No último episódio de ‘O Cinema Sonhado’, Ugo Giorgetti relembra o fim da Embrafilmes e a luta para manter viva a Cinemateca Brasileira

'Nos Caminhos da Vila Madalena' aborda o sucesso de filmes realizados pelas produtoras no entorno da ECA - USP e as dificuldades de se produzir cinema nos anos 1980, explica Ugo Giorgetti.'Nos Caminhos da Vila Madalena' aborda o sucesso de filmes realizados pelas produtoras no entorno da ECA - USP e as dificuldades de se produzir cinema nos anos 1980, explica Ugo Giorgetti.


Dividida em quatro partes, a minissérie O Cinema Sonhado – que aborda as memórias do cinema paulistano do período de 1963 a 1990, com direção e apresentação do cineasta Ugo Giorgetti – estreia seu último episódio, Nos Caminhos da Vila Madalena, na sexta-feira (15/02/2019), às 20h, no SescTV. Profissionais do audiovisual falam sobre um polo de produtoras cinematográficas que teve sua origem na ECA – Escola de Comunicação e Artes da USP – Universidade de São Paulo e se firmaram na vizinhança, nos anos de 1980. O programa trata, ainda, da importância da Embrafilmes e da Cinemateca Brasileira. Assista também em (sesctv.org.br).

Giorgetti conta que parte do cinema gerado na ECA se transferiu para a Vila Madalena, onde os ex-alunos montaram suas produtoras e realizaram seus trabalhos amparados pela Embrafilmes, concebida em 1969, com o objetivo de fomentar a produção e distribuição de obras brasileiras, e extinta em 1990. Segundo o diretor, esses criadores eram estudantes inexperientes no mercado e nunca tinham tido contato com distribuidores e exibidores.

Gira Filmes, Barca Filmes, Super Filmes são algumas dessas empresas que se instalaram na vizinhança da ECA. Com a situação econômica do Brasil deteriorada naquela década, algumas delas tiveram problemas para se manterem. O produtor Cláudio Kahns recorda que a Tatu Filmes, fundada por ele, passou por dificuldades nos dois primeiros anos de existência, quando seus trabalhos se resumiam a vídeos institucionais para a Shell, alguns documentários e alugueis de equipamentos para coproduções.

Mesmo com os tempos difíceis para o cinema paulistano, algumas películas lançadas na época tiveram sucesso, sendo premiadas em festivais no Brasil e no exterior. Dentre elas, A Hora da Estrela (1985), baseada na obra de Clarice Lispector, com direção e roteiro de Suzana Amaral e produção da Raiz Produções Cinematográficas; A Marvada Carne (1985), com direção de André Klotzel, e Feliz Ano Velho (1987), de Roberto Gervitz, baseada no livro autobiográfico de Marcelo Paiva. Estas duas últimas foram produzidas pela Tatu Filmes. “O que a gente estava procurando era fazer um cinema popular de qualidade, um biscoito fino para a massa”, comenta Kahns.

O episódio Nos Caminhos da Vila Madalena aborda, ainda, processos de criações das obras e a contribuição dos ex-alunos da ECA para a Cinemateca Brasileira, criada em 1940. Segundo o produtor Guilherme Lisboa, essa turma se preocupava em conservar, angariar recursos e modernizar a Cinemateca. Em1984, a instituição faliu, mas, com a presença do professor de cinema Carlos Alberto Calil, houve uma absorção do órgão pelo Governo Federal na Fundação Nacional Pró-Memória.

São entrevistados: Zé Bob, diretor de fotografia; Guilherme Lisboa, produtor; Alain Fresnot, diretor e produtor; Cláudio Kahns, produtor; Isa Castro – Diretora Cultural do Museu da Imagem e do Som; Pedro Farkas, diretor de fotografia; Ana Maria Massoci Livieres, empresária; Suzana Amaral, diretora e roteirista; André Klotzel, diretor e produtor; Roberto Gervitz, diretor; Ismail Xavier, professor e escritor; Carlos Augusto Calil, professor de cinema; Olga Futemma, técnica de acervo; e Francisco C. Martins, diretor de cinema.

Uma plataforma gratuita sob demanda

Além do acesso à programação ao vivo do canal, o site do SescTV oferece uma seleção de programas e séries brasileiras que podem assistidas na íntegra, gratuitamente, sem necessidade de cadastro. Basta acessar sesctv.org.br. São shows, documentários, debates e entrevistas, que tratam de temas como arquitetura, literatura, filosofia, teatro, política, sociedade, ética e cotidiano. Dentre os programas estão as séries Arquiteturas e Habitar Habitat, ambas dirigidas por Paulo Markun e Sergio Roizenblit; Estilhaços e HiperReal, dirigidas por Kiko Goifman; Filosofia Pop, dirigida por Esmir Filho e apresentada por Marcia Tiburi; Super Libris, de José Roberto Torero, e Galáxias – Olhares sobre o Brasil, de Isa Grinspum Ferraz.

Sobre o SescTV:

O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua grade de programação é permeada por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com grandes artistas da música e da dança. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras artes também estão presentes na programação.

O produtor Cláudio Kahns recorda que a Tatu Filmes, fundada por ele, passou por dificuldades nos dois primeiros anos de existência, quando seus trabalhos se resumiam a vídeos institucionais para a Shell, alguns documentários e alugueis de equipamentos para coproduções.

O produtor Cláudio Kahns recorda que a Tatu Filmes, fundada por ele, passou por dificuldades nos dois primeiros anos de existência, quando seus trabalhos se resumiam a vídeos institucionais para a Shell, alguns documentários e alugueis de equipamentos para coproduções.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).