Boaventura de Sousa Santos é entrevistado por Bob Fernandes; Sociólogo analisa contradições do capitalismo contemporâneo e a crise da democracia

Bob Fernandes entrevista o sociólogo Boaventura de Sousa Santos.
Bob Fernandes entrevista o sociólogo Boaventura de Sousa Santos.
Bob Fernandes entrevista o sociólogo Boaventura de Sousa Santos.
Bob Fernandes entrevista o sociólogo Boaventura de Sousa Santos.

Boaventura de Sousa Santos é um dos mais importantes pensadores da atualidade. Português, pesquisa e pensa também a América Latina, em especial o Brasil. Em entrevista concedida no dia 19 de fevereiro de 2019 (terça-feira) ao jornalista Bob Fernandes, o professor, escritor e poeta falou, entre outros assuntos, sobre democracia, fascismo e o último processo eleitoral no Brasil.

O conceito de “fascismo social” foi pensado e desenvolvido por Boaventura e se caracteriza por situações de poder desigual, onde a pessoa que tem mais poder possui o direito de veto sobre o outro. Esse conceito implica na inexistência da ideia de igualdade, justiça e solidariedade. Na entrevista exclusiva, o professor explica o fascismo social que, segundo ele, pode ser percebido nos comportamentos não democráticos existentes em plena democracia.  “Vivemos em sociedades muito injustas, onde as pessoas não podem usar efetivamente os direitos democráticos porque suas ideias não são conhecidas, discutidas ou consideradas relevantes”.

Boaventura comentou ainda o novo livro ‘Esquerdas do mundo, uni-vos!’, publicação que vai entrar agora em segunda edição. “Houve um tempo em que se achava que divididos chegavam mais facilmente ao poder. A situação mudou”, assegura.

Perfil do sociólogo Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos nasceu em Coimbra, a 15 de Novembro de 1940. É Doutorado em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale (1973) e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Universidade de Wisconsin-Madison. Foi também Global Legal Scholar da Universidade de Warwick e Professor Visitante do Birkbeck College da Universidade de Londres. É Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.

De 2011 a 2016, dirigiu o projecto de investigação ALICE – Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências o mundo, um projeto financiado pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), um dos mais prestigiados e competitivos financiamentos internacionais para a investigação científica de excelência em espaço europeu.

Tem escrito e publicado extensivamente nas áreas de sociologia do direito, sociologia política, epistemologia, estudos pós-coloniais, e sobre os temas dos movimentos sociais, globalização, democracia participativa, reforma do Estado, direitos humanos, com trabalho de campo realizado em Portugal, Brasil, Colômbia, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Bolívia e Equador. Os seus trabalhos encontram-se traduzidos em espanhol, inglês, italiano, francês, alemão, chinês, romeno e dinamarquês.

É também poeta. A escrita de poesia foi sempre acompanhando o labor do académico e intelectual público, tendo-se estreado com Antologia de poesia universitária (Lisboa: Portugália, 1962). Publicou em seguida O rosto quotidiano (Coimbra: Almedina, 1966), Têmpera (Coimbra: Centelha, 1980), Madison e outros lugares (Porto: Afrontamento, 1989), Viagem ao centro da pele (Porto: Afrontamento, 1995), Escrita INKZ – Anti-manifesto para uma arte incapaz (Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004. Também publicado em Portugal pelas Edições Afrontamento, em 2007), Janela presa no andaime (Belo Horizonte: Scriptum, 2009); Rap global (Rio de Janeiro: Aeroplano, 2010), Falta de ar em plena estação (São Paulo: Escrituras Editora, 2012), Pomada em pó. Poemas epigramáticos (Rio Tinto: Lugar da Palavra Editora, 2013), e 139 Epigramas para Sentimentalizar Pedras (Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2015); Crônicas de Acabária (Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2017); Manifesto Antipteridófitas (Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2017).

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