Conflito entre governistas e opositores ocorre na Venezuela; Apagão causa morte de 15 pacientes renais

Protesto contra governo do presidente Nicolás Maduro ocorreu em 9 de março 2019, em Caracas, na Venezuela.
Protesto contra governo do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, Venezuela.
Protesto contra governo do presidente Nicolás Maduro ocorreu em 9 de março 2019, em Caracas, na Venezuela.
Protesto contra governo do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, Venezuela.

A polícia venezuelana utilizou gás lacrimogêneo para dispersar uma manifestação convocada para este sábado (09/03/2019), em Caracas, pelo líder da oposição e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Os manifestantes recuaram, mas optaram por permanecer nas imediações do local marcado para a realização da concentração, na Avenida Victoria.

Anteriormente, a equipe de Guaidó havia denunciado que não tiveram permissão para instalar um palanque na área, e que três pessoas que transportavam as estruturas foram detidas e o material confiscado.

Guaidó reagiu no Twitter afirmando que o governo de Nicolás Maduro terá “uma surpresa”, já que os opositores continuarão na rua.

“Pretendem gerar desgaste, mas já não têm como conter um povo que está decidido a acabar com a usurpação. E hoje o vamos demonstrar nas ruas”, acrescentou o opositor no Twitter.

A manifestação, convocada em todo o país, faz parte da pressão cada vez maior para forçar Maduro a deixar o poder, que ocupa desde 2013. Além disso, ela acontece depois de um apagão que deixou a maioria dos venezuelanos sem luz.

A eletricidade foi restabelecida na madrugada deste sábado em algumas zonas de Caracas, porém, alguns bairros da capital venezuelana e mais de metade do país continuam sem energia há mais de 40 horas.

Maduro também convocou para este sábado uma concentração na capital venezuelana. Vários apoiadores do presidente em exercício ocuparam as ruas de Caracas, vestidos de vermelho, cor associada à revolução.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o opositor e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumiria os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos, prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres. Cerca de 50 países, incluindo o Brasil e a maioria dos países da União Europeia reconheceram Guaidó como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, afirmou neste sábado que a União Europeia (UE) está disposta, caso necessário, a endurecer as sanções contra o governo de Nicolás Maduro.

“Na União Europeia estamos dispostos a impor sanções adicionais se for necessário”, disse o ministro em entrevista ao jornal berlinense Tagesspiegel.

Maas acrescentou que “é importante que a pressão internacional se mantenha elevada” e afirmou que a UE não participará da tática dilatória usada por Maduro. O apoio da UE ao líder da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, é “irrefutável”, assegurou.

Guaidó havia exigido um endurecimento das sanções contra Maduro, depois que este declarou “persona non grata” o embaixador da Alemanha na Venezuela, Daniel Kriener.

Apagão causa morte de 15 pacientes renais na Venezuela

As vítimas morreram por falta de diálise após a paralisação dos serviços, provocada pela pane elétrica que já dura mais de 48 horas no país. A denúncia foi feita pela ONG Codevida, especializada em questões de saúde, neste sábado (9).

Segundo Francisco Valencia, diretor da organização não-governamental, nove das mortes aconteceram no estado de Zulia, duas em Trujillo, e quatro no hospital Pérez Carreño, em Caracas. “A situação das pessoas com insuficiência renal é crítica. Queremos dizer que 95% das unidades de diálise, que hoje chegariam a 100%, estão paralisadas devido ao corte de luz”, alertou Valencia.

De acordo com ele, a situação é mais dramática nos estados do interior, que vivem cerca de 50 horas de apagão ininterrupto. Em Caracas, houve restabelecimento em alguns setores por algumas horas. Neste sábado, 48 crianças que dependem da única unidade de diálise pediátrica do país não puderam realizar o tratamento, fundamental para pacientes com doenças renais crônicas. Além disso, faltam remédios e outros produtos.

Desde quinta-feira, a Venezuela enfrenta sua pior pane elétrica da história. O governo de Maduro acusa os Estados Unidos e o presidente autoproclamado Juan Guiadó, reconhecido por cerca de 50 países de estarem por trás do apagão. Neste sábado (9), milhares de seus partidários foram às ruas para pedir a realização de novas eleições e a saída de Maduro, que também convocou uma passeata.

Pior crise da história

Sob a gestão Maduro, a Venezuela enfrenta a pior crise em sua história contemporânea, com escassez de medicamentos e uma hiperinflação que chegaria este ano a 10.000.000%, segundo o FMI, o que levou a um êxodo de 2,7 milhões de venezuelanos desde 2015.

*Com informações do DW e da RFI.

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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).