Feira de Santana: Militante da causa negra, Lurdes Santana vê avanços, retrocessos e estagnações

Lurdes Santana, militante da causa negra.
Lurdes Santana, militante da causa negra.
Lurdes Santana, militante da causa negra.
Lurdes Santana, militante da causa negra.

Nas última três décadas, a história do movimento negro de Feira de Santana caminha intensa e paralelamente com a militância de Lurdes Santana, conhecida pela disposição de ir à luta – e não apenas no sentido figurado, na defesa da causa dos negros. “Comecei a militar em 19 de outubro de 1987, durante reuniões preparatórias para as comemorações do Novembro Negro daquele ano”. Foi levada pelas mãos dos cantores Gilsan e Dionorina e o professor Anunciação. Tomou gosto pela coisa.

Nestes trinta anos diz ver avanços na comunidade negra, estagnações e retrocessos. Cita, como avanços, leis municipais que beneficiam a comunidade negra. “Feira de Santana estava na dianteira (foi a segunda cidade do país a aprovar esta lei) quando destinou para os negros 30% das vagas nos concursos que promove. Isto é uma política afirmativa, sim”. A reserva colocou muitos negros no serviço público. “Isto melhora a qualidade de vida de todos”. Lurdes Santana preside o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento de Comunidades Negras e Indígenas e do Núcleo Cultural Odungê.

O preconceito em todas as suas vertentes, comenta a militante, ainda é uma chaga a ser curada pela sociedade. Para tanto, os negros devem se posicionar para enfrenta-la eficientemente. “E a educação é a ferramenta eficiente que deve ser usada. Quanto mais jovens negros buscarem a cultura, o conhecimento, menos expostos ao preconceito vão estar. E saberão como responder estes ataques à altura”. É por meio da educação que os degraus sociais são vencidos.

Afirma que a realidade do mundo é outra e vem se abrindo positivamente para o negros. “Hoje a gente vê muitos negros cursando um faculdade. Mais médicos, advogados e professores vindos das classes mais baixas, onde os negros predominam. “Os negros, mesmo que muitos digam o contrário, vem se destacando. Não como deveria, mas a presença em todos os setores da sociedade está aumentando. Isto é resultado do acesso à educação”. A transformação, diz, está relacionada à educação e ao trabalho em conjunto das entidades que lutam nesta causa.

E a tendência, diz, é aumentar a presença dos negros em todos os setores da sociedade. “Vai demorar anos, mas vamos perseguir este objetivo. Para tanto, a gente precisa, deve se organizar, deixar a política partidária de lado, que nos divide, e nos voltarmos para a efetiva política social. Andamos para frente mas tenho consciência de que muito ainda precisa ser feito. Mas vivemos num mundo melhor do que há 30 anos. Neste período cresci pessoalmente, como tantos outros negros. Foram décadas de enriquecimento pessoal”.

Cita a violência que vitima muitos jovens negros, a intolerância religiosa como pontos a ser mudado. “A transformação passa pela mudança de comportamento, de atitudes. A gente precisa se voltar contra tudo isso”. Em Feira de Santana, dezenas de grupos militam nesta causa, existem mais de 1,8 mil casas de santo e milhares de adeptos de religiões de matriz africana. O paraíso por nome de Feira ainda não o é para os negros. Mas já foi bem pior.

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Sobre Carlos Augusto 9615 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).