Banco do Nordeste anuncia financiamento à instalação de usina fotovoltaica no Médio São Francisco

Usina Solar Fotovoltaica será implantada na região de Juazeiro e Petrolina.
Usina Solar Fotovoltaica será implantada na região de Juazeiro e Petrolina.
Usina Solar Fotovoltaica será implantada na região de Juazeiro e Petrolina.
Usina Solar Fotovoltaica será implantada na região de Juazeiro e Petrolina.

Nesta segunda-feira (15/04/2019), durante visita da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, aos municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), no Médio São Francisco, o Banco do Nordeste anunciou financiamento para instalação de  usina fotovoltaica, com capacidade de geração de energia de 4,5 megawatts. O empreendimento atenderá aproximadamente 2.500 moradores da região no bombeamento de água do Rio São Francisco para fruticultura. O investimento total do projeto é de R$ 24,9 milhões, dos quais R$ 22,4 milhões serão financiados pelo BNB, por meio da linha de crédito FNE Sol, ao Distrito de Irrigação de Maniçoba (DIM), localizado em Juazeiro. A instalação da usina fotovoltaica beneficiará 625 produtores rurais.

“Entre os compromissos do Banco com a promoção do desenvolvimento regional está apoiar a irrigação por meio de fontes de energia renováveis. Este é um bom exemplo de como isso é possível, pois atualmente o custo médio mensal com energia elétrica do Distrito é de aproximadamente R$ 5,4 milhões por ano, o que representa mais de 50% dos recursos arrecadados pelos produtores. Com o FNE Sol, eles poderão reduzir custos e aumentar a capacidade de investimento em infraestrutura em benefício dos irrigantes assentados”, frisou o presidente do BNB, Romildo Rolim. Ele destacou que os equipamentos a serem adquiridos possuem vida útil estimada superior a 20 anos e que no horizonte de cinco anos o financiamento estará quitado.

Existem sete perímetros irrigados implantados pela Codevasf nos municípios de Juazeiro e Petrolina, totalizando mais de 51 mil hectares irrigáveis. O Perímetro Irrigado de Maniçoba possui 9,4 hectares irrigáveis, dos quais 8,6 hectares são explorados por 625 produtores, gerando 6 mil empregos diretos e mais 18 mil empregos indiretos, com faturamento anual da ordem de R$ 277 milhões. Na área é realizado cultivo de manga, cana-de-açúcar, uva, coco, melancia, entre outras variedades.

“Investimentos em fontes renováveis de energia são muito importantes, especialmente para um setor como a fruticultura, que tem na energia elétrica um dos itens mais caros da produção. Portanto, estou muito feliz de estar hoje aqui com o Banco do Nordeste, trazendo uma energia limpa e moderna para que os produtores dessa região possam avançar cada vez mais”, afirmou a ministra Teresa Cristina.

Política Nacional de Irrigação

O presidente Romildo Rolim também apresentou à ministra Teresa Cristina diagnóstico realizado pelo BNB acerca da irrigação do Nordeste. Intitulado “Apoio do Banco do Nordeste à Agricultura Irrigada e à Política do Governo Federal na Região Nordeste”, o estudo deve balizar uma Política de Irrigação Nacional, que o Governo Federal pretende formular.

Agenda do dia

O presidente do BNB, Romildo Rolim, e a ministra Tereza Cristina participaram também de encontro com lideranças ligadas à produção de cana-de-açúcar, frutas, avicultura e pecuária no Sindicato Patronal Rural de Petrolina.

Em Juazeiro, foram à Estação de Bombeamento Principal e à Fazenda Special Fruit no Distrito de Irrigação de Maniçoba, que produz frutos com baixa utilização de agroquímicos. Na oportunidade, Romildo Rolim apresentou dados sobre investimentos na Região, com destaque à concessão de crédito para investimentos em energia fotovoltaica.

Em 2018, no total, o Banco contratou mais de 344 mil operações de crédito em Pernambuco e aplicou R$ 5,2 bilhões na economia do Estado. Deste valor, 33% foi destinado ao setor agrícola. Somente em Petrolina, foram investidos R$ 114,3 milhões, distribuídos em 3,3 mil operações.

Já na Bahia, foram mais de 685 mil operações realizadas, somando mais de R$ 10,8 bilhões investidos, dos quais 53% injetados na agricultura, pecuária e agroindústria. Apenas em Juazeiro, foram aplicados R$ 373,4 milhões, pulverizados em 4.230 operações de crédito.Com a soja americana mais cara devido às tarifas de Trump, chineses se voltam ao Brasil para suprir demanda interna. Temor é que novas áreas de cultivo elevem desmatamento na savana com maior biodiversidade do mundo.

A guerra comercial iniciada há um ano entre as duas maiores potências do mundo, Estados Unidos e China, deixa efeitos colaterais entre produtores de uma importante commodity americana: soja.

Desde que os chineses deixaram de comprar dos americanos devido às sobretaxas impostas por Donald Trump, produtores dos EUA amargam perdas com a soja estocada. Dados do governo americano apontam que aproximadamente 100 milhões de toneladas estão empacadas – o equivalente a 80% do total colhido no país em 2018.

E é ao Brasil que a China, maior compradora de soja do mundo, está se voltando para suprir a demanda interna.

“A briga entre China e Estados Unidos deu uma alavancada nos preços e nos valores aqui no Brasil””, confirma Antonio Galvan, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

No ano passado, as exportações brasileiras para a China cresceram 35%. No mesmo período, oito em cada dez toneladas da soja produzida no Brasil e exportada tiveram o gigante asiático como destino.

A euforia, no entanto, é discreta. “Mais dia, menos dia, a safra contida nos EUA vai sair para o mercado”, diz Galvan. Ou seja, com excesso do produto circulando, os preços devem cair.

Uma preocupação diferente vem de outro setor da sociedade. Com as vendas em alta, novas áreas plantadas poderiam avançar sobre mata nativa brasileira.

“Quase metade da soja brasileira hoje é produzida no cerrado. E ainda não existe um acordo de mercado que barre a compra desse grão que venha da conversão de vegetação nativa do cerrado”, lembra Aline Soterroni, pesquisadora do instiuto Iiasa, da Áustria.

Segundo cálculos feitos por Fernando Ramos, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e pela pesquisadora Soterroni, 70 mil hectares adicionais de mata nativa podem sumir por ano exclusivamente por conta dessa demanda extra de soja, além do que é desmatado anualmente para pecuária e agricultura.

Dados sobre o mapeamento da soja apontam que o cultivo tem crescido entre 500 mil a 1 milhão de hectares por ano no país. Desse total, estima-se que até 150 mil hectares tenham avançado sobre mata nativa, provocando desmatamento.

Mais da metade do cerrado já foi devastado. “Se as projeções se confirmarem, o bioma vai desaparecer rapidamente, e os impactos podem ser irreversíveis”, alerta Ramos. O cerrado é a savana mais rica em biodiversidade do mundo, e o berçário de importantes bacias hidrográficas no país.

Paulo Barreto, pesquisador do Instituto Amazônico do Homem e Meio Ambiente (Imazon), diz, no entanto, que traçar essas relações de causa e efeito é complexo. “Normalmente, estudos mostram que quando há aumento de preço (da soja, no caso), isso leva ao desmatamento no ano seguinte”, afirma.

Segundo Barreto, ainda é difícil mensurar se a guerra comercial entre os gigantes da economia global tenha levado à destruição de mais florestas no Brasil: “Existe ainda muita incerteza de quanto tempo essa disputa entre China e EUA vai durar”.

Moratória da soja

Em discussão há algum tempo, o veto à comercialização de soja produzida em áreas abertas ilegalmente no cerrado ainda não decolou. A proposta segue os moldes da moratória da soja na Amazônia, em vigor desde 2006 e avaliada como bem-sucedida por pesquisadores e produtores.

“Existem elementos técnicos à disposição para apoiar o monitoramento de uma moratória da soja no cerrado”, afirma Claudio Almeida, coordenador do sistema de monitoramento do via satélite feito pelo Inpe.

“Essa moratória seria muito bem-vinda para colocar um ordenamento no plantio de grãos, e discutir publicamente como ocupar essa área do cerrado”, complementa Almeida.

Imagens de satélites são usadas para acompanhar a cobertura do bioma cerrado desde 2010. Em 2018, 6.657 quilômetros quadrados foram desmatados, o equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Ainda assim, a taxa caiu 11% em relação ao ano anterior.

Tasso Azevedo, coordenador técnico do Observatório do Clima e coordenador geral do MapBiomas, confirma que, em tese, a busca chinesa por mais soja brasileira pode levar ao desmatamento no cerrado. “A pressão no bioma já é grande. Mas, nesse momento, tem mais a ver com os sinais dados pelo governo para essa questão”, pondera Azevedo, chamando o fenômeno de “desmatamento especulativo”.

“As pessoas estão crentes de que haverá mais uma perdão para ilegalidade mais na frente. Os sinais estão sendo dados”, exemplifica o pesquisador, mencionando a articulação do governo Jair Bolsonaro para rever e perdoar multas ambientais.

Por enquanto. A Aproja não considera implantar uma moratória para o cerrado, segundo posicionamento oficial em discussões com outros setores. Segundo Antonio Galvan, a busca da China por mais soja brasileira devido ao embate com os EUA não vai impulsionar a destruição ambiental no país.

“Não tem o menor risco de isso acontecer”, diz à DW Brasil. O motivo seria o custo. “Em Mato Grosso, a soja hoje não remunera o custo de produção. Não existe vontade de aumentar área plantada nem em áreas de pastagem. Imagine em novos desmatamentos”, afirma.

Nathália Nascimento, doutoranda do Inpe associada à Universidade de Bonn, na Alemanha, tem um olhar diferente. Com base em entrevistas com pequenos produtores e em modelagens de computador, ela considera que o atual cenário pode, sim, aumentar o desmatamento.

“O efeito do aumento no preço da soja provoca uma dinâmica de mercado de terra que pode influenciar o desmatamento indireto”, comenta. Isso quer dizer que, para aumentar a produção, os grandes proprietários, mais capitalizados pelo lucro maior provocado pelo aumento do preço, negociam terras com produtores menores que, por sua vez, avançam para áreas ainda com remanescentes florestais.

Os produtores de soja, ressalta Nascimento, não agem por impulso. “É uma atividade que demanda capital, investimento em tecnologia, mão de obra especializada”. Por outro lado, quando não há pressão financeira para que a legislação seja cumprida, o aumento do preço do produto no mercado se torna mais atraente que o risco de ser punido.

“Ou seja, o retorno econômico de uma infração é superior à punição. Por isso que é preciso controlar a cadeia produtiva para diminuir a ilegalidade”, afirma, sobre a importância da moratória da soja no Cerrado e na Amazônia.

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