ONU adotada pela comunidade internacional e apoiou unilateralmente a ocupação”.

O pesquisador do Instituto Turquia do Século XXI, Yasin Atlioglu, alertou contra um conflito regional generalizado provocado pelas políticas do Oriente Médio de Trump. O acadêmico ainda recorda que a estratégia de Washington frente a Golã foi antecedida pelo reconhecimento de Jerusalém e que a política pró-Israel de Trump não estava de forma alguma limitada a Golã e Jerusalém.

“Dada às sanções anti-iranianas endurecidas, a situação na Síria, assim como as sanções impostas contra o Hezbollah libanês, a decisão de Trump sobre Golã pode ser vista como um prenúncio de conflito grandioso na região […] O caos e a instabilidade envolveram o Oriente Médio, e a decisão de Trump agravará ainda mais esta situação”, disse Atlioglu.

O especialista também duvida da probabilidade de uma guerra contra Israel ao sugerir que “os países da região não têm força suficiente para isso”. Ele também comenta que a comunidade internacional deveria ter expressado uma condenação mais firme ao movimento estratégico de Trump, já que este, além de representar riscos, também possibilita a tentativa de outros Estados em seguir o exemplo dos EUA e tentar legitimar suas iniciativas de ocupar territórios estrangeiros.

“A decisão de Trump sinaliza injustiça e desrespeito em relação ao mundo muçulmano. Isso terá impacto sobre outros países da região, principalmente Turquia, Irã e Iraque”, ressalta o analista.

“Nós compartilhamos totalmente o posicionamento da Turquia sobre esta questão. As Colinas de Golã pertencem à Síria, e os turcomanos sírios tradicionalmente residem lá. A decisão dos Estados Unidos sobre as Colinas de Golã contradiz as normas do direito internacional”, declara o político Aydin Maruf, membro do Parlamento do Curdistão iraquiano (IKP).

O parlamentar ainda destaca que “todas as decisões relacionadas aos territórios devem ser tomadas por pessoas que vivem nesses territórios”.

Já na opinião do membro do Partido Democrático do Curdistão (KDP), Muhsin Doski, Washington estava apenas perseguindo seus próprios interesses políticos ao reconhecer a soberania de Israel sobre Golã e presumiu que iniciativa de Trump poderia agravar ainda mais as tensões na região.

“A decisão [de Trump] diz respeito [apenas] a Israel, Palestina e Síria […] Esta é uma decisão política que não beneficiará a região [iraquiana] do Curdistão, já que não tem interesses associados às Colinas de Golã”, opina o porta-voz da União Patriótica do Curdistão (PUK), Sadi Ehmed Pire.

No dia 26 de março de 2019, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, denunciou a decisão de Washington sobre Golã, realçando que os EUA não tinham jurisdição e direito de dar Golã a Israel e prometeu levar a questão às Nações Unidas.

*Com informações da Sputnik Brasil.

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