Greve dos professores da rede municipal de Feira de Santana é debatida no Poder Legislativo

Marlede Oliveira, indicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB Feira de Santana).
Marlede Oliveira, indicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB Feira de Santana).
Marlede Oliveira, indicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB Feira de Santana).
Marlede Oliveira, indicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB Feira de Santana).

A Câmara Municipal de Feira de Santana debateu nesta segunda-feira (11/03/2019) a greve promovida, por tempo indeterminado, pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB Feira de Santana).

APLB de Feira de Santana usa a tribuna livre para protestar contra o Município

Nesta segunda-feira (11/03/2019) o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB-Feira de Santana) decretou greve por tempo indeterminado. A diretora da APLB- Feira, Marlede Oliveira, fez uso da tribuna livre para criticar o sistema municipal de educação.

Segundo a diretora, a categoria está em campanha salarial desde novembro do ano passado. Além do reajuste salarial de 4,7%, os professores pedem uma reformulação do Plano de Carreira Unificado, o aumento da Função Gratificada (FG) dos diretores, que hoje está no valor de R$ 176, e a reabertura das negociações sobre os precatórios do FUNDEF.

“A greve é legitima, estamos respaldados pela constituição. Feira de Santana tem um governo que não honra com a sua palavra. Em 2016 fizemos um acordo que até hoje não foi cumprido”, falou explicando o motivo da greve. “Nas escolas faltam carteiras, merendas, professores não recebem qualificações profissionais, sequer possuímos um estatuto do magistério. Isso é vergonhoso”, listou Marlede.

Ainda na tribuna, ela teceu críticas à postura do prefeito Colbert Martins Filho em relação aos protocolos emitidos pela APLB solicitando audiências com o mesmo. “O prefeito não respeita a categoria. Ele presta declarações na imprensa dizendo que a nossa luta é uma questão partidária, mas não. Só quem pisa na sala de aula diariamente sabe o que eu estou falando. Vivemos um caos na educação, os professores sofrem junto. Não estamos brincando de greve. Colbert, para com esse discurso mesquinho. O povo não te elegeu para estar ameaçando e intimidando profissionais. Exerça o seu papel de governante. Queremos um diálogo”, cobrou.

Ao finalizar, a grevista afirmou que os professores da rede municipal continuarão com as atividades paralisadas até que a situação seja resolvida. “Vamos resistir a truculência, aliás, estamos lutando contra os abusos desse governo há anos. Não vamos desistir agora, não é mesmo? Tentam desvalorizar as nossas lutas comparando Governo Municipal e Estadual, porém isso não funciona. Queremos mudança já! ”, concluiu sob aplausos dos colegas.

Roberto Tourinho se solidariza com greve dos professores

O vereador Roberto Tourinho (PV) manifestou seu apoio a classe e a professora Marlede Oliveira, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) – que utilizou a tribuna livre da Casa para discorrer sobre o assunto. Para o vereador, o prefeito Colbert Martins vem agindo de forma contrária a postura que mantinha durante seus mandatos como deputado. “Quando defendia os interesses dos servidores, dos professores”, reforçou o edil. Tourinho ressaltou que “causa muita estranheza” o prefeito dizer que é uma greve política. “Seguramente o Colbert que está na prefeitura não é o mesmo que se elegeu deputado. Está fazendo isto apenas para agradar a Zé Ronaldo, que nunca gostou dos professores”, frisou.

José Menezes reconhece legitimidade da greve dos professores

Concordando com o discurso proferido pela diretora da APLB Feira de Santana, Marlede Oliveira, o vereador José Menezes (Zé Filé, PROS) criticou o Governo Municipal. “A Prefeitura deveria se envergonhar da educação que oferece aos feirenses”, disparou.

O edil parabenizou os professores pela organização e garra de protestar pelos seus direitos perante o governo. “Infelizmente vocês tiveram que parar suas atividades para vir aqui em busca do que lhes pertence por direito. O ideal é que os educadores recebessem o que foi acordado. Infelizmente, em Feira de Santana as coisas são complicadas. Mas quero dizer que estou do lado certo, do lado dos profissionais que se dedicam a educar nossos filhos e netos. Vocês cuidam do nosso futuro e do nosso presente ao mesmo tempo. Acho muito injusto uma professora ter o seu salário reduzido quando se torna diretora da escola”, analisou.

Zé Filé informou que tem visitado diversas escolas municipais em Feira de Santana e seus distritos. “Quando subo para criticar as estruturas das escolas sei exatamente o que estou falando. Escolas tem telhados prestes a cair. Alunos sem merenda, como irão prestar atenção na aula? Isso não é de agora. Recentemente a prefeitura tomou um empréstimo milionário. Certamente não aplicarão na saúde e educação”, lamentou.

Gilmar Amorim sugere amplo debate com APLB

O vereador Gilmar Amorim (PSDC) evidenciou a necessidade de uma discussão ampla sobre a greve dos professores da rede municipal. Ele ressaltou que não é hora de se promover, mas de debater o interesse em comum. Amorim sugeriu uma reunião com os vereadores, o prefeito Colbert Martins, a secretária de Educação Jayana Ribeiro e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB).

Eremita Mota apazígua atritos entre Prefeitura e APLB

O protesto dos professores da rede municipal norteou o discurso da vereadora Eremita Mota. A edil, que foi professora por anos, reconhece o direito dos professores. “Sei as dificuldades que enfrentamos nas salas de aulas. Os professores estão exercendo o direito deles. A greve é legitima”, defendeu.

Como presidente da Comissão de Educação e Cultura, Eremita informou aos presentes que entrou em contato com o prefeito Colbert Martins da Silva, e este solicitou uma audiência emergencial com a comissão e representantes da APLB-Feira.

“Em uma situação como essa o mais importante é neutralizar os efeitos negativos. Compreendo o lado dos professores. Convido Marlede e mais três para nos reunimos com o prefeito. O diálogo é a solução para tudo. ”, concluiu.

Crianças sem aulas

Vereador vereador Isaías dos Santos (Isaías de Diogo, PSC)questionou as verdadeiras intenções dos organizadores da greve dos professores da rede municipal. “Milhares de crianças amanheceram sem aula hoje. Isso é correto? Essa greve é partidária, sim. Por que a APLB não fica contra o Estado, quando ele não aumenta os salários dos professores da rede estadual? Vejo uma luta unilateral. São dois pesos, duas medidas”, ironizou.

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