Interregno democrático: a releitura de uma ilusão | Por Leonardo Pedreira

Ilustração sobre ilusão da democracia.
Artigo aborda a ilusão da democracia.
Ilustração sobre ilusão da democracia.
Artigo aborda a ilusão da democracia.

É estranho, e não deveria ser, mas, as palavras “liberdade” e “democracia” parecem ter ocupado um lugar na história contraditório e distantes do seu real significado. Mas, para programa tecnológico do tipo operacional do que de sociedade voltado para governos e pessoas.

As intervenções diplomáticas por um valor universal de liberdade e democracia no Brasil e em especial, neste momento na Venezuela, significam algumas coisas, porém, em especial, um desperdício de esforço intelectual, na medida que, qualquer coisa que tenha como objetivo a busca por um valor universal, não diz respeito a história. E isto é simples. Conforme as características dos períodos históricos relativas ao grau de consciência da humanidade, ao desenvolvimento das forças produtivas, ao grau de civilização, a produção intelectual varia e tem sua peculiaridade histórica, deste modo, qualquer intervenção externa de implantar conceitos quaisquer que sejam em determinadas sociedades, seria o mesmo que imaginar que, fosse possível instalar um programa digital nos governos e, por tanto, em seus governados e como máquinas, esperarmos que respondam exatamente como em outros lugares, ou máquinas.

O charlatanismo democrático atual segue um princípio antigo de modelo social-democrata em que, no seu discurso de “Estado do povo inteiro”, ou seja, a ideia de que o Estado deveria ser a representação da sociedade civil, isto é, de todo o povo, quando na verdade, a sociedade civil, não é mais do que a hegemonia do interesse particular. Interessante observar que, na língua alemã, sociedade civil e sociedade burguesa são expressas pela mesma palavra. Uma mentira muito bem elaborada, facilmente comprada e divulgada por diversos setores da sociedade, algumas vezes, da própria esquerda. Como no caso das últimas eleições presidenciais, em especial, no Brasil.

Neste contexto de crise mundial, de ideias e de representações, observamos uma completa derrota de uma literatura democrática possível e seu total afundamento.

A leitura da História é tão mágica quanto a literatura encantada de Harry Potter, nos dando a possibilidade de visitando os seus livros, utilizar o “vira-tempo” um dispositivo usado para a viagem no tempo, e que se assemelha a uma ampulheta em um colar. Sendo assim, convido a voltarmos ao ano de 1945 e vejamos como o desfecho da II Guerra Mundial assinalou o começo de uma revolução democrática. Interessante notar que, o episódio histórico em questão permitiu aquilo que podemos chamar de “florescimento democrático” nos países imperialistas. Um fato curioso, pois, o imperialismo, era e é, nada mais que a negação da ideia de democracia, na medida que, negava e continua negando completamente a democracia nos países por eles explorado e oprimidos.

Esta recolocação do conceito de democracia imperialista serve exatamente para uma função política excepcional, a de combater revoluções proletárias, movimentos operários e sociais e governos que contribuem para o avanço neste sentido.

Interessante assinalar que, utilizando ainda mais o “vira-tempo”, cheguemos ao caso do Paraguai, país unicamente independente da América Latina no período da emancipação de Espanha e Portugal. Paraguai foi uma nação independente, como também, uma ditadura que, após os exércitos do Brasil, Argentina e Uruguai acabarem com a ditadura e, por conseguinte, com a independência do Paraguai, este país conheceu a democracia. Uma democracia somente de mulheres pois os homens haviam sido mortos com a carnificina do exército “democrático”. Alguma semelhança com a atualidade?

O imperialismo norte-americano segue com o antigo projeto de, através de suas palavras de ordem democráticas, colocar a América latina ao seu reboque e, com o resultado das eleições presidenciais, isto se tornou um prato cheio.

Este é um importante momento de interpretação de uma leitura exaustiva das questões democráticas, pois, assim como para o movimento dos trabalhadores e sociais as palavras democráticas dizem a respeitos dos direitos democráticos da massas e, são um passo na luta por uma revolução das condições sociais que transforme a sociedade em conjunto, para o imperialismo presente e crescente em nosso país e no mundo, a questão democrática e suas liberdades é um interregno.

*Leonardo Pedreira ([email protected]).

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