Celiah Zaiin é homenageada pela Câmara Municipal de Salvador

Celiah Zaiin foi homenageada pela Câmara Municipal de Salvador com a comenda que leva o nome da heroína baiana Maria Quitéria.
Celiah Zaiin foi homenageada pela Câmara Municipal de Salvador com a comenda que leva o nome da heroína baiana Maria Quitéria.

A honra de Maria Quitéria permanece viva no imaginário dos baianos e na Câmara de Salvador. A afirmativa foi confirmada na manhã desta terça-feira (09/04/2019), na Casa, durante a sessão solene de outorga da Comenda Maria Quitéria a Juscélia Figueiredo, mais conhecida por Celiah Zaiin. A vereadora Cátia Rodrigues (PHS) propôs a homenagem ocorrida no Plenário Cosme de Farias.

Ao apresentar a homenageada, a vereadora Cátia Rodrigues destacou dados biográficos de Celiah Zaiin, que nasceu em Feira de Santana e é madrinha da Rota Turística Caminhos do Sertão. Falou ainda da sua formação em Música, na Universidade Federal da Bahia, e afirmou que ela “representa a figura histórica do 2 de Julho ao participar de atividades culturais por toda a Bahia”.

Ainda em seu discurso, Cátia Rodrigues afirmou que Celiah Zaiin narra com autoridade a história de Maria Quitéria e mostra “a grandeza da mulher”. A vereadora estendeu a homenagem “a todas as mulheres guerreiras”.

Agradecimento

Após receber a Comenda Maria Quitéria das mãos da vereadora Cátia Rodrigues, Celiah Zaiin proferiu discurso de agradecimento centrado no princípio da honra. Ela afirmou que se veste de Maria Quitéria “para honrar quem te honrou”.

Ela lembrou de algumas passagens da independência da Bahia, como o erro do Corneteiro Lopes que, ao invés de dar o toque de recolher, deu o de avançar, causando a fuga dos últimos soldados portugueses que resistiam em ficar na Bahia.

Celiah Zaiin encerrou a sua fala pedindo o apoio da Câmara no sentido de colocar uma lápide de Maria Quitéria na Igreja do Santíssimo Sacramento e Santana, em Nazaré, onde estão os ossos da heroína baiana.

A bravura de Maria Quitéria foi ressaltada pela escritora, artista plástica e pesquisadora Maria José Negrão. Ela levou para o plenário uma pintura de sua autoria da heroína baiana, concluída no ano passado. A obra foi executada a partir de pesquisa histórica.

Para Maria das Graças Cordeiro Santos, diretora do Departamento de Turismo da Secretaria do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Feira de Santana, “Celiah Zaiin faz um trabalho de resgate da história da Bahia”. Ela defendeu a construção de um memorial na localidade onde a heroína da independência nasceu, em Feira de Santana.

A iniciativa da vereadora Cátia Rodrigues foi destacada por Mário Costa Borges, chefe de Gabinete do prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins. Ele disse ainda que a comenda da Câmara de Salvador é um reconhecimento pelo trabalho histórico de Celiah Zaiin.

Além dos citados, também participaram da sessão solene e fizeram parte da mesa de trabalho as advogadas Rebeca Martins e Jazimara Stabili; a professora Renata Rose Costa; a psicóloga Judinara Braz da Silva; e o vereador Lulinha (DEM), da Câmara Municipal de Feira de Santana.

Prestigiaram a condecoração a mãe da homenageada, Julieta Figueiredo, e alunos das escolas Maria Quitéria, Vivaldo Costa Lima e Lauro Ribeiro Lopes. O Coral Maestro Miro, da Fundação Egberto Costa, e o violonista Airon da Silva ficaram encarregados das apresentações musicais que abrilhantaram a solenidade.

Projeto Rota Caminhos do Sertão

Celiah Zaiin participa do projeto ‘Rota Caminhos do Sertão’. Ela tornou-se palestrante do “legado de Maria Quitéria, pós-guerra para a Mulher Brasileira” e “Os tempos de Paz” onde visita mais de 8 mil jovens da rede pública baiana falando sobre a luta pela preservação da Paz e como estar pronto para os momentos de conflito, acidentes naturais e outras diversidades, uma das grandes preocupações da heroína Maria Quitéria após casar-se e ter sua filha Luiza e poder viver novamente os tempos de paz.

Ela explica que a partir de um estudo mais aprofundado sobre o legado que se deixa pós-guerra, viu-se que a história da mulher brasileira está dívida antes e depois de Maria Quitéria, pois, numa época onde mulher não tinha voz na sociedade, nem falava em público, a heroína ao ser condecorada pelo Príncipe Regente D. Pedro I, ela pediu que fosse chamada às enfermeiras que cuidarão dos doentes na guerra e, a partir daí, a sociedade feminina tomou um novo rumo. A mulher passou a ter direito de voz, direito à segurança, educação, saúde e informação, direto de trabalho igualitário, direito aos bons tratos, direto a constituir família, direito ao respeito e à sobrevivência, etc.

Ainda muito preocupada, Maria Quitéria sofreu um momento de “depressão” por olhar aquela sociedade, vivendo tão despreocupada com o futuro, o despreparo para os acidentes naturais coletivos que são muitos semelhantes ao de uma guerra, etc. Uma nova sociedade  que se formava com muito consumismo, sem informações históricas, do que fomos, e o seremos e, como 1 Mulher a entrar em combate 1823, a ser reconhecida por assentar Praça numa Unidade Militar das Forças Armadas Brasileiras, promovida ao posto de Cadete na Bahia, condecorada com a Imperial Ordem do Cruzeiro, pelo Imperador D. Pedro I e reformada com o Soldo de Alferes (ou seja, 2ª tenente) onde ela passaria a receber um toque especial durante toda a sua vida e ter seu seus feitos comparados ao da heroína e padroeira da França, Joana Darc, chefe militar da Guerra dos Cem Anos, tratou de deixar um legado para a sociedade Feminina Brasileira e uma grande reflexão sobre viver preparado para as adversidades da vida, preocupação esta que fez nossa artista Celiah Zaiin abraçar essa causa.

Em 21 de agosto de 1853, Maria Quitéria de Jesus Medeiros (a primeira mulher brasileira a ingressar na carreira militar no Brasil) falece, aos 61 anos de idade, quase cega, fato totalmente mantido em anonimato.

Os restos mortais de Maria Quitéria de Jesus Medeiros estão sepultados na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento e Sant’Ana, no bairro de Nazaré em Salvador.

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