Governador de Roraima vai decretar estado de calamidade na saúde; Anúncio ocorre após aumento de conflitos na região de fronteira

Antonio Oliverio Garcia de Almeida, mais conhecido como Antonio Denarium, é um empresário e político brasileiro. Filiado ao Partido Social Liberal, foi eleito governador do estado de Roraima no segundo turno da eleição de 2018.
Governador de Roraima, Antonio Denarium, afirma que vai decretar estado de calamidade na saúde pública do estado.
Antonio Oliverio Garcia de Almeida, mais conhecido como Antonio Denarium, é um empresário e político brasileiro. Filiado ao Partido Social Liberal, foi eleito governador do estado de Roraima no segundo turno da eleição de 2018.
Governador de Roraima, Antonio Denarium, afirma que vai decretar estado de calamidade na saúde pública do estado.

O governador de Roraima, Antônio Denarium, anunciou neste domingo (24/02/2019) que decretará estado de calamidade na saúde pública do estado. Segundo Denarium, a decisão foi tomada após o agravamento dos conflitos na Venezuela, que resultou no aumento do número de feridos que são removidos para hospitais do estado.

“Nós já estávamos com a situação crítica na saúde aqui no estado de Roraima e, com a onda de violência na Venezuela, essa crise se agravou mais ainda”, afirmou em coletiva de imprensa. O decreto já foi assinado e deverá ser publicado na edição desta segunda-feira (25) do Diário Oficial do estado.

“Nós vamos decretar estado de calamidade pública na saúde de Roraima para que a gente possa ter a possibilidade de fazer compras emergenciais de medicamentos e material médico-hospitalar”, acrescentou Denarium.

Somente nas últimas 36 horas, 18 feridos deram entrada no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista, com ferimentos por arma de fogo. Desse total, 13 tiveram que passar por cirurgia e estão internados em unidades de terapia intensiva (UTIs).

O governo do estado também analisa a possibilidade de contratar leitos hospitalares privados, caso aumente a demanda por internação. Segundo o governador, no HGE, principal hospital do estado, já não há mais disponibilidade de UTI nem de leitos.

Remoção

O governador informou também que o Exército disponibilizou sete ambulâncias para fazer a remoção de pacientes de Pacaraima, cidade que fica na fronteira com a Venezuela, para a capital do estado, Boa Vista. Equipes médicas também foram reforçadas no Hospital de Pacaraima, que não tem estrutura para atendimentos de alta complexidade. Plantonistas estão de prontidão em Boa Vista caso a demanda na saúde aumente ainda mais nos próximos dias.

O vice-governador de Roraima, Frutuoso Lins, que é médico, informou que os feridos que têm chegado ao HGR são, na sua maioria, vítimas graves de tiros de fuzil, que exige um tratamento mais intenso do que feridos por armas de fogo simples. “É uma novidade para gente tratar ferida de arma de fogo por fuzil, que é muito diferente de tratar ferida por arma comum, como [revólver] 38 ou 380. É um ferimento muito mais grave e denota um uso do sistema de saúde muito mais intenso”, afirmou.

Fronteira

Antônio Denarium destacou que, com o fechamento da fronteira terrestre entre os dois países, determinada pelo presidente do país vizinho, Nicolás Maduro, cerca de 2 mil brasileiros que vivem na região de Santa Elena do Uiarén, cidade que fica do lado venezuelano, estão retidos. Ele disse, entretanto, ter informações de que poderá haver uma reabertura parcial da fronteira nos próximos dias.

“Temos informação do Exército de que provavelmente hoje ou amanhã a fronteira será aberta para a passagem de pedestres. Não temos informação, ainda, da abertura, por parte da Venezuela, para a passagem dos caminhões”, disse.

Ontem, a Presidência da República informou que dois caminhões com ajuda humanitária entraram em território venezuelano através da fronteira em Roraima. Segundo o governador do estado, o fluxo diário de imigrantes venezuelanos para o Brasil, a partir da fronteira de Pacaraima, era de cerca de 500 pessoas, antes do fechamento do acesso.

“Sofremos cortes diários de energia elétrica”, diz governador de RR

O governador de Roraima, Antônio Denarium, afirmou hoje (24), em coletiva de imprensa, que foi determinada a urgência na construção do linhão de Tucuruí, que vai permitir interligar o estado ao sistema elétrico nacional. Atualmente, o estado depende do fornecimento de energia por parte da Venezuela e o agravamento da crise política no país vizinho tem prejudicado a oferta do serviço.

“Com esse agravamento da crise política na Venezuela, nós já estamos tendo alguns cortes durante o dia, do fornecimento [de energia]”, afirmou. Segundo ele, em uma reunião por videoconferência com o presidente Jair Bolsonaro, na última sexta-feira, ficou acertado a prioridade dos investimentos no setor, para que o estado deixe de depender da compra de energia da Venezuela.

“Já teve um alinhamento, por parte do governo do estado de Roraima, com o presidente Bolsonaro, sobre a construção do linhão de Turcuruí. Fizemos uma reunião e ficou determinada a urgência”, informou.

Roraima é o único estado que não está interligado ao sistema elétrico nacional. Desde julho de 2001, grande parte do estado, incluindo a capital, Boa Vista, é suprida por energia elétrica proveniente da Venezuela, por meio de um sistema de transmissão situado parte em território venezuelano, parte em território brasileiro.

O contrato da Eletronorte com a Corpoelec, empresa encarregada do setor elétrico na Venezuela, prevê o fornecimento de até 200 megawatts (MW) para a empresa de distribuição de energia local, Eletrobras Distribuição Roraima. O prazo final do contrato é 2021 e, até o momento, a empresa não manifestou interesse em renová-lo. Desde 2010, a Corpoelec passou a reduzir o montante de energia exportada, trazendo dificuldades ao atendimento do mercado do estado de Roraima.

Membros da população da Venezuela entram em confronto com forças do Governo Maduro.
Membros da população da Venezuela entram em confronto com forças do Governo Maduro.
Sobre Carlos Augusto 9462 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).