No Brasil, o medo toma conta de minorias e militantes, diz jornal francês

O jornal La Croix alerta para as ameaças contra minorias no Brasil, um mês após a posse de Jair Bolsonaro
O jornal La Croix alerta para as ameaças contra minorias no Brasil, um mês após a posse de Jair Bolsonaro.
O jornal La Croix alerta para as ameaças contra minorias no Brasil, um mês após a posse de Jair Bolsonaro
O jornal La Croix alerta para as ameaças contra minorias no Brasil, um mês após a posse de Jair Bolsonaro.

Um mês depois da posse de Jair Bolsonaro, o jornal católico La Croix desta sexta-feira (01/02/2019) questiona a situação das minorias e militantes no país.

A reportagem do jornal francês visitou uma academia de defesa pessoal na Lapa, no centro do Rio de Janeiro. No local, a associação Piranhas Team oferece cursos de kravmaga, método de autodefesa israelense, para mulheres e para a comunidade LGBT há três anos.

“A demanda explodiu desde a eleição de Bolsonaro, homofóbico assumido, em outubro de 2018”, conta o jornal, explicando que o Brasil é o país onde mais se matam pessoas LGBT no mundo. Foram 420 assassinatos em 2018. “Temos medo que as coisas piorem, estou muito preocupado”, disse Hugo, que segue o curso há dois anos.

A reportagem cita também o caso do deputado Jean Wyllys, único representante LGBT do Congresso em Brasília, que renunciou ao terceiro mandato e optou pelo exílio, após ameaças de morte. Wyllys, de 44 anos, vivia sob escolta policial desde o assassinato, em março, da vereadora Marielle Franco.

Clima de medo

“Um mês apenas após a posse de Jair Bolsonaro, o exílio do deputado é sintomático de um clima de medo que se espalhou além da comunidade LGBT, para outros setores da sociedade visados por ataques do presidente desde a campanha”, analisa La Croix. Entre os alvos, diz o jornal, estão: negros, índios, feministas, militantes de esquerda, o mundo da cultura, jornalistas, professores e militantes ambientalistas e de direitos humanos.

Segundo La Croix, os ataques do presidente, que pretende governar “para a maioria” e contra esses grupos, liberam os discursos e comportamentos violentos. O diário católico explica que, desde janeiro, seis territórios indígenas protegidos foram invadidos e que uma comunidade foi atacada a tiros, citando informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja católica. “As primeiras medidas do governo Bolsonaro serviram para incitar esse tipo de ações”, acusa o Cimi em seu site.

Armas piora tensão

“O clima ficou ainda mais tenso com a assinatura do decreto de 15 de janeiro que liberaliza a posse de armas em casa para os brasileiros de mais de 25 anos”, diz La Croix. O jornal francês cita ainda os alertas do Instituto Sou da Paz: “os estudos mostram que, quanto mais armas em circulação, mais a violência letal aumenta. E essa violência vai atingir os grupos que já são atacados, como os negros, mulheres e a população LGBT”.

A Anistia Internacional também é citada pela reportagem pelo grito de alerta, no último dia 25 de janeiro, a respeito de “um cenário de alto risco que surge” contra minorias e organizações da sociedade civil no Brasil.

*Com informações da RFI.

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