“Não podemos aceitar as demissões na Ford Camaçari e sociedade precisa reagir”, diz deputado Hilton Coelho

Linha de produção da fábrica Ford, em Camaçari.
Linha de produção da fábrica Ford, em Camaçari.
Linha de produção da fábrica Ford, em Camaçari.
Linha de produção da fábrica Ford, em Camaçari.

O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) critica a postura da Ford Camaçari que, segundo denúncia do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, na Bahia, prepara a demissão de 700 trabalhadores da unidade na cidade nos próximos dias. “A empresa, depois de se beneficiar de diversos incentivos e benefícios, lucrar muito com recursos do povo brasileiro, deixa sob tensão cerca de 10 mil funcionários que atuam na unidade, sendo em torno de 7 mil deles no setor operacional. Repudiamos esta ameaça e propomos que a Assembleia Legislativa da Bahia promova ações como audiências públicas e outras para evitar este ataque aos interesses da categoria”, afirma o legislador.

Para Hilton Coelho “as anunciadas demissões mostram o absurdo que representa a ‘Bolsa Empresário’, as desonerações fiscais que os governos federal e estadual concedem às empresas, dentre elas a Ford. Tais desonerações deveriam ser acompanhadas de contrapartidas como a geração e manutenção de empregos. Aqui vemos que quem decide são os empresários, no caso uma multinacional. O governador Rui Costa (PT) deve mobilizar sua administração para evitar o desemprego. O governo estadual concedeu o terreno em Camaçari para a instalação da fábrica e vem concedendo incentivos fiscais anualmente por meio do ICMS, além de praticar reserva de mercado para a montadora, priorizando a compra de carros produzidos pela empresa”.

O deputado acrescenta que “além das desonerações concedidas pelo Estado, a Ford conta com incentivos fiscais concedidos pelo governo federal, como as desonerações estabelecidas pela Lei Ordinária 13.755/2018, conhecida como Rota 2030, que tem como um dos objetivos a garantia da expansão ou mobilidade no emprego. O anúncio das demissões é o exemplo de um grave problema relacionado às desonerações fiscais, dentre outros benefícios, concedidos pelos governos às empresas instaladas na Bahia, o ‘Bolsa Empresário’ sem transparência, sem planejamento adequado, com critérios extremamente flexíveis e com enorme fragilidade na fiscalização e monitoramento, como aponta o último Relatório e Parecer do TCE sobre as Contas do Estado da Bahia – Exercício 2017”.

“Somos pela manutenção dos empregos e reafirmamos nossa disposição de colocar nosso mandato parlamentar à disposição da categoria. Não aceitamos uma única demissão ou corte de direitos da Ford ou onde quer que seja. No período entre 2014 a 2017 foram concedidos quase R$ 11 bilhões (exatos dez bilhões, seiscentos e quinze milhões e duzentos mil reais) em desonerações fiscais às empresas sem a devida prestação de contas das contrapartidas socioeconômicas, dentre elas a geração e manutenção de empregos. Reafirmo que a sociedade em geral, em especial o Poder Legislativo da Bahia, deve reagir e atuar de forma direta para impedir o desemprego em nossa terra”, conclui Hilton Coelho.

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