Rio de Janeiro: Investigações do caso Marielle Franco terão segunda etapa, avisa delegado; É preciso descobrir mandantes, além do paradeiro do carro, diz Giniton Lages

Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz suspeitos do assassinato de Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) e Anderson Pedro Gomes negam envolvimento no caso.
Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz suspeitos do assassinato de Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) e Anderson Pedro Gomes negam envolvimento no caso.
Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz suspeitos do assassinato de Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) e Anderson Pedro Gomes negam envolvimento no caso.
Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz suspeitos do assassinato de Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) e Anderson Pedro Gomes negam envolvimento no caso.

O delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, afirmou terça-feira (12/03/2019) que haverá uma segunda etapa de investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. Nesta fase, serão investigados possíveis mandantes do crime e o paradeiro do carro utilizado no dia do assassinato.

De acordo com Lages, nesta segunda etapa será investigada ainda a motivação do atirador, uma vez que os policiais identificaram que Ronnie Lessa, policial militar reformado detido (12), nutria ódio contra pessoas de esquerda e havia pesquisado informações de Marielle e o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), entre outros.

“O perfil dele [Ronnie Lessa] revela uma obsessão por determinadas personalidades que militam à esquerda política”, disse Lages. “Você percebe ódio e desejo de morte. Você percebe o comportamento de alguém capaz de resolver uma diferença do modo como foi o caso Marielle.”

Segundo o delegado, as apurações não se encerram nas prisões do sargento reformado Ronnie Lessa e do ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, realizadas nas primeiras horas desta terça-feira (12).

“O caso ainda está em aberto. Estamos entregando a primeira fase, e a segunda ainda está em andamento”, disse o delegado, que lembrou que hoje foram cumpridos também 34 mandados de busca e apreensão referentes ao caso.

Indiciamentos

O delegado informou que Lessa e Vieira foram indiciados com os agravantes de impossibilitar a defesa da vítima, emboscada e motivo torpe. “O crime de ódio, segundo doutrina, encaixa no motivo torpe”.

O delegado defendeu o sigilo das investigações como imprescindível e disse que o modo como o crime foi executado levou a concentração por parte dos policiais nos preparativos para o assassinato e na fuga.

“Como fizeram um crime praticamente perfeito, temos que inverter a ordem das coisas: não é dos vestígios para os autores, mas dos autores para os vestígios”, disse o delegado.

Mobilização

O caso Marielle e Anderson mobilizou 47 policiais civis dedicados exclusivamente. Mais de 5,7 mil páginas de investigação foram produzidas, em um inquérito que tem 29 volumes e ouviu 230 testemunhas. O número de linhas telefônicas interceptadas chega a 314.

“Não quero que o caso Marielle e Anderson se repita. Esse é o maior motivo da nossa dedicação nesse tempo todo. É fazer com que a resposta chegue para mandar recado. O crime Marielle e Anderson não pode se repetir. Esse caso não pode ficar sem resposta, é muito perigoso ficar sem resposta”.

De acordo com o delegado, indícios mostram os suspeitos foram “muito treinados”. Segundo ele, o cuidado em permanecer no automóvel, um Cobalt, desde o deslocamento na orla da Barra da Tijuca às 17:20 horas até o momento do crime entre 21:09 horas e 21:12 horas.

O percurso foi captado por uma série de câmeras da cidade, e o delegado disse que foi afastada a hipótese de que o desligamento de câmeras nos arredores do local do crime tivesse relação com os assassinos.

Nesse período em que os assassinos estavam esperando, uma assessora de Marielle chegou a pôr a mão na maçaneta no carro deles, confundindo o veículo com o Uber que ela estava esperando.

Clonagem

Para identificar o carro usado no crime, os policiais chegaram a procurar proprietários de Chevrolet Cobalt Prata de modelo LS no Rio de Janeiro. Ao todo, 443 carros desse tipo foram identificados na cidade e 126 form mapeados como possibilidades. “Trabalhamos neles um a um”, disse o delegado, que descobriu que o carro usado foi clonado a partir de um veículo de propriedade de uma cuidadora de idosos na zona sul.

O caso fez com que 190 pessoas procurassem o Disque Denúncia até agosto do ano passado para dar informações que poderiam estar relacionadas. O delegado disse que, apesar de nenhuma delas ter apontado os responsáveis pelo crime, esses dados ajudaram a apontar diretrizes para a investigação.

O delegado afirmou que não foi identificada relação alguma de Ronnie Lessa com a família do presidente Jair Bolsonaro. “O fato de ele morar no condomínio de Bolsonaro não diz muita coisa para a investigação da Marielle”, disse. “Ele não tem uma relação direta com a família Bolsonaro. Nós não detectamos isso.”

Lages destacou sua satisfação em apresentar parte dos resultados da investigação e disse que os policiais tiveram que lidar com muita “contrainteligência que existe com objetivo de desviar o foco e desequilibrar a equipe”.

Suspeitos do assassinato negam envolvimento no caso

Os advogados de Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz, suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, negaram hoje (12) o envolvimento de seus clientes no caso. Logo após a prisão, Lessa e Viana receberam a visita dos advogados, na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ambos os suspeitos estão na delegacia, mas se recusaram a prestar depoimento, de acordo com informações divulgadas por policiais no início desta tarde.

“O Elcio não estava nem nesse dia. Eu tenho certeza de que não tem foto dele no carro e muito menos gravação dele nesse dia lá. E tenho certeza de que a vítima que sobreviveu não vai reconhecer o meu cliente”, disse Luís Carlos Azenha, advogado do ex-policial militar.

Viana foi expulso da corporação após ser preso na Operação Guilhotina, que investigou policiais civis e militares acusados de corrupção e de manter ligações com traficantes. “Ele não foi condenado na Operação Guilhtiona. Ele estava pleiteando o seu reingresso na PM”, contestou Azenha.

Informações

O advogado de Lessa, Fernando Santana, disse que só conversou com seu cliente rapidamente depois da prisão e que ele nega a participação no crime. “Ele nega de forma veemente que tenha feito qualquer tipo de assassinato. Ainda vou ter acesso ao inquérito, não tive oportunidade de ter. Primeiro estava em segredo de justiça, agora que nos peticionamos, eu e minha equipe, pra poder ter ideia de como chegou à prisão do Ronie Lessa”.

Durante toda a manhã, carros carregados de documentos chegavam à delegacia da Barra da Tijuca. Frutos da execução de 34 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

Pela manhã, houve a informação que Lessa e Viana teriam prestado depoimento. Mas, no começo da tarde, policiais disseram que eles se negaram a prestar esclarecimentos.

Prisão

Os suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e o motorista Anderson Gomes, em 14 de março do ano passado, foram presos na madrugada de hoje em operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ronie Lessa é policial militar reformado e Elcio Vieira de Queiroz foi expulso da Polícia Militar.

*Com informações da Agência Brasil.

Delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro.
Delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro.
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