Feira de Santana: Especial Dia da Mulher; Mãe e filhas mecânicas enfrentam preconceito devido a profissão

Joslaine, que cursa o sétimo semestre de engenharia mecânica, e sempre quis consertar automóveis.
Joslaine, que cursa o sétimo semestre de engenharia mecânica, e sempre quis consertar automóveis.
Joslaine, que cursa o sétimo semestre de engenharia mecânica, e sempre quis consertar automóveis.
Joslaine, que cursa o sétimo semestre de engenharia mecânica, e sempre quis consertar automóveis.

Mecânica no imaginário masculino é profissão para homens. Não é bem assim que pensam três mulheres de uma mesma família, que escolheram ganhar a vida consertando automóveis, desmontando e montando motores, mexendo com graxa, parafusos, arruelas, chaves de todas as bitolas. Mãe e duas filhas há alguns anos criaram a “Troca de óleo das meninas”, no bairro São João, antigo Campo do Gado Velho.

Quem primeiro se profissionalizou foi Erbani Souza Santos, incentivada pelo avô dela, Severino. Depois vieram as filhas Geisiane e Joslaine Santos, que receberam o apoio da mãe e do padrasto Evonilton Alves, também mecânico. Depois de idas e vindas em empregos diversos, se convenceram que se sentiam ainda mais felizes com as mãos sujas – para elas é satisfação – de graxa, observando o ronco de um motor.

Dá para trabalhar com tranquilidade

A mãe não desejava que as filhas se tornassem mecânicas. Mas a determinação delas – com o toque suave do destino – foram maiores do que a vontade de Erbani. “A atividade era muito pesada, precisava de força e fiz muito esforço. Hoje sinto no corpo aquele serviço. E não queria isso para elas. Mas agora tudo está muito leve e dá para a gente trabalhar com tranquilidade”.

“É na oficina onde a gente se realiza”

Geisiane conta que ela e a irmã tinham a oficina como porto seguro para os períodos quando estavam desempregadas. “Depois de muitas idas e vindas resolvemos que era aqui onde a gente se realiza”, diz a moça, que é uma das baianas com certificado de lubrificadora emitido pela Petrobras. E juntaram suas forças e talentos para abrirem o negócio. Isto aconteceu há cerca de cinco anos. E não se arrependem da decisão.

Joslaine cursa o sétimo semestre de engenharia mecânica

Os cursos de mecânica realizados no Sesi também as ajudaram no encorajamento para abrir seus próprios negócios. Antes, passaram por outros empregos, mas nada que as satisfizessem. Mais do que ter a oficina para chamar de sua, Joslaine, que cursa o sétimo semestre de engenharia mecânica, disse que sempre quis consertar automóveis.

Mulheres à frente de oficina, mesmo com a competência comprovada, enfrentam preconceito. “Tem um homem que mora no bairro que disse que a gente nunca tocaria no motor do carro dele. A gente agradece”, afirma Geisiane. Outro ponto é com relação a questionamentos, não menos preconceituosos, quanto a opção sexual delas. Ambas têm namorados.

Sabem o que fazem e com um preço justo

O economista Desdete Moraes é um dos muitos clientes do trio de mecânicas. Há cerca de dois anos passou a entregar seus veículos à Troca de óleo das meninas. E revelou que não se arrependeu. “Confio nelas que têm competência, sabem o que fazem e com um preço que considero justo”. Vaidosas, soltaram os cabelos no momento da fotografia. E não estão nem aí para as desconfianças ou preconceito. “O que nos importa é a qualidade dos nossos serviços”.

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